Capítulo 9

No entanto, um novo obstáculo inesperado surgiu no horizonte. Uma notícia vinda de longe balançou as estruturas do casal e abalou a estabilidade que haviam construído com tanto esforço. Um parente distante de Wendy, que havia sido negligente durante toda a sua vida, decidiu interpor-se no processo de adoção, reivindicando seus direitos sobre a menina. A incerteza invadiu a casa de Daniel e Carla, trazendo consigo uma sombra de medo e dúvida sobre o futuro que imaginaram juntos.

Os dias se tornaram mais turbulentos, as noites mais inquietas. A espera se transformou em angústia, e a ansiedade deu lugar à preocupação. O silêncio que antes era reconfortante tornou-se pesado e melancólico. A incerteza pairava no ar, como uma nuvem escura que não se dissipava.

-- É preciso ter calma, Carla. Eu acredito que ganharemos essa causa. Esse parente da Wendy não conhece a menina e se acha no direito de pedi a adoção dela. Precisamos ter fé que o milagre vai acontecer.

Daniel e Carla enfrentaram o desafio de frente, buscando apoio na solidariedade e na fé que os unia. Juntos, decidiram lutar pelo direito de Wendy de ter uma família amorosa e estável. A advogada foi acionada, e as batalhas legais começaram. O caminho que parecia tão claro e promissor agora se mostrava íngreme e cheio de obstáculos.

Após mais uma visita ao orfanato, Carla e Daniel receberam a notícia que o juiz havia proibido a visita do casal a Wendy. Carla caiu logo no choro, pois estava muito apegada a menina . Daniel também ficou arrasado por dentro, mas decidiu ser forte por eles dois e por Wendy.

-- Daniel, porque é tão difícil adotar uma criança? Somos pessoas de bem, temos um lar exemplar, temos boas condições financeiras, já demonstramos diante da justiça e da sociedade que somos adequados para ter essa criança , mas até agora, tudo que encontramos foram muitas dificuldades..

Carla chorava encostada ao ombro do marido.

-- Amor, é assim que funciona o processo de adoção. O que nos resta é aceitar e esperarmos a decisão do juiz.

Uma dor transpassava o corpo de Daniel, todas as indagações de Carla eram as mesmas que as dele, mas Daniel não queria prolongar o assunto, para que Carla não sofresse ainda mais..

Dois dias depois, no orfanato, Wendy olhava fixamente da janela para o portão, seu coração palpitando com a esperança de ver Carla e Daniel novamente. Seus olhos cor de mel brilhavam com lágrimas não derramadas, enquanto ela segurava o ursinho Mimi, seu fiel companheiro de todas as horas.

O silêncio do orfanato ecoava em sua mente, contrastando com as risadas e abraços compartilhados com o casal.

Olhando para o vazio além daquele grande portão de ferro, Wendy pensava: -- Por que eles não vêm? Será que não me amam mais?

A cabeça da menina fazia várias perguntas sem respostas.

A diretora Maya observando a tristeza expressada no rosto da menina, aproximou-se delicadamente.

-- Wendy, querida, Carla e Daniel não podem vir agora.

Wendy olhou para cima, lágrimas rolaram por seu rosto. -- Mas por quê? Eles são meus pais e eu estou com muita saudade.

A diretora Maya abraçou Wendy com carinho querendo consolar a pequena.

-- Querida, eles estão ocupados com algumas coisas, você precisa esperar -- a diretora ocultou da criança o verdadeiro motivo da ausência do casal, -- Carla me disse que quer ver você alegre e sorrindo.. Nós cuidaremos de você, mas Carla e Daniel sempre estarão no seu coração, apenas espere por eles , que logo apareceram por esse portão de ferro para te ver e te dar um forte abraço.

Wendy sorriu levemente ao ouvir as palavras de otimismo da diretora.

-- Estou com saudades deles, tia Maya. Espero que eles não demorem a vim me ver.

Wendy segurou na mão da diretora que a levou até a sala de pintura. Ali, algumas crianças estavam fazendo seus quadros com vários tipos de tintas e desenhos desfigurados. Mas o sorriso e alegria estampados naqueles pequenos rostos , valia mais que qualquer quadro pintado por um artista famoso.

No outro dia, Wendy se isolou, desenhando imagens de Carla e Daniel. Seu olhar perdido refletia a saudade, mas ela guardava em si, mesmo sendo pequena, a esperança de revê-los novamente.

O juiz do caso havia entrado em recesso devido o final de ano. A dor e a saudade percorreram por mais alguns dias até chegar o novo ano. Daniel e Carla sempre conversavam com a advogada que em meio a causa, se tornou amiga de Carla, se solidarizando com sua dor.

Exatamente dez dias depois do ano novo, o juiz voltou a sua função normalmente, mesmo a advogada pedindo uma hora pra que o casal pudesse ver Wendy, o juiz do caso, Alfred Montana, negou imediatamente alegando que só traria falsas expectativas para a criança.

E quando Carla ficou sabendo da decisão do juiz, Carla se sentiu mal vindo a desmaiar nos braços de Daniel.

Ele, como era médico, deitou Carla na cama e verificou seus sinais vitais e logo constatou uma pequena subida de pressão.

Daniel lhe deu medicação, cuidando da esposa com todo amor e carinho.

Carla abraçou fortemente o marido ao desperta-se, grata a Deus por tê-lo em sua vida.

A advogada, que já era experiente em causas de adoção, entrou com um novo pedido no outro dia, alegando que a distância entre eles, só causaria ainda mais sofrimento para Wendy e para o casal.

E com esse novo pedido, o juíz aceitou, e Carla e Daniel foram liberados para visitar Wendy uma vez na semana por uma hora.

Quando receberam a notícia, houve muita vibração de felicidade, afinal, já era muitos dias sem ver a pequena.

Quando Wendy avistou eles entrarem pela porta da sala de dança do orfanato, a menina correu com passos rápidos, quase caindo..

-- Minha pequena! - Carla a envolve em seus braços com amor, -- eu estava com muita saudade, -- Carla argumentou beijando a cabeça da menina..

-- Querida, eu estava com muita saudades -- exclamou Daniel emocionado, ao se juntar a Wendy e Carla.

Eles conversaram, dando várias risadas e Daniel até brincou com Wendy de aviãozinho..

O momento era de alegria e felicidade..

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Comments

joana Almeida lima

joana Almeida lima

Tinha que contar a verdade , que alguém da família dela não deixou ela ser adotada pra que ela não fique com raiva de Carla e Daniel pensando que não a querem mais. E esses parentes, se querem ficar com ela porque ainda não vieram buscar então?

2025-01-01

2

Roseli Santos

Roseli Santos

de onde surgiu esse parente nunca foi a atrás da menina agora qu ela ia ser adotada se achou no direito de aparecer

2024-12-31

0

Helena

Helena

nosssssa.coracao fica apertado.ela é muito ipequena,inocente e não entende pq não foram.a saudade machuca.

2025-01-08

0

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