Capítulo 12

Na manhã do dia seguinte, Carla e Daniel decidiram que era hora de agir. Eles acreditavam que as crianças não eram as únicas que precisavam entender a situação; era fundamental que os pais também estivessem cientes do que estava acontecendo. Com o coração apertado, eles marcaram uma reunião com os pais das crianças que estavam envolvidas no bullying.

A reunião foi agendada para a mesma escola onde Wendy estudava. Carla e Daniel chegaram ao local com um misto de nervosismo e preocupação, mas com coragem para defender a filha dos preconceitos sofridos.

Eles sabiam que essa conversa não seria fácil, mas sentiam que era um passo necessário e fundamental para proteger Wendy.

Assim que entraram na sala, perceberam que alguns pais já estavam presentes, conversando entre si. Carla respirou fundo e tomou a iniciativa.

-- Bom dia a todos, disse ela, tentando manter a voz firme.

 -- Obrigado por virem. Estamos aqui para discutir algo muito importante que afeta nossas crianças. Como alguns de vocês devem saber, nossa filha, Wendy, tem enfrentado comentários maldosos e bullying na escola..

O murmúrio na sala parou, e todos os olhares se voltaram para o casal. Daniel olhou para Carla e continuou a fala dela.

 -- Wendy é uma criança incrível, e ser adotada não a torna diferente de nenhuma outra criança. Na verdade, é uma escolha de amor. A adoção significa que a escolhemos, e isso é algo que a torna muito especial.

Uma mãe, que estava sentada na primeira fila, levantou a mão.

 -- Eu não sabia que isso estava acontecendo. Meu filho nunca mencionou nada. Eu vou conversar com ele sobre isso.. Não quero que meu filho faça bullying com outras crianças , como também não quero que nenhuma outra criança faça bullying com ele.

-- Isso é importante, disse Carla, sentindo-se um pouco mais encorajada. -- Precisamos que nossos filhos entendam a importância do respeito e da empatia. Não podemos permitir que nenhuma criança se sinta inferior ou menos amada por ser diferente.

Outro pai, que estava visivelmente desconfortável, falou. -- Eu não queria que meu filho estivesse envolvido nisso. Eu sempre ensinei a ele para ser gentil com os outros, respeitando sempre. Como podemos ajudar? -- O homem perguntou preocupado com a situação.

-- Conversem com seus filhos em casa, esse é o primeiro passo, respondeu Daniel. -- Explique a eles que todos têm as suas próprias histórias e que devemos respeitar essas diferenças. Além disso, a escola pode organizar uma conversa sobre diversidade e inclusão. Isso ajudaria a criar um ambiente mais acolhedor para todos, aonde crianças e os pais aprenderiam um pouco mais sobre esse tema que tem se tornado, infelizmente, cada vez mais comum.

Carla olhava para Daniel admirada.

-- Bullying não se limita a apelidos e empurrões no pátio -- continuou Daniel seu argumento -- Ele pode ser muito mais sutil, incluindo a exclusão social, a propagação de boatos. Muitas vezes, as crianças que praticam bullying estão, elas mesmas, passando por dificuldades e reproduzem comportamentos agressivos que aprenderam em casa ou em outros ambientes. Por isso, é fundamental não só ensinar nossos filhos a não praticarem bullying, como também a reconhecerem quando ele está acontecendo e a terem coragem de denunciar. A conversa em casa e na escola precisa abordar também a importância da empatia, de se colocar no lugar do outro e entender como as nossas palavras e ações podem afetar as pessoas. Devemos ensinar as crianças a serem defensoras daqueles que são alvo de bullying, incentivando-as a intervir, oferecer apoio à vítima e reportar o ocorrido a um adulto de confiança. Lembrem-se: o silêncio alimenta o bullying.

Todos na sala olhavam fixamente para Daniel.

Uma das mães que olhava torto para o casal, resolveu se manisfestar: -- Meu filho não fez nada de errado, pois essa menina não é filha de vocês mesmo. Ela é uma órfã, por isso meu filho não gosta dela, ele não mentiu, não é mesmo? Se eu soubesse que a reunião era pra isso, não teria vindo.

Carla e Daniel olharam enojados para a mulher, mas antes que eles pudesse falar qualquer coisa, a diretora tomou a palavra:

-- Senhora Harley, nossa escola recebe qualquer criança, independente de cor, gênero ou grupo sanguíneo. É irrelevante seu comentário maldoso sobre uma criança que vivia em um orfanato e que sonhava em ter uma família, que sonhava ter um pai e uma mãe. Laços sanguíneos não definem sentimentos, você foi muito infeliz ao dizer essas coisas. Por favor, se retire dessa sala, e sinto muito pelo seu filho, ele é uma criança muito inteligente, mas por sua causa, não vou mais aceita-lo nessa instituição de ensino.

A mulher saiu enfurecida dizendo palavras torpes para a diretora do colégio.

