As semanas passaram, e a casa parecia respirar como um organismo vivo, pulsando com risos, conversas, momentos de silêncio e introspecção. A dinâmica entre todas vocês estava se transformando a cada dia, mas o mais interessante era ver como os sentimentos de Paula e Laura estavam se desenvolvendo, com muito mais profundidade do que se imaginava no começo. Às vezes, as coisas que eram ditas e não ditas falavam mais alto do que qualquer conversa.
Em um domingo de manhã, o clima em casa estava descontraído. O café estava pronto, e o cheiro do pão quente invadia a cozinha. Você estava preparando a mesa quando Natacha entrou, com seu jeito calmo e observador, sempre atenta às pequenas mudanças.
— Como você está se sentindo hoje? — Ela perguntou, pegando uma xícara e se sentando à mesa.
Você deu um sorriso suave e suspirou, ainda refletindo sobre as últimas conversas.
— Eu estou bem, acho que todos estamos começando a entender as coisas do nosso jeito. Paula e Laura estão mais abertas, mas também mais vulneráveis. E, de alguma forma, isso está deixando o ambiente em casa ainda mais intenso, mas de uma maneira boa.
Natacha assentiu, já com a percepção afiada que a caracterizava.
— Elas são muito diferentes, né? Paula é impulsiva, fala o que sente sem filtro, e Laura é mais reservada, mas de um jeito tão carinhoso e calmo. Mas eu vejo que a Paula está aprendendo a ser mais paciente, a pensar antes de agir. E a Laura, bom, a Laura está crescendo em um ritmo mais tranquilo, mas eu acho que ela tem muito mais sentimentos do que deixar transparecer.
Você concordou com a cabeça, percebendo que, ao longo dessas últimas semanas, tanto Paula quanto Laura estavam se transformando, de maneira individual e também como casal. E, ao observar isso, você sentia que algo dentro de você também estava mudando, como se as peças do quebra-cabeça estivessem se encaixando de maneira mais clara.
Antes que você pudesse continuar a conversa, um barulho de passos veio da escada. Paula apareceu, com um sorriso um pouco tímido no rosto.
— Bom dia, — ela disse, parecendo um pouco mais leve do que nas últimas semanas. Sua expressão parecia mais tranquila, mais aberta.
— Bom dia, Paula! — Você respondeu, sorrindo enquanto a observava. Sabia que ela estava passando por um processo de auto descoberta.
Laura apareceu logo em seguida, com um sorriso mais envergonhado, como sempre. Ela se aproximou de Paula, deu-lhe um beijo rápido na bochecha e se sentou à mesa.
— Então, o que temos para o café da manhã hoje? — Laura perguntou, tentando descontrair o clima que parecia tão denso nos últimos dias.
Você sorriu, sabendo que as duas estavam dando espaço para um novo tipo de conversa, mais leve, mas ainda com uma certa profundidade que ambas estavam começando a explorar.
Enquanto o café da manhã acontecia, as conversas fluíam com naturalidade. Paula e Laura estavam mais relaxadas, e o desconforto que existia há algum tempo começava a diminuir. Cada uma estava aprendendo mais sobre a outra e, ao mesmo tempo, sobre si mesma.
Mas, como em toda relação, havia momentos de dúvida que não podiam ser ignorados.
No fim da tarde, depois de um passeio pelo parque, as quatro voltaram para casa, cansadas, mas satisfeitas. Paula estava mais quieta e, ao entrar, foi direto para o sofá, deitando-se. Laura a seguiu, se sentando ao lado dela e acariciando seu cabelo com um gesto cuidadoso.
Você observou a cena com um sorriso discreto, sentindo o peso das palavras que tinham sido ditas naquela manhã.
Natacha, que estava do seu lado, também observava. Ela parecia querer falar algo, mas hesitava.
— Está tudo bem, Natacha? — Você perguntou, sabendo que, quando ela estava pensativa, algo estava prestes a ser dito.
Natacha olhou para você, seu olhar buscando algum tipo de compreensão.
— Eu sinto que as coisas estão muito intensas entre nós, não é? — Ela falou, de forma baixa, como se estivesse tentando decifrar a situação em sua mente. — Paula e Laura estão ótimas, mas sei que as duas têm seus medos, suas inseguranças. E eu não sei se a gente está preparado para lidar com tudo isso... as expectativas, os sentimentos... não sei.
Você tocou o ombro dela, sentindo o peso do que estava sendo dito.
— Eu sei. Eu também tenho esses momentos de dúvida, mas acho que o que importa agora é dar espaço para que todas as coisas se desenrolem naturalmente. Paula e Laura têm a sua própria maneira de viver essa relação, assim como a gente. Não podemos forçar nada.
Natacha encostou no sofá, parecendo mais relaxada após a conversa.
— Você está certa. Às vezes, a gente precisa só deixar as coisas fluírem. Não podemos controlar tudo. Mas é difícil não querer ajudar.
Você sorriu, reconhecendo o dilema que Natacha enfrentava. A preocupação dela com Paula era visível, mas também era claro que ela sabia respeitar os tempos e os espaços da amiga.
Enquanto todas estavam reunidas na sala, o ambiente parecia tranquilo, mas carregado de possibilidades. Cada uma tinha suas próprias dúvidas e medos, mas, ao mesmo tempo, o que mais as unia era o entendimento de que, no final das contas, estariam sempre ali umas para as outras.
O que o futuro traria, ninguém sabia ao certo. O mais importante era que, juntos, estavam criando uma história, uma jornada feita de pequenos passos, sinceridade e, principalmente, o respeito pelos sentimentos uns dos outros.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 63
Comments