A leveza da noite na varanda ficou marcada na sua mente. Era raro encontrar um momento em que tudo parecia perfeitamente alinhado, mesmo com as complexidades de viver sob o mesmo teto com tantas personalidades e dinâmicas diferentes. Mas a vida na casa, apesar de tranquila na superfície, tinha suas camadas que precisavam ser exploradas.
No dia seguinte, enquanto você preparava o café da manhã, Laura entrou na cozinha com um ar sonolento, vestindo um moletom que claramente pertencia a Paula. Ela encostou na bancada, observando você mexer no café.
— Acordou cedo hoje, hein? — você comentou, entregando uma caneca para ela.
Laura deu um meio sorriso e aceitou o café.
— Não consegui dormir muito. Estava pensando em algumas coisas...
Você ergueu uma sobrancelha, já antecipando que vinha algo mais profundo.
— Algo sobre você e Paula?
Laura suspirou, levando a caneca aos lábios.
— Sim e não. A gente está bem, sabe? Melhor do que eu imaginava, na verdade. Mas acho que, agora que demos esse passo, estou começando a questionar outras coisas na minha vida.
Você sentiu que Laura precisava de espaço para se abrir, então apenas assentiu, incentivando-a a continuar.
— Eu sempre fui alguém que evitava complicações. Relacionamentos, decisões difíceis, qualquer coisa que pudesse me fazer sentir... presa, de alguma forma. Mas com a Paula, tudo parece diferente. Eu quero que dê certo, mas, ao mesmo tempo, isso me assusta.
Você colocou uma mão reconfortante no ombro dela.
— É normal sentir isso, Laura. Amar alguém é sempre um risco, mas também é uma escolha. Se você está disposta a enfrentar seus medos, já está no caminho certo.
Laura sorriu levemente, como se suas palavras tivessem trazido algum conforto.
— Acho que você tem razão. E eu sei que a Paula é alguém por quem vale a pena correr esse risco.
O momento foi interrompido pelo som de passos na escada. Paula apareceu na cozinha, com um sorriso preguiçoso no rosto.
— Bom dia, vocês duas. Planejando algo sem mim?
Laura riu e se aproximou de Paula, entregando a caneca de café que estava segurando.
— Apenas discutindo como eu tenho sorte de ter você.
Paula piscou para ela, visivelmente animada com o comentário.
— Ah, sim, disso eu já sabia.
Você rolou os olhos, mas sorriu.
— Ok, casais felizes, me deixem terminar o café antes de começarem com essas declarações públicas.
Todos riram, e o clima leve voltou.
A Tarde
Mais tarde, você e Pablo decidiram dar uma volta no parque. Era raro vocês terem tempo só para vocês dois, longe da agitação da casa. Caminhando lado a lado, ele segurou sua mão, entrelaçando os dedos nos seus.
— Como você está se sentindo com tudo isso? — ele perguntou, olhando para você com curiosidade.
Você pensou por um momento antes de responder.
— Eu acho que estamos todos crescendo muito juntos. É bonito de ver, mas, às vezes, também é assustador. Tem dias em que eu sinto que estamos vivendo em um microcosmo, e outros em que parece que isso tudo vai explodir.
Pablo sorriu, apertando sua mão.
— Faz sentido. Mas acho que o que vocês têm, todas vocês, é especial. Não é todo mundo que consegue equilibrar amizade e amor assim.
Você parou de caminhar, olhando para ele com um sorriso.
— E você? Como está lidando com tudo isso?
Ele deu de ombros, mas havia sinceridade em seus olhos.
— Estou feliz por você, por todos vocês. Às vezes, eu me pergunto se consigo acompanhar o ritmo, mas no final das contas, eu sei que o que temos é real.
Você sentiu uma onda de calor no peito. A simplicidade e a honestidade de Pablo eram algo que você sempre valorizou.
— Eu também sinto isso. Obrigada por estar aqui comigo.
Ele sorriu e, sem dizer nada, puxou você para um abraço.
À Noite
De volta à casa, o clima estava mais agitado. Natacha e Pedro estavam discutindo sobre qual filme assistir, enquanto Paula e Laura cozinhavam algo juntas. Era um daqueles momentos em que o caos parecia perfeito, em que cada um tinha seu lugar e, ao mesmo tempo, todos estavam juntos.
Enquanto observava a cena, sentiu uma paz estranha, como se estivesse exatamente onde deveria estar.
E, enquanto a noite avançava, você percebeu algo importante: a vida naquela casa não era perfeita, mas era real. E, no final das contas, era isso que tornava tudo tão especial.
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Atualizado até capítulo 63
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