Sn olhava para o avô com os olhos marejados, tentando segurar as lágrimas. Seu coração estava apertado, mas sua voz precisava soar firme.
— Vovô, a gente precisa ir para outro estado… Você está doente, e eu quero arrumar um emprego para pagar seu tratamento. Agora que descobrimos que você tem câncer, não podemos perder tempo. Eu não vou deixar você sozinho nessa.
O senhor à sua frente sorriu com ternura, mesmo estando visivelmente mais fraco do que antes. Seu rosto envelhecido mostrava sinais de cansaço, mas seus olhos ainda brilhavam com o amor que sentia por sua neta.
— Minha pequena Sn… Você sempre cuidou de mim, quando deveria ser o contrário. — Sua voz era suave, mas carregada de orgulho. — Mas, por favor, prometa que não fará nada que coloque você em perigo. Você é preciosa demais para isso.
Sn forçou um sorriso, segurando a mão do avô com delicadeza.
— Eu prometo, vovô. Eu só quero garantir que você fique bem.
Meses depois…
A vida de Sn havia mudado completamente. Ela trabalhava incansavelmente para sustentar os custos do tratamento do avô, pegando qualquer serviço que pudesse pagar um bom salário. Mesmo exausta, ela nunca reclamava.
Foi então que, uma noite, ao verificar seus e-mails no celular, ela viu uma nova mensagem.
Assunto: Oportunidade de trabalho – Dançarina
Ela franziu a testa, curiosa. Ao abrir, seus olhos se arregalaram ao ver o valor oferecido. Era muito dinheiro… dinheiro suficiente para cobrir as próximas consultas e medicações do avô sem precisar trabalhar até a exaustão.
Mas o que realmente a surpreendeu foi o endereço anexado ao convite.
Era perto de sua casa.
Sn ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Era como se o destino estivesse colocando essa oportunidade bem diante dela. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de si a fazia hesitar.
Instintivamente, sua mão subiu até seu pescoço, tocando a corrente prateada que sempre carregava consigo. O pingente frio roçou contra seus dedos, e seu coração acelerou.
O colar.
A metade que ela guardava desde a infância.
A lembrança de um garoto de olhos intensos e promessas feitas no passado.
Por que, de repente, aquela sensação de inquietação a dominava?
Ela olhou para o espelho à sua frente, observando sua própria expressão pensativa. Mesmo depois de tantos anos, o colar ainda estava ali. Mesmo que sua mente não lembrasse claramente do rosto dele, seu coração ainda reconhecia o peso daquela lembrança.
Ela respirou fundo e voltou sua atenção para o e-mail.
Seria arriscado? Talvez.
Mas ela não tinha escolha.
Se essa era a maneira de garantir o bem-estar de seu avô, então estava disposta a entrar nesse mundo desconhecido.
Ela apenas não sabia que, ao aceitar essa proposta, estava prestes a se reencontrar com alguém que nunca deixou de procurá-la.
E que esse encontro mudaria sua vida para sempre.
Sn saiu da loja de joias com passos lentos, sentindo o peso da decisão que precisava tomar. O colar que ela sempre carregou consigo era a única lembrança concreta de um passado que parecia distante e nebuloso. Apesar de não lembrar completamente da pessoa que lhe deu aquele presente, algo dentro dela sempre dizia que era importante. Mas, ao mesmo tempo, o valor oferecido pelo vendedor era alto, suficiente para ajudar a pagar parte do tratamento do avô.
Ela olhou para o céu nublado de fim de tarde e suspirou pesadamente. Seu coração estava dividido entre o apego emocional e a dura realidade que enfrentava.
“Vou pensar… Amanhã eu volto.”
As palavras que ela disse ao vendedor ainda ecoavam em sua mente enquanto caminhava de volta para casa. Será que estava certa em hesitar? O que valia mais naquele momento: uma lembrança do passado ou a saúde de seu avô?
Com os pensamentos tumultuados, Sn subiu as escadas do pequeno prédio onde morava e foi diretamente ao apartamento da vizinha.
A Sra. Jung era uma mulher bondosa, de meia-idade, com cabelos grisalhos presos em um coque e um sorriso sempre acolhedor. Enfermeira há anos, ela já conhecia bem a situação do avô de Sn e sempre se mostrava disposta a ajudar.
