Capítulo 4
Aria
Acordei numa cama de casal simples e com paredes de madeira ao redor, o sol refletia no assoalho ao meu lado. Meu coração começou imediatamente a bater acelerado contra o peito.
Onde eu estava?
Sentei-me na cama e avistei um homem sentado numa poltrona de frente para mim, no quarto só havia isto. Uma cama, uma poltrona, um pequeno guarda roupa, ele e eu. Ele estava usando um jeans casual e uma camiseta preta de manga longa. Seu cabelo era um pouco comprido, alguns cachos pendiam atrás de sua orelha. Seus olhos azuis eram penetrantes.
- Vejo que acordou! - ele disse.
Eu já tinha achado ele familiar, embora estivesse um pouco sonolenta. Mas ao ouvir sua voz e focar em seu rosto, que tinha uma leve barba por fazer, eu o reconheci.
- Nick... - murmurei seu nome e arregalei meus olhos - O que estou fazendo aqui? Aliás, onde estou? - perguntei olhando para baixo e agradeci por estar vestida.
Nick ficou de pé e foi até a janela ao meu lado, parando ali e olhando para a rua com suas mãos nos bolsos da calça.
- Tantas perguntas... mas acho que você não está em posição de perguntar. Assim que responder as minhas, responderei as suas!
- Responder o que? Você está me sequestrando! - falei saindo da cama e ficando do lado oposto ao dele.
- Eu? - ele bufou e franziu as sobrancelhas - Aria, eu salvei sua vida e você quase me implorou por isso!
- Implorar? Você deve estar maluco, esse seu ego enorme deve ter dominado sua cabeça de vez! - falei e no mesmo instante lembranças do acidente me vieram à mente. Misturadas com as lembranças do nosso passado.
- Pense o que quiser. Mas me responda, de quem estava fugindo? Por que sua mão está suja de sangue? Quem era o tal ele que você tanto estava com medo?
- Não lhe devo satisfações, quero ir embora! - falei o olhando nos olhos.
- Pode ir! - ele disse e pareceu se divertir - Seu carro está a uns dez quilômetros, a estrada é de chão e bem esburacada. Com as chuvas que atingiram a região nos últimos dias, deve estar bastante embarrada também. Mas fique a vontade!
- O que quer comigo? Por que me trouxe para cá e não para um hospital?
- Primeiramente você quase me implorou para que a tirasse de lá e eu não sabia do que estava fugindo. Achei melhor a trazer para cá! - Nick disse parecendo irritado - Responda minhas perguntas e responderei às suas! - ele voltou a olhar a rua e pareceu relaxar.
- Uma pergunta por outra! - falei - Comece, pergunte logo! - falei sem paciência.
- De quem estava fugindo? - Nick perguntou.
- Não vejo como isso seria da sua conta! - disse.
- Se quiser respostas, apenas responda! - ele disse bravo.
- Adam! - falei sentindo seu nome queimar minha garganta com um misto de emoções. Preocupada que tivesse o matado e ao mesmo tempo culpada que um pontinha de mim quisesse mesmo isso. Mas como eu me sentiria se realmente tivesse matado ele? Eu ainda o amava, apesar de tudo? - Meu marido...
- Hum e por que? - sua voz saiu um pouco sombria.
- Como assim, por que? - eu havia me esquecido que ele era extremamente irritante - Isso não importa e é a minha vez! Por que me trouxe para cá e não me levou até um hospital ou sei lá... para outro lugar. Aqui é sua casa agora?
- Uma pergunta por vez! - ele me repreendeu sem tirar os olhos da rua - A trouxe para cá porque senti que estava com medo quando me pediu que a tirasse dali. Quando examinei sua mão, percebi que tinha sangue na mão direita. Deduzi que não era o seu sangue, porque você não está machucada e resolvi esperar para ouvir uma explicação razoável!
- É... - fiquei muda o observando. - Não é da sua conta nenhum tipo de explicação.
