O silêncio no camarim ficou pesado. Sn sentiu seu coração bater forte contra o peito ao ver a expressão de Kang Jiho mudar. O homem frio e intimidador, que há poucos instantes a pressionava por respostas, agora parecia completamente em choque.
Ele deu um passo para trás, os olhos vidrados no colar que Sn segurava.
— Você… disse que foi um amigo de infância…? — Sua voz saiu baixa, quase trêmula.
Sn franziu a testa, estranhando a mudança repentina.
Kang Jiho, ainda sem acreditar, puxou do bolso um colar idêntico ao dela. Seu olhar alternava entre os dois pingentes.
Com mãos trêmulas, ele aproximou os colares, juntando-os como duas peças de um quebra-cabeça perfeito.
Naquele instante, memórias da infância inundaram sua mente.
Os dias na creche. Os risos inocentes.
O momento em que ele, uma criança sonhadora, segurou o dedinho mindinho de uma garotinha de olhos brilhantes e prometeu:
— "Quando a gente for adulto, vamos nos encontrar, namorar e ser felizes. Eu vou te achar nem que seja no final do mundo."
Seus olhos marejaram.
Ele olhou para Sn com o peito apertado.
— Sn… — sua voz falhou.
Sn arregalou os olhos ao ouvir seu nome sair da boca dele de um jeito tão familiar, tão carregado de emoção.
Antes que pudesse reagir, Jiho avançou e a abraçou com força.
Seu corpo tremia ligeiramente, e Sn pôde sentir a respiração pesada contra seu ombro.
— Eu te encontrei… — Ele murmurou, fechando os olhos, segurando-a como se ela fosse desaparecer.
Sn ficou paralisada.
O calor do abraço dele era estranho… mas ao mesmo tempo, despertava algo dentro dela.
Ela engoliu seco, o coração descompassado.
Quem era esse homem?
E por que, naquele instante, ela sentiu como se tivesse voltado no tempo… para um passado que sua memória havia apagado?
O coração de Sn batia descompassado enquanto sentia o calor do abraço de Kang Jiho. Ela tentou se afastar, mas ele segurou seus ombros com firmeza, como se temesse que ela sumisse de novo.
Seus olhos, marejados, encontraram os dela.
— Eu sei… você não lembra de mim. — A voz dele tremia, carregada de emoção. — Mas eu sou o Kang Jiho.
Sn piscou, confusa.
Ele respirou fundo, tentando se recompor, e segurou sua mão com delicadeza, erguendo o mindinho.
— A gente fez uma promessa, lembra?
Sn olhou para o gesto dele e, então, viu quando ele retirou o próprio colar do bolso e o juntou com o dela.
— Eu te encontrei, Sn. — A voz dele se quebrou no final da frase.
O choque percorreu o corpo dela como uma onda avassaladora.
De repente, flashes do passado começaram a surgir.
A creche.
Um garotinho com um sorriso brilhante lhe oferecendo biscoitos em forma de ursinho.
O mesmo garoto segurando sua mão, prometendo que ficariam juntos quando crescessem.
O mesmo garoto que, um dia, defendeu ela quando foi atacada por outras crianças.
Os olhos de Sn se arregalaram.
Ela olhou para Jiho, sua respiração entrecortada.
— Kang Jiho… — ela sussurrou, sentindo sua garganta se fechar.
Ele assentiu, apertando um pouco mais sua mão.
— Sou eu, Sn. — Um sorriso pequeno e melancólico surgiu em seus lábios. — O garoto do biscoito em forma de ursinho.
Sn sentiu um nó se formar em sua garganta. Seu peito apertou, e ela desviou o olhar, tentando processar tudo.
Kang Jiho…
O amigo da infância que havia prometido encontrá-la.
Ele realmente a encontrou.
Mas será que o tempo não os havia mudado demais?
Será que aquele garotinho doce ainda existia dentro do homem frio e implacável diante dela?
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Atualizado até capítulo 41
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