Capítulo 5

Wendy mordeu o lábio inferior, e seus lindos olhos castanhos estavam marejados . Um tremor sutil percorreu seu pequeno corpo. Carla se aproximou mais, agachando-se para ficar à sua altura. A expressão no rosto da menina era um misto de tristeza e resignação, como se carregasse um peso invisível.

— É que… — Wendy começou, mas sua voz saiu embargada. — As outras crianças… elas têm esperança. Escrevem cartas, acreditando que é possível receberem aquilo que elas pedem, mas eu... -- Wendy parou suas palavras por um momento, mas logo acrescentou.. -- Eu não acredito mas nisso, todo o Natal, desde que aprendi escrever, faço cartinhas pedindo uma família de presente..Mas sempre sou a única que nunca recebi o que peço, por isso, esse Natal não escrevi carta..

Uma lágrima solitária escorreu pela bochecha da menina. Carla estendeu a mão, um pouco hesitante, e gentilmente enxugou a lágrima com a ponta do dedo. O toque pareceu confortar Wendy, que ergueu o olhar para Carla, buscando algum tipo de consolo. Havia uma conexão profunda e inexplicável entre elas, como se um fio invisível as unisse.

— Oh, querida… — Carla sussurrou, com uma dor apertando seu coração. A dor da menina a atingiu em cheio, despertando nela uma compaixão imensa. — Eu sinto muito.

— Eu não lembro dos meus pais. — Wendy continuou, sua voz era baixa e trêmula. — A diretora Maya disse que alguém me deixou aqui quando eu era muito pequena. Às vezes, eu tento imaginar como era minha mãe e meu pai mas… não consigo.

Carla respirou fundo, procurando as palavras certas. Queria dizer algo que confortasse a menina, mas as palavras pareciam insuficientes diante de tanta dor.

— Wendy, — Carla começou, segurando as pequenas mãos da menina entre as suas. — Estar aqui não significa que ninguém te ama. Existem muitas pessoas boas no mundo, dispostas a amar e cuidar de você.. Não fique triste, eu , eu também...

Carla começa a chorar. Rapidamente, as pequenas mãos de Wendy tentam alcançar a cintura de Carla tentando abraça-la.

-- Não chora, você fica feia chorando.

Carla olha para a pequena com o rosto molhado e Wendy abre os lábios num sorriso radiante, era como um raio de sol rompendo as nuvens densas que assolavam a vida de Carla.

— Eu estou aqui hoje para um evento especial, sabia? — Carla disse enxugando as lágrimas, tentando mudar o foco da conversa. — As crianças escreveram cartas, e eu vim ajudar a realizar o pedido de uma delas. Quem sabe, se você escrever uma pequena cartinha, seu pedido pode ser realizado, Wendy?

A menina alargou o sorriso e disse para Carla:

— Eu vou escrever a minha cartinha.. Você pode ficar com ela e realizar o meu pedido?

Carla sentiu um aperto no peito. A inocência e a vulnerabilidade de Wendy a comoviam profundamente. Ela então, abraçou a menina, envolvendo-a num abraço apertado e cheio de carinho.

— Não precisa de uma carta, Wendy. — Carla disse, com a voz embargada pela emoção. — O importante é nunca perder a esperança. E eu prometo que você vai conseguir realizar seu sonho. Agora preciso que vá brincar com as outras crianças, eu vou descer para conversar com a diretora Maya.

Wendy assentiu balançando a cabeça se sentiu um pouco alegre após a conversa com Carla, e começando a andar em direção a porta, inesperadamente, ela voltou até Carla e deu um beijo em sua bochecha correndo logo em seguida.

Carla deu sorriso bobo com a atitude carinhosa da menina.

Ela retornou para sala de reuniões, aonde já tinha muitas pessoas, ela sentou-se na última cadeira disponível.

Na reunião, a diretora Maya deu seu sermão e falou sobre as bem-aventuranças.. Depois da longa conversa, cada família recebeu uma cartinha com os pedidos das crianças. E Carla ao abrir a cartinha, se surpreendeu com o pedido ali escrito em poucas linhas.

Ela mais uma vez ficou emocionada..

A diretora do orfanato explicou detalhadamente como seria a entrega dos presentes, e de como a presença deles era essencial para as crianças.

Após o encerramento, Carla procurou a diretora Maya para uma conversa.

-- Com licença, diretora. Sei que é muito ocupada, mas eu queria conversar com a senhora em particular.

Maya educamente concordou em conversar com Carla.

Já na sala de Maya, ela ofereceu uma xícara de café para Carla que educadamente recusou.

-- O que deseja falar? - Maya pergunta endireitando seu olhar para a mulher a sua frente.

-- Diretora, eu quero adotar uma criança aqui do orfanato.

Carla disse diretamente.

-- Isso é louvável senhora Jones, mas é muito importante falar que para adoção nesse país, é necessário uma espera. A senhora precisará preencher uma ficha, passar por entrevistas, visitas domiciliares e avaliações psicológicas.

Também é necessário que participe de um treinamento pré-adotivo.

Carla suspirou profundamente enquanto ouvia as palavras da diretora Maya. Ela sabia que o processo de adoção era burocrático e demorado, mas estava preparada para enfrentar todos os obstáculos em seu caminho. Com determinação nos olhos, ela disse com firmeza:

-- Diretora Maya, eu estou ciente das exigências do processo de adoção no nosso país e estou pronta para seguir em frente. Eu quero dar um lar para uma criança desse orfanato. Já quero logo afirmar para senhora, que quero adotar a pequena Wendy.

Maya arregalou os olhos surpresa.

-- Você gostou de Wendy? Infelizmente, a adoção é um longo caminho a seguir, sugiro que a senhora procure um advogado para melhor esclarecer todas as suas dúvidas e também dizer o que vai precisar para senhora começar o processo de adoção.

-- Sim, vou procurar um advogado assim que sair daqui. Com um sorriso esperançoso nos lábios, Carla respondeu à diretora Maya com confiança. Ela já havia feito pesquisas sobre o processo de adoção e sabia que levaria tempo. Mas ela também sabia que valeria a pena esperar por Wendy..

A decisão de adotar Wendy foi tomada com convicção. Carla sabia que precisava enfrentar os desafios burocráticos e as incertezas do processo de adoção.

Com coragem e determinação, ela procurou um escritório de advogacia experiente nessa área e iniciou todas as etapas necessárias para realizar seu sonho de ter Wendy como filha..

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Comments

Josigg Gomes Galdino

Josigg Gomes Galdino

Ela devia ter falado com o Daniel antes , talvez ele não goste dessa atitude dela,sem falar com ele, já que ele não queria adotar, só aceitou ,por causa da carla

2025-02-18

1

Magna Regina

Magna Regina

eu falei ele traiu ela é engravidou outra e agora diz que vai adotar magista

2025-03-18

0

Helena

Helena

ela foi rápida,o amor dela foi a primeira vista.mas e o marido da Carla??

2025-01-08

0

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