A manhã seguinte chegou com um brilho suave, os raios do sol atravessando as janelas, iluminando cada canto da casa. O clima estava mais leve, como se, de alguma forma, o peso das incertezas tivesse se dissipado após aquela noite. Paula e Laura estavam mais tranquilas, embora o brilho nos olhos delas mostrasse que algo estava mudando — e isso estava mais do que claro para todos.
Você estava na cozinha, preparando o café da manhã, quando Paula entrou. Ela estava com o cabelo ainda desarrumado, os olhos um pouco mais vermelhos, como se a noite tivesse sido agitada de uma forma boa. Sem dizer uma palavra, ela se sentou ao lado de você e sorriu, aquele sorriso que sempre tinha algo tímido, mas que agora parecia mais livre, mais autêntico.
— Eu falei com a Laura sobre tudo ontem, — Paula começou, pegando uma xícara de café. — E, sabe, nunca imaginei que seria assim. Eu estava com tanto medo... mas depois que a gente se abriu, parece que tudo ficou mais claro. Como se as coisas finalmente tivessem feito sentido.
Você olhou para ela, sorrindo de volta.
— Eu sabia que seria assim, Paula. Às vezes, o medo é o que nos impede de dar o passo, mas quando a gente se permite ser vulnerável, as coisas tendem a se alinhar. Eu só fico feliz que você tenha encontrado alguém com quem possa ser você mesma.
Paula assentiu, pegando uma fatia de pão e dando uma mordida, ainda com aquele sorriso no rosto.
— Eu sei. Laura me mostrou que não é preciso ter todas as respostas. Às vezes, a gente só precisa se entregar ao que está no nosso coração.
Enquanto isso, Natacha estava no sofá da sala, mexendo no celular, com um olhar distraído. Mas seu semblante mudou assim que você entrou na sala, seguida por Paula. Ela viu a expressão radiante da amiga e, com uma risada baixa, perguntou:
— Então, como foi a conversa de ontem? Já não basta estar super ansiosa a semana inteira para saber como seria o “momento”?
Paula corou um pouco, mas não se importou. Sente-se confortável com Natacha ao ponto de rir da situação.
— Eu acho que tudo o que eu senti foi só medo mesmo. Mas agora... está tudo bem.
Natacha sorriu com um brilho no olhar, já sabendo que o futuro de Paula e Laura, apesar de incerto, era algo que poderia ser compartilhado com liberdade. Ela tinha visto esse momento se aproximando, mas ainda assim o tinha aguardado ansiosamente, com uma ponta de orgulho pela amiga.
— A vida é bem engraçada, né? — Natacha comentou, olhando para a cena com um sorriso sincero. — Agora vocês duas têm esse caminho para seguir. E não importa o que aconteça, vocês terão apoio. Porque somos todas um time.
O tempo passou e as semanas se seguiram com mais encontros, mais conversas e mais descobertas. Paula e Laura se aprofundaram em seu relacionamento de forma natural, com as duas se permitindo crescer juntas e, ao mesmo tempo, respeitar o espaço e as individualidades que cada uma possuía. Muitas vezes, você e Natacha as viam trocando olhares cúmplices, e a energia ao redor delas parecia mais leve, mais intensa.
A casa, que sempre foi um refúgio para todas vocês, agora se tornava também um ponto de encontro, onde os sentimentos não eram mais abafados e onde os desafios de cada uma podiam ser compartilhados sem medo.
Num sábado à tarde, as quatro estavam na varanda, tomando um pouco de sol e rindo de piadas antigas. Laura estava recostada na cadeira de vime, com um livro na mão, mas seus olhos não conseguiam ficar longe de Paula. Ela, por sua vez, estava brincando com o cabelo de Laura, os dois sorrindo de um jeito que transbordava cumplicidade.
Você e Natacha estavam sentadas mais distantes, observando o cenário, mas ao mesmo tempo sentindo o calor das conexões que estavam sendo feitas.
— Às vezes, a gente fica pensando no quanto a vida pode ser simples quando a gente permite que as coisas aconteçam. — Natacha comentou, olhando para a cena à sua frente.
Você sorriu e concordou.
— Sim, às vezes somos nós mesmos que complicamos, né? Eu vejo o quanto Paula e Laura cresceram juntas e, ao mesmo tempo, o quanto as outras amizades aqui também evoluíram.
Natacha assentiu, o olhar dela agora mais suave.
— Eu vejo. Eu e você, Aline, temos nossas próprias histórias, mas sempre fomos uma base para as outras. E, agora, isso só faz mais sentido.
O tempo passou rápido, mas a profundidade das conexões de todas na casa aumentou a cada dia. Não era apenas sobre romance ou amizade. Era sobre as trocas de emoções, a liberdade de ser quem você era, sem esconder nada.
E, conforme o verão dava lugar ao outono, a sensação de que o que todas haviam construído ali era único, e que a vida só ficaria mais rica, mais complexa, mais cheia de surpresas, só aumentava. Cada uma com seus desafios, com seus medos, mas todas com a certeza de que poderiam enfrentar o que fosse, com o apoio daquelas que estavam ao seu lado.
E, quem sabe o que o futuro reservava? Mas uma coisa era certa: o futuro delas, de todas, começava a ser escrito a partir daquele momento. E era um futuro construído sobre confiança, amizade, e, acima de tudo, amor.
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Atualizado até capítulo 63
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