Assim que abriu a porta e viu Sn ali parada, a mulher sorriu gentilmente.
— Sn, querida! Como está seu avô hoje?
Sn sorriu de leve, tentando esconder o cansaço em sua expressão.
— Ele está estável, mas… eu preciso sair para trabalhar e queria te pedir um favor. Você pode cuidar dele enquanto eu estiver fora? Eu pago pelo seu tempo, claro.
A enfermeira franziu a testa e balançou a cabeça com ternura.
— Você não precisa me pagar para cuidar dele, minha querida. Eu faço isso porque gosto muito de vocês. Seu avô é um homem maravilhoso, e sei que você tem se esforçado muito para cuidar dele.
Mas Sn insistiu, estendendo um envelope com dinheiro.
— Eu realmente aprecio tudo o que você faz por nós, mas, por favor, aceite isso. Eu ficaria mais tranquila sabendo que estou retribuindo, mesmo que seja um pouco.
A Sra. Jung suspirou antes de pegar o envelope.
— Tudo bem… Mas, se precisar de qualquer coisa, me avise.
Sn agradeceu e rapidamente voltou ao seu apartamento. Assim que entrou, viu seu avô sentado na poltrona perto da janela, olhando o céu com uma expressão serena.
Ela caminhou até ele, se ajoelhando ao seu lado e segurando suas mãos com delicadeza.
— Vovô, eu consegui um trabalho novo. Vai pagar bem, e isso significa que logo poderemos cobrir todas as despesas do seu tratamento.
O idoso desviou o olhar da janela para encará-la, seus olhos carregando uma mistura de orgulho e preocupação.
— Minha menina… Eu sei o quanto você está lutando por mim, mas só me prometa que vai se cuidar. Dinheiro nenhum no mundo vale mais do que a sua segurança e felicidade.
Sn sorriu e assentiu, sentindo seu coração aquecer com aquelas palavras.
— Eu prometo, vovô.
Ela pegou um pedaço de papel e escreveu rapidamente seu número de telefone. Em seguida, entregou para ele, segurando sua mão com carinho.
— Aqui, vovô. Esse é o número do meu celular. Se precisar de qualquer coisa, me ligue. Eu vou ficar fora por algumas horas, mas a vizinha vai ficar de olho em você.
O idoso pegou o papel e o segurou entre os dedos enrugados, sorrindo para a neta.
— Eu sei que posso confiar em você, minha pequena. Tome cuidado, está bem?
Sn respirou fundo, tentando afastar a ansiedade que crescia dentro dela. Com um sorriso afetuoso, inclinou-se e depositou um beijo suave na testa do avô.
— Eu te amo, vovô. Descansa um pouco, tá bom?
Ele retribuiu o sorriso e acariciou o rosto dela com ternura.
— Eu também te amo, minha menina. Vá com cuidado.
Sn se levantou e pegou sua bolsa. Antes de sair do apartamento, olhou para trás uma última vez, observando seu avô sentado ali, tão frágil, mas ainda assim cheio de amor por ela.
Seu peito apertou, mas ela não podia hesitar.
Ela abriu a porta, saiu e caminhou pelo corredor do prédio, sentindo o peso de suas decisões. Antes de descer as escadas, sua mão instintivamente foi até seu pescoço, tocando o pingente frio do colar que sempre carregava.
Aquele colar…
Aquele símbolo de uma promessa perdida no tempo.
Ela não sabia por que nunca conseguiu se livrar dele. Não sabia por que ainda o usava todos os dias, como se fosse uma parte essencial de sua vida.
Mas, naquele momento, ela não podia se dar ao luxo de se apegar ao passado.
Seu futuro, e o futuro do seu avô, dependiam das decisões que ela tomaria a partir de agora.
E mal sabia Sn que, ao aceitar aquele novo trabalho, ela estava prestes a entrar no caminho de alguém que nunca deixou de procurá-la.
Alguém que, assim como ela, ainda guardava uma metade daquele colar.
E quando seus destinos finalmente se cruzassem novamente… tudo mudaria para sempre.
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Atualizado até capítulo 41
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