Capítulo 3

Carla chegou em casa se sentindo mais infeliz do que antes, apesar do sol brilhar no céu, sua vida era uma tempestade constante e tudo parecia estar desmoronando ao seu redor. Ao entrar no quarto, encontrou Daniel saindo do banheiro.

-- Bom dia, meu amor - ele cheirou levemente os cabelos dela, beijando os seus lábios em seguida.

-- Bom dia, amor. Chegou agora do trabalho? - Carla perguntou, tentando esconder a tristeza em seu olhar.

-- Sim, teve um acidente grave na estrada e várias pessoas ficaram feridas. Infelizmente, duas delas faleceram e as outras estão na UTI - disse Daniel com pesar na voz.

-- Sinto muito, querido. Sei que fica muito triste com a perda dos seus pacientes, mas essa é a vida - Carla disse, abraçando-o.

O casal se beijou apaixonadamente, mas a tristeza ainda pairava no ar. Carla se afastou de Daniel, que logo percebeu a situação.

-- Carla, eu te amo muito.. Não se afasta de mim, por favor - ele pediu, abraçando-a novamente.

Carla desabou nos braços de Daniel, soluçando de dor.

-- Porque, porque nós não temos nosso bebê? Eu sempre desejei ser mãe, mas nunca imaginei que ia ser assim - desabafou ela.

Daniel procurou palavras de conforto, mas nada parecia amenizar a dor de Carla.

-- Me desculpa, Daniel, eu falhei contigo. Talvez seja melhor seguirmos caminhos diferentes. Você sonha em ser pai, mas infelizmente não posso te dar o que tanto deseja - ela tentava se soltar do abraço dele.

Daniel segurou Carla com mais força, com medo de perdê-la.

-- Não fala isso, apenas me abraça forte. Eu te amo, Carla - disse ele, beijando-a com ternura.

O casal se abraçou e se beijou, encontrando um pouco de conforto um no outro. Enquanto isso, no orfanato, Wendy corria pelo jardim em busca dos amigos.

Ela os encontrou plantando árvores com a tia Flora, uma mulher gentil que nutria um carinho especial por Wendy. Flora sonhava em adotar a menina, mas seu marido não permitia.

Flora ajudava as crianças do orfanato a ler e escrever, espalhando amor e educação por onde passava. Wendy sorriu ao se juntar aos amigos na tarefa de plantar árvores..

Uma hora depois, a tia Flora levou as crianças para dentro do orfanato, e o sorriso radiante que havia nos lábios de Wendy se dissipou ao sentir novamente a tristeza que aquele lugar transmitia a ela.

Wendy era bem tratada por toda a equipe do orfanato que com amor e carinho cuidavam dela e de mais vinte e três crianças que foram abandonadas.

Aquele imenso portão de ferro, trazia a memória da pequena Wendy das vezes que escutou choros de crianças, crianças abandonadas, assim como ela, na porta do orfanato..

-- Crianças, agora quero que subam para o quarto e tomem banho. Daqui a pouco será servido o almoço.

As crianças ficam eufóricas subindo rápido as escadas.

A mulher de olhos castanhos claros, fitou seu olhar curioso em Wendy que relutantemente não quis subir ao quarto..

-- Wendy, porque está com essa carinha de triste? Não fica assim, minha florzinha..

Flora se abaixa ao alcance de Wendy e apertar levemente as bochechas da criança.

-- Tia Flora, será que ainda vou conseguir ter uma família?

Flora fica por um momento paralisada pela interrogação. As duas se olhavam fixamente naquele instante que parecia uma eternidade.

-- Querida, algumas coisas as vezes demoram, mas isso não quer dizer que não vai conseguir. Sei que deseja muito ter uma família, mas tudo tem um tempo determinado. Acredito que no próximo natal, você estará nos braços da sua futura mãe, sorrindo e se divertindo com sua família. Apenas espere e peça ao papai do céu que lhe conceda essa benção.

Flora enxuga as lágrimas que caíram nos cantos dos olhos.

-- Não chora tia Flora, eu vou pedir ao papai do céu para me abençoar com uma família.

As duas se abraçam emocionadas e Wendy sobe para ir ao quarto.

Na casa da família Jones, Daniel olhava para Carla que dormia nos seus braços em cima da cama. Cuidadosamente, ele repousou a cabeça dela sobre o travesseiro saindo vagarosamente para não acorda-la.

Daniel se serviu de um copo d'água enquanto observava a esposa dormindo após uma intensa crise de choro..

Ali, paralisado em frente a cama, o jovem médico deixou escapar uma lágrima solitária ao ver Carla naquela situação.

Daniel respirou fundo e enxugou a lágrima. Sabia que a dor de Carla era profunda e que ele precisava ser forte por ambos. A impossibilidade de ter filhos biológicos era uma sombra que pairava sobre o casamento deles, escurecendo os dias ensolarados e amplificando as tempestades. Ele pensou em todas as opções que haviam tentado, tratamentos, consultas, exames... e a frustração que se seguia a cada tentativa falha..

Ele se aproximou da cama e acariciou os cabelos de Carla levemente enquanto pensava no dia que os dois se casaram.

Enquanto isso, no orfanato, Wendy, após o banho, desceu para o almoço com os outros. A conversa com a tia Flora havia acalmado seu coração, mas a tristeza ainda persistia como um nó na garganta. Ela se sentou à mesa, empurrando a comida no prato com o garfo, sem muita vontade de comer. Seus olhos percorriam o refeitório, observando as outras crianças. Algumas riam, outras conversavam animadamente, mas Wendy sentia-se distante, isolada em sua própria angústia. Ela fechou os olhos por um instante, apertando as mãos e sussurrando uma prece silenciosa: "Papai do céu, a tia Flora disse que o Senhor pode me dar uma família. Por favor, me ouça."

Wendy apertava seus pequenos olhinhos enquanto fazia uma pequena oração.

Robert, curioso, a olhou com surpresa.

-- Wendy, caiu alguma coisa no seu olho? - Ele pergunta preocupado.

Wendy abriu os olhos e respondeu rapidamente ao amigo: -- Robert, vamos comer para brincar com o jogo da memória que a tia Maya comprou?

Ela rapidamente fez Robert esquecer a pergunta.

Quando Carla abriu os olhos, já era de tarde.. Ela se sentia um pouco melhor após o sono, mas a tristeza ainda a acompanhava como uma sombra. Viu Daniel sentado ao seu lado, segurando sua mão. Ele sorriu e a beijou na testa.

- Como você está, meu amor?

- Um pouco melhor - respondeu Carla com a voz rouca.

- Eu estava pensando... Daniel começou hesitante -- Talvez seja a hora de conversarmos sobre a adoção.

Carla virou o rosto, encarando marido, com surpresa. A palavra "adoção" sempre incomodava Daniel, mas dessa vez, a mesma partiu da boca dele..

- Me conta mais - disse Carla, sua voz ainda fraca, mas com um toque de curiosidade..

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Comments

maria

maria

aí que bom daniel.que vc está abrindo o seu coração para adotar uma estrelinha

2025-01-29

0

Helena

Helena

o coração fica quebrado.mas a autora vai resolver a tristeza das duas.

2025-01-08

0

Helena

Helena

tenha fé lindinha.papai do céu vai te ouvir sim.

2025-01-08

0

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