Capítulo 3
Nick
Estava indo jantar com meus pais, na casa de campo que eles tinham comprado a pouco tempo. Não gostava de ir à noite para aquelas redondezas, não havia iluminação nem fiscalização, sem contar a péssima estrada. O deixava tudo bem perigoso. Mas depois de algumas idas e vindas, eu tinha perdido o medo.
Não soube dizer de onde veio, mas quando percebi um carro surgiu de repente. Eu buzinei e tentei frear, mas não houve tempo algum e eu bati na lateral de um veículo. Um alarme soou alto e eu fiquei desnorteado por alguns segundos apenas olhando o carro amassado à minha frente.
- Merda... - falei e saí o mais rápido que pude.
Ainda bem que eu tinha batido na porta do carona, ou seria mais difícil de conseguir tentar tirar a pessoa. Era uma mulher. Eu tinha deixado meus faróis ligados, pois a estrada era totalmente escura. Mas não pude ver com muita clareza o rosto da pessoa, só notei que era uma mulher, com os cabelos caídos no rosto. Tentei puxar seu cinto, mas não abriu. Então peguei meu canivete de bolso e o cortei rapidamente.
A mulher escorregou para meus braços com facilidade, parecia estar apenas desmaiada, pois eu conseguia sentir sua respiração. Sua cabeça encostou no meu peito e seus cabelos saíram de cima da sua face, revelando seu rosto.
Seu lindo rosto.
O rosto que assombrou meus sonhos e desgraçou minha vida por longos anos.
Apesar do cabelo bem mais comprido e do corpo muito magro, eu a reconheci imediatamente, era ela. Era a Aria.
Como em nome de Deus o destino podia ser assim tão cruel? Que senso de humor mais horrível que o universo tinha para punir as pessoas.
Por algum tempo, eu não saberia dizer quanto, fiquei com Aria em meus braços no meio daquela escuridão com a luz dos faróis nos atingindo deixando que todas aquelas lembranças me dominassem.
Quando a sensação de dormência passou a afastei do seu carro, com medo de que pudesse pegar fogo ou explodir, embora a batida não tivesse sido tão desastrosa assim. A coloquei no banco do carona do meu carro e ainda com a porta aberta tentei ligar para a polícia.
- Ótimo, sem sinal! - falei com raiva e olhei para o céu - Ok, eu já entendi! Isso é uma punição! Mas o que eu vou fazer? O que devo fazer? Deixar ela aqui?
- Não... não... - a voz suave e delicada de Aria surgiu, mas com uma urgência estranha. Seus olhos ainda estavam fechados e ela balançava a cabeça de um lado para o outro - Não me deixe aqui, ele vai me achar!
- Ele? Ele quem? - perguntei me agachando ao lado do banco.
- Ele... - falou ela parecendo delirar um pouco - Me tire daqui... - sua voz saiu num sussurro perturbador de agonia e desespero.
Olhei para o meu celular sem sinal algum e suspirei. Fiquei de pé com meu coração batendo descompassado no peito, o suor escorria pelas minhas costas e eu só conseguia pensar que se a deixasse aqui, eu seria muito cruel. Mas se a levasse, estaria desgraçando minha vida.
Ela parecia estar com medo de alguém, provavelmente fugindo. Eu não podia a deixar aqui. A levaria para a casa dos meus pais, ligaria para o socorro e nunca mais iria voltar a vê-la. Eu conseguiria, eu precisava conseguir.
Consegui com bastante custo colocar o carro dela no acostamento, após uma rápida inspeção de que o carro não iria explodir e me matar. Sinalizei deixando o pisca alerta ligado e o tranquei.
Voltei rapidamente para o meu carro, sentei no banco do motorista e olhei para a Aria. Ela ainda era incrivelmente bonita, mas suas feições pareciam tristes e ela também parecia estar muito magra.
Dirigi até a casa dos meus pais, desliguei os faróis e entrei em silêncio. Fui até o pequeno chalé dos fundos que eles haviam reforma para quando eu ou minhas irmãs viessem aqui para ficar algum tempo, ou algumas noites.
Estacionei atrás do chalé e levei Aria para dentro. Ela estava desmaiada ainda, então a coloquei numa cama e inspecionei seu corpo por cima da roupa, procurando por algo quebrado ou fraturado. Nada. Aria parecia bem. Exceto por um pequeno corte no supercílio. Eu esperava que não fosse nada grave e pela minha experiência, não era.
O que mais me preocupou foi sua mão direita. Sangue seco estava debaixo das suas unhas e na ponta dos seus dedos.
O que eu deveria fazer meu Deus? Chamar a polícia? Uma ambulância? E se ela estiver em perigo? Ela estava fugindo? Ela tinha cometido algum crime?
Meu Deus...
Suspirei e caminhei de um lado para o outro irritado comigo, irritado com a situação e irritado com Aria. Por que meu Deus justo eu tinha batido no carro dela? E por que que era justo ela dentro daquele carro?
Eu não sabia, mas precisava ser racional, embora quando se tratava dela, eu nunca tinha sido racional.
Mas agora eu seria, tinha que ser.
Ela parecia bem, embora desmaiada, eu a deixaria descansar.
Fui até a casa principal dos meus pais e bati na porta três vezes, como de costume.
- Filhão! - falou meu pai ao abrir e me abraçou com força.
- Pai... - disse retribuindo seu abraço.
- Nick? - era a voz da minha mãe se aproximando - Como está meu querido? Cadê a Vivian?
- Estou bem mãe... - disse quando ela também me envolveu num abraço apertado - Viviam não pode vir!
- Há... que pena! - disse minha mãe, mas eu sabia que ela não se importava nenhum pouco.
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Se preparem que o babado deste livro vai ser grande viu...
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Zete Campos
tô amando essa história parabéns autora pelo seu trabalho.
2024-11-09
0
🌹
História é boa.
2024-06-10
1
Eronilde
comecei ler e a minha expectativa é que ele ñ seja casado
2023-07-04
7