Todos ficaram perplexos da atitude da educadora, mas acharam louvável, pois assim, a mulher aprenderia que as coisas não podem ser a maneira dela.

Os pais começaram a se manifestar, compartilhando suas preocupações e sugestões. A conversa fluiu, e, aos poucos, a sala se transformou em um espaço de entendimento e apoio.

Após a reunião, Carla e Daniel se sentiram aliviados. Eles perceberam que haviam conseguido abrir um diálogo importante e que muitos dos pais estavam dispostos a se unir para ajudar a combater o bullying.

Nos dias seguintes, as mudanças começaram a se notar. As crianças foram incentivadas a participar de atividades que promoviam a aceitação e o respeito. A professora Mara organizou um dia de conversa sobre diversidade, convidando todos os pais a participarem e compartilharem suas experiências.

Wendy, que inicialmente estava ansiosa, começou a se sentir mais confiante. Ela percebeu que não estava sozinha, e que seus amigos estavam aprendendo a vê-la com novos olhos. Durante uma atividade em sala de aula, as crianças foram convidadas a desenhar algo que as representasse. Wendy desenhou sua família, com um grande coração ao redor deles.

-- Olhem, eu sou amada! -- ela disse, exibindo seu desenho com orgulho.

As outras crianças aproximaram-se e começaram a elogiar o seu trabalho.

 -- Seu desenho é lindo, Wendy! uma menina comentou, e isso fez o coração dela se encher de alegria, -- Wendy, você nasceu para desenhar, -- comentou um menino, admirado..

Naquele final de semana, Carla e Daniel decidiram organizar um piquenique no parque para celebrar a nova fase na vida de Wendy. Eles convidaram os pais das crianças da escola e, assim, criaram um espaço onde as famílias poderiam se conhecer melhor e se divertir juntas..

O piquenique foi um sucesso. As crianças brincaram, riram e divertiram-se, enquanto os pais trocavam histórias e experiências. Carla e Daniel sentiram um alívio ao ver as suas preocupações se dissiparem.

 Wendy estava cercada de amigos, e a alegria dela era contagiante.

Enquanto observava Wendy correr e brincar, Carla se virou para Daniel.

-- Você acredita que conseguimos mudar isso? Ela está tão feliz.

-- Sim, amor. Eu sempre soube que nosso amor por ela faria a diferença. Agora, estamos todos juntos nessa jornada, respondeu Daniel, segurando a mão de Carla com firmeza.

Com o tempo, a situação na escola continuou a melhorar..

E os meses foram passando e quando Carla deu por si, já era novamente dezembro.

A atmosfera festiva tomou conta da casa. Daniel trouxe uma grande árvore de Natal, cheia de ramos verdes exuberantes, e acendeu a lareira, que estalava suavemente, criando um ambiente acolhedor e quente, amenizando o frio lá fora. As luzes da árvore piscavam como estrelas, refletindo a esperança e a alegria que agora reinavam em seu lar.

-- Olhem só para esta árvore! exclamou Wendy, seus olhos brilhando de excitação. -- É a mais linda que já vi!

-- E ela vai ficar ainda mais bonita quando começarmos a decorá-la! -- respondeu Carla, sorrindo para a filha. O entusiasmo de Wendy era contagiante, e Carla sentiu seu coração se encher de amor..

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Comments

Irá

Irá

Nossa autora, vc foi fundo em! Eu sofro bulyn dos meus irmãos até hoje simplesmente pprq meu painfalou q eu não era filha dele, mesmo eu qd era pequena, e continuou mesmo depois do seu falecimento q em seu leito de morte ele novamente disse q só tinha 4 filhos com minha mãe e eu não era um deles, daí sempre sofri, e o amistoso engraçado que por causa disso minha mãe Tb né rejeitou e eu fui tirada dela ppr agressão, pois só tinha 6 meses qd tudo começou. Mais.quem me criou e educou apesar de muitas brigas entre ele e a esposa e meus primos continuaram com o danado do bulym, do tipo vc não é nossa irmã de sangue sua negrinha, vc só é uma encostada morta de fome .Nossa como isso doía não só na pele mais na cabeça e no coração, e ainda hoje meus irmãos de sangue fazem bulym porq te ho cabelos caheados q eles chamam cabelo de negro e isso se vc não tiver força de vontade vc cai! Por causa de certas palavras desferindo uma espada em nossas corações 💕

2024-12-31

3

Dulce Gama

Dulce Gama

parabéns AUTORA sua história está muito linda só falta uma passagem de tempo pra vê s
Wendy linda e uma grande desayne ❤️❤️❤️❤️❤️🌟🌟🌟🌟🌟

2024-12-31

0

Pati 🎀

Pati 🎀

que capítulo incrível, meus olhos marejaram 🥹, realmente a conexão com a Wendy é muito forte 🥰

2025-02-24

0

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