Nick era médico e é claro que notaria o sangue na minha mão. Por um lado, foi bom que eu não tivesse ido a um hospital, ou teria que me explicar e não seria nada bom.
- Minha vez - ele disse me olhando rapidamente e depois voltou seu foco para a rua - Por que estava fugindo do seu marido?
- Já disse que não é da sua conta! - falei entre os dentes.
- Acho melhor começar a falar, porque eu posso me sentir bem tentado a chamar a polícia! - Nick falou, mas eu sabia que ele não faria isso. Ou ao menos esperava que não - Me diga que não o matou...
- Eu... eu não sei... - admiti baixo - Saí antes de ter certeza...
- Ok... - ele disse sem esboçar nenhum sentimento - Por que fugiu? - Nick repetiu a pergunta.
- Adam... ele... bom, era... é... um marido abusador! - falei sentindo um peso sair do meu peito.
Nick se virou e me olhou sério, sua boca franziu um pouco. A última pessoa no mundo a qual pensei em contar isso um dia era ele. Mas o sentimento foi confuso, embora familiar e aconchegante.
- Filho da puta... - Nick disse e voltou a ficar sem expressão, desviando novamente seu olhar. - Sua vez! - ele disse ainda com as mãos nos bolsos fitando a rua.
- Onde estamos? Essa não é sua casa! - falei e sabia que Nick não morava aqui, pelo menos achava que não. Sua família era muito rica anos atrás.
- No chalé, aos fundos da casa de campo dos meus pais! Minha vez. O sangue em sua mão é do Adam! - ele afirmou - O que fez?
Suspirei com um pouco de medo de qual seria sua reação quando eu contasse.
- Eu o esfaqueei... aliás, enfiei uma vez a faca em sua barriga. Não sei os danos, quando sai tinha bastante sangue e ele estava caído no chão! - disse nervosa.
- O desgraçado mereceu, tenho certeza! - ele disse me olhando nos olhos - Não sabe se o matou, então?
- Não, mas ele estava muito ensanguentado - lágrimas de medo surgiram e começaram a escorrer pelo meu rosto. Eu estava com medo das consequências ou de ter matado o homem que eu não sabia se ainda amava ou não?
Nick me olhou e não pareceu ter pena e sim compaixão. O que foi bom, até...
- Está arrependida?
- Não sei, acho que... não, mas talvez sim! - falei lembrando de todo o mal que Adam já tinha me feito.
- Deveria estar orgulhosa... - Nick murmurou.
- Minha vez! - disse com convicção. - Vai me denunciar?
- O que? Não! Nem pensar. Espero que o desgraçado esteja morto e queime no inferno! - ele disse irritado e pareceu estar com bastante raiva - Onde estava indo? - Nick perguntou baixo voltando a ficar sério e tirou seus olhos de mim.
- Aquela sua tia? - ele perguntou e para minha surpresa saiu da janela e começou a andar pelo quarto parecendo nervoso e bravo.
- É a única pessoa que tenho no mundo - falei me sentindo uma idiota por estar com pena de mim mesma.
- Hora por favor, procurar o diabo seria uma opção melhor e sabe disso!
- Ela me ajudaria! - falei com raiva, mas não sabia se era verdade.
- Claro e depois faria o mesmo novamente! Quem sabe com alguém até pior! - ele disse se aproximando e parou a poucos centímetros.
O ar em meus pulmões faltou de repente, me deixando sem fôlego. Nick parecia ainda mais bonito do que eu me lembrava. Estava mais velho, mais sério e muito mais atraente do que aquele menino começando a se tornar homem ao qual namorei anos atrás.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Isabel Esteves Lima
Eles chegaram a namorar. Que pena não deu certo. E ela acabou casando com um escroto abusador. 😱😱😱😱
2025-03-10
0
nubia souza
tomara que o Adam tenha morrido 😞😞😞😞
2023-11-06
4
Maria Jose Rezende
Tá ótimo, por favor manda os outros capítulos.
2023-07-08
4