As semanas seguintes passaram com um ritmo calmo e reconfortante. A conexão entre todos estava ainda mais sólida. Paula e Laura continuaram a explorar seus sentimentos, mas, ao contrário do que poderiam imaginar, o processo estava sendo mais lento e mais cuidadoso do que qualquer um esperava. Elas estavam descobrindo como eram vulneráveis juntas, como o simples ato de se apoiar na pessoa certa podia transformar as inseguranças em confiança.
Você e Natacha, com seus próprios relacionamentos, também estavam em um caminho de introspecção. Natacha e Pedro, embora estivessem juntos há mais tempo, estavam agora se permitindo uma nova profundidade. A relação entre vocês estava mais madura, mais tranquila, mas igualmente cheia de paixão e respeito mútuo.
No entanto, você e Laura ainda mantinham uma cumplicidade única. Mesmo com todos esses desenvolvimentos, havia algo nos dois que se entrelaçava de forma especial. Às vezes, o que você mais apreciava em Laura era a capacidade dela de ser sincera, sem medo do que poderia vir à tona. Não era apenas sobre o relacionamento dela com Paula, mas sobre ela mesma e sobre tudo o que ainda estava por descobrir.
Naquela noite, depois de um longo dia, todos estavam na sala, fazendo algo que já havia se tornado uma tradição — assistir a um filme antigo, comendo pipoca e compartilhando risadas. Natacha e Paula estavam mais próximas no sofá, enquanto você estava sentada ao lado de Laura, ambas observando o filme com atenção, mas, ao mesmo tempo, sentindo-se