E lá estávamos nós, passei a tarde toda evitando falar com as meninas, antes de ir embora, fiquei de um lado pro outro no banheiro falando sozinha como uma doida, eu devia ter olhado os box antes de falar sozinha, mas eu fiz isso? Claro que não, eu estava em Pânico.
Eu não sou uma pessoa de muitos amigos, eu preciso falar pra alguém o que aconteceu, porque eu dei uma de surtada e beijei ele? eu tô ficando louca? Talvez eu esteja doente? ou é só o meu talento para estragar tudo, o que é uma habilidade inútil, já que só eu me ferro nessa história, que merda eu fui fazer, posso perder meu emprego se a Valência descobrir, ou pior, o Paul pode mandar eu ir embora por ter conseguido o que queria, como isso pode ser pior Rebeca? Tá ficando louca? você também queria, mas ele tá com sua chefe, sua anta, acho que não estou raciocinando direito.
Ane:
— com certeza não está!
Cíntia:
— não nos viu entrar aqui?
pensamento da Rebeca.
"mas que merda"
Rebeca:
— a quanto tempo estão aqui?
Ane:
— Desde o começo.
pensamento da Rebeca.
" ótimo, acrescenta péssima mentirosa e não checa o lugar antes de entrar e falar sozinha como uma burrice minha também"
Cíntia:
— por que não falou a verdade?
Rebeca:
— vocês já estavam me julgando, tem alguém mais aqui?
Ane:
— não, só nós duas, você passou a tarde toda longe de nós.
Rebeca:
— desculpe, não foi intencional. —respirei fundo e falei. — Na verdade foi sim, eu não queria contar porque vocês iam fazer exatamente essa cara que estão fazendo agora.
Cíntia:
— te julgar?
Rebeca:
— sim
Ane:
— sente que mal nos conhece para nos dar sua confiança, entendemos, mas o Paul e a Valência já se pegam há alguns anos Rebeca, ele sempre faz isso para causar ciúmes nela e deixa alguma coitada apaixonada por ele e depois cai fora.
Rebeca:
— Ele disse que não é exclusivo.
Cíntia:
— Ele nunca assume ninguém, nem ela, mesmo que se peguem sempre, ele não ama ninguém.
Rebeca:
— amor é algo relativo, e não é o que estou sentindo, tesão talvez, amor não, mas porque ele não assume ela?
Cintia:
— olha, ele tem um nome muito grande na indústria, é um homem respeitado, mas não é bom, faz parte de algo que não devia.
Rebeca:
— tipo o que?
Cíntia:
— não sei, e nunca faço perguntas, mas já vi ele sair daqui nervoso e armado e voltar com as mãos sujas de sangue, literalmente. não digo que esteja apaixonada, mas ele não se apaixona, só usa.
Ane:
— esses magnatas ricos sempre escondem alguma coisa.
Rebeca:
— Mas gente, eu só queria falar que ele me beijou e que foi muito bom, depois eu beijei ele e ele me beijou de novo, muito confuso, eu devo ter algum problema.
Ane:
— como assim?
Rebeca:
— eu só atraio homem com caráter duvidoso, pior é que eu gosto. — Nós três rimos no banheiro.
Cíntia:
— porque não disse que estava afim dele também?
Rebeca:
— porque eu não estava.
Ane:
— não se sai beijando ninguém por aí por nada..
Rebeca:
— tá, talvez eu esteja querendo sentar nele, mas pura atração, curiosidade.
Cíntia:
— juízo zero.
Depois de uma conversa bem tensa e meio sem sentindo que acabou sendo engraçada, nós saímos do banheiro, e Paul estava lá porta me olhando com aqueles olhos pretos iluminados, eu respirei fundo e fui embora, esse dia foi caótico demais na minha vida, preciso afundar a cara no travesseiro, dormir e acordar fingindo que nada aconteceu. E assim eu fiz? óbvio que não né, eu queria mais, eu cheguei em casa me olhei no espelho e fiquei rindo como besta lembrando daquele beijo e a mão dele no meu cabelo, então eu tomei banho, fui comer alguma coisa e talvez trabalhar um pouco numa história de amor trágica que eu estava escrevendo, coloquei uma música e ao invés de escrever, eu acabei dormindo com o computador na cama e acordei com o celular alarmando para eu levantar e ir trabalhar, dessa vez eu queria passar despercebida pelo escritório, em duas semanas nós iríamos para o estúdio para começar as gravações e não queria arrumar encrenca, então decidi não me arrumar muito, coloquei uma calça jeans azul, uma camisa preta com brilhos dourado, e um tênis preto, completamente comum, nada pra chamar atenção, ou será que chamaria já que eu ando arrumada sempre? bom não importa, eu ia assim mesmo, fui para o ponto pegar o ônibus e vi um carro de longe, mas não liguei, porque teria um carro me seguindo? Entrei no ônibus e fui trabalhar, quando cheguei no trabalho, o mesmo carro estava lá e entrou no estacionamento, falei.
— pronto! vou morrer agora e eu nem fiz nada.
Eu sei gente, eu sou meio paranóica, na verdade era o Paul com o carro dele, outro carro né, ele me abordou quando eu ia entrar no escritório, ele me puxou pelo braço para escada de incêndio e eu já fiquei puta.
— qual é cara? São oito da manhã.
— tentei conversar com você ontem.
— Eu estava ocupada Paul.
— Vamos falar de ontem?
— pra que?
— eu te vi pegar o ônibus hoje.
— é, parecia um stalker maluco.
— como você se aguenta?
— Sabe que eu não sei, não quero falar disso.
— vai fingir que nada aconteceu?
— vai fingir que se importa?
— mulher, você é louca.
— obrigada!
Eu dei as costas para ele e sai rindo das escadas, a cara do Paul era impagável, eu estava afim dele e obviamente me sentia atraída por ele, mas as coisas não seria tão fáceis assim, ele tinha que merecer estar comigo, eu sei, é um pouco arrogante, mas e daí? Ele é presunçoso e muito egocêntrico, tava sendo divertido esse chove e não molha nosso, até ela chegar, Fabiana, a atriz que faria o papel da mel no filme, entrei no escritório sorridente e ela era linda, Paul então passou por mim.
Paul:
— é um prazer ter você no filme!
Fabiana:
— algum prazer com certeza terá.
Fabiana deu um beijo em Paul que não recusou, ele retribuiu! retribuiu! eu fiquei desacreditada e fiz uma cara de, esse idiota escroto. Eu passei por eles dois e sentei na mesa quando Valência disse.
Valência:
— só assim pra ela fazer parte desse filme.
Rebeca:
— Tomara que se engasguem.
Valência olhou pra mim e sorriu, talvez ela não fosse tão ruim assim, talvez…
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Ursula Oliveira
isso tá muito viciante hahah
2023-05-28
5