Alguns dias se passaram, e já era vinte e três de dezembro, dia do evento no orfanato, Daniel e Carla foram também para ver Wendy.
Seria o primeiro encontro de Daniel com a menina.
O frio na barriga acompanhou Carla durante todo o trajeto. Daniel, ao seu lado, apertava sua mão com força, tentando disfarçar a própria ansiedade. A paisagem passava como um borrão pela janela do carro. A cada quilômetro percorrido, a expectativa crescia, transformando-se em uma mistura de nervosismo e alegria. Finalmente, chegaram ao orfanato. O prédio, com suas paredes pintadas, parecia acolhedor apesar da seriedade inerente ao local.
Assim que entraram, foram recebidos pela diretora Maya, uma mulher de rosto bondoso e olhar sereno. Após uma breve conversa, ela os conduziu até uma pequena sala de brinquedos, onde Wendy estava brincando com algumas bonecas.
O coração de Daniel disparou. Wendy era ainda mais encantadora do que nas fotos que Carla havia lhe mostrado, fotos enviadas pela diretora Maya. Seus cabelos castanhos, presos em duas marias-chiquinhas, emolduravam um rosto delicado, com olhos grandes e expressivos. Ela cantarolava baixinho enquanto arrumava um chá de bonecas, alheia à presença dos dois.
Carla se aproximou devagar, agachando-se ao lado da menina. — Oi, Wendy — disse suavemente. — Lembra de mim?
Wendy a olhou com curiosidade, seus olhos brilhando. Um sorriso tímido surgiu em seus lábios. — Tia Carla!
Carla a abraçou com carinho, sentindo uma onda de emoção tomar conta de si. Daniel, ainda parado à porta, observava a cena com os olhos marejados. A diretora, percebendo sua hesitação, o incentivou com um gesto discreto.
Ele se aproximou lentamente, ajoelhando-se ao lado de Carla e Wendy. — Oi, Wendy — disse com a voz embargada. — Meu nome é Daniel, e eu sou o marido da tia Carla.
Wendy o encarou por alguns instantes, analisando-o com seus olhinhos curiosos. Então, um sorriso largo iluminou seu rosto. — Você é o tio Daniel! — exclamou, estendendo os bracinhos em sua direção.
Daniel a envolveu em um abraço apertado, sentindo um amor incondicional invadir seu ser. Naquele momento, todas as dúvidas, todas as incertezas, desapareceram. Ele sabia, com absoluta certeza, que Wendy era a peça que faltava em suas vidas.
Passaram a tarde brincando com Wendy, construindo castelos de blocos, desenhando e contando histórias. O tempo voou. A alegria e a espontaneidade da menina contagiaram a todos. A cada sorriso, a cada abraço, a esperança de tê-la em seu lar se fortalecia. A burocracia do processo de adoção ainda era uma realidade, mas, naquele instante, nada mais importava. Eles estavam juntos, como uma família, e isso era tudo o que importava.
No final da tarde, o evento de natal realizou-se com muita alegria e emoção. Todas as crianças receberam os seus presentes e o casal presenteou Wendy com um lindo ‘kit’ de bonecas que ela amou. Carla havia recebido dias anteriores, a cartinha de Robert , amigo de Wendy, que nas poucas linhas escritas, ele pedia de presente um lindo caminhão de bombeiro.
Carla entregou com emoção o presente de Robert que ficou muito feliz.
Ao se despedirem, Daniel e Carla prometeram voltar logo. Wendy, agarrada às suas mãos, os olhava com os olhos cheios de expectativa e carinho. Aquele adeus, apesar de breve, reforçou a certeza de que em breve estariam juntos, para sempre. E, enquanto se afastavam do orfanato, Daniel e Carla carregavam consigo a imagem de Wendy, gravada em seus corações, como uma promessa de felicidade..
-- Ela é linda, meu amor. - Daniel exclamou emocionado.
-- Sim, Wendy é linda e muito especial.
-- Agora eu entendo porque você queria tanto adota-la.
Carla sorriu gentilmente.
-- Ela é a nossa filha, amor. -- Carla falou dirigindo o carro.
Daniel concordou, ainda emocionado com o encontro. A imagem de Wendy, com seus olhinhos brilhantes e sorriso contagiante, estava gravada em sua mente. — Sim, ela é. E mal posso esperar para trazê-la para casa.
O caminho de volta foi preenchido por um silêncio confortável, pontuado por breves comentários sobre a tarde que haviam passado com Wendy. Daniel falava sobre como ela era inteligente e curiosa, sobre como seus risos eram a melodia mais doce que ele já havia ouvido. Carla, por sua vez, contava como a menina havia se apegado a ele rapidamente, como se já o conhecesse a muito tempo.
— A advogada me ligou hoje mais cedo — Carla comentou, quebrando o silêncio. — Disse que o processo está andando bem, mais rápido do que o esperado.
— Sério? — Daniel perguntou, os olhos brilhando de esperança.
— Sim! Ela disse que é possível que tenhamos a guarda definitiva de Wendy dentro de alguns meses.
A notícia inundou o carro com uma onda de alegria e alívio. A espera ainda não havia terminado, mas a linha de chegada estava próxima, mais próxima do que jamais imaginaram.
— Temos que começar a preparar o quarto dela pra valer — Daniel falou, animado. — Comprar a cama, as roupinhas, os brinquedos…
— E finalmente colocar aquelas estrelinhas que brilham no escuro no teto — Carla completou, sorrindo. — Ela vai adorar.
Nos dias que se seguiram, a preparação do quarto de Wendy se tornou o foco principal do casal. Cada detalhe era escolhido com carinho e cuidado, pensando no conforto e na felicidade da filha. As paredes ganharam a tonalidade azul-claro que haviam escolhido, e as estrelinhas, cuidadosamente coladas no teto, formavam um céu estrelado particular.
A cada objeto colocado no quarto, a presença de Wendy se tornava mais palpável, mais real. A casa, antes silenciosa, parecia vibrar com a expectativa da chegada da nova moradora. A cada dia que passava, a certeza de que em breve estariam juntos, como uma família completa, se tornava mais forte, aquecendo os corações de Daniel e Carla com a chama da esperança e do amor. A espera ainda existia, mas agora, tinha o sabor doce da promessa de um final feliz..
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Dulce Gama
tô muito feliz autora de vê que vc tá mostrando que neste mundo tem gente de bom coração parabéns ❤️❤️❤️❤️❤️🌟🌟🌟🌟🌟
2024-12-31
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Helena
ah autora,que capitulo emocionante.serao uma família linda e perfeita.amor multiplicado.
2025-01-08
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maria
eles podiam levar ela para passar o natal e de quebra adotar o roberto
2025-01-30
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