O sol ainda nascia no horizonte quando Kang Jiho chegou à creche, diferente de todos os outros dias. Seus passos eram mais apressados, seu olhar carregava uma determinação que nem ele mesmo sabia explicar, e em suas pequenas mãos, ele segurava um pedaço de papel amassado com muito cuidado.
Ele estava animado.
Assim que entrou na sala, seus olhos varreram o ambiente até encontrarem Sn, que estava sentada no canto, distraída com seu ursinho de pelúcia. Jiho nem pensou duas vezes antes de correr até ela.
— Sn! Sn! Olha o que eu fiz!
A menina ergueu os olhos lentamente, surpresa com a empolgação dele. Jiho se jogou no chão ao lado dela e, com um brilho nos olhos, estendeu o desenho. Era um rabisco infantil, feito com lápis de cor, mas o que chamava atenção era o que estava no papel: duas crianças de mãos dadas, sorrindo, com um coração enorme acima delas.
— Sou eu e você! — ele declarou com orgulho. — Fiz ontem à noite!
Sn piscou algumas vezes, analisando o desenho. Seus olhos passaram das figuras rabiscadas para o rosto ansioso de Jiho. Ele parecia esperar por algo, como se o que ela dissesse fosse muito importante.
— Ficou… bonito — murmurou, um pouco tímida.
O sorriso de Jiho cresceu.
— Eu sabia que você ia gostar!
Antes que Sn pudesse dizer qualquer outra coisa, a professora chamou as crianças para guardarem seus materiais e se prepararem para o lanche. Jiho, no entanto, não queria se separar dela tão cedo.
— Você vai lanchar comigo hoje!
Sn hesitou, mas assentiu devagar.
⋆⋆⋆
Na hora do lanche, Jiho puxou Sn para um cantinho da sala e, com um sorriso convencido, tirou um pacotinho colorido do bolso.
— Olha só o que eu trouxe!
Ele abriu o pacote e revelou pequenos biscoitos em forma de ursinho.
— Minha mãe comprou ontem. É meu favorito.
Sn observou enquanto ele pegava um biscoito e o estendia para ela.
— Toma. Você tem que provar.
Ela pegou o biscoito hesitante e deu uma mordida pequena. O sabor amanteigado e doce derreteu em sua boca.
— Gostou?
Ela assentiu.
— Uhum…
Jiho sorriu satisfeito e pegou um para si.
Por alguns minutos, eles comeram em silêncio. Era uma cena simples, mas para Sn, havia algo diferente ali. Não era comum alguém querer ficar perto dela, muito menos dividir algo tão especial.
Depois de um tempo, Sn finalmente falou:
— O-obrigada… por me defender ontem.
Jiho parou de mastigar e piscou algumas vezes, como se não estivesse esperando aquilo. Então, com um pequeno encolher de ombros, respondeu:
— Você é minha amiga. Claro que eu ia te proteger.
Sn baixou os olhos para o biscoito na mão, sentindo uma sensação estranha dentro do peito. Era bom ouvir aquilo.
Mas Jiho ainda não tinha terminado.
Ele olhou para os lados, como se estivesse verificando se alguém estava por perto. Então, sem dizer nada, enfiou a mão no bolso e puxou algo pequeno e brilhante.
— Sn… — ele murmurou, sua expressão ficando séria. — Quero te dar isso.
Ele abriu a mão, revelando um pequeno colar prateado com um pingente partido ao meio.
— Minha mãe disse que isso é um colar de amizade. Eu vi e pensei… a gente pode dividir!
Antes que Sn pudesse reagir, Jiho quebrou o pingente com cuidado, deixando cada metade presa a uma correntinha. Ele pegou uma das metades e colocou no pescoço. Depois, pegou a outra e colocou nas mãos dela.
Sn olhou para o colar com os olhos arregalados.
— Jiho…
— Escuta — ele disse, segurando as mãozinhas dela com firmeza. — Quando a gente crescer, vamos nos encontrar de novo. E aí… a gente vai namorar e ser felizes. Eu prometo.
Os olhos de Sn se arregalaram ainda mais.
— N-namorar?
— Sim! — Jiho afirmou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Eu vou te encontrar, nem que seja no final do mundo!
O coraçãozinho de Sn bateu rápido. Ninguém nunca tinha dito algo assim para ela antes.
Ela olhou para o colar, para Jiho, e depois para o colar de novo. Então, com dedos pequenos e hesitantes, colocou-o ao redor do pescoço.
Jiho sorriu, satisfeito.
— Agora é oficial!
Sn segurou o pingente partido entre os dedos, sentindo o metal frio contra a pele. Ela não sabia muito sobre o futuro, mas naquele momento, as palavras de Jiho pareciam verdadeiras.
E ali, no canto de uma creche qualquer, duas crianças fizeram uma promessa que ficaria esquecida por anos.
Até que o destino decidisse que era hora de cumpri-la.
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Atualizado até capítulo 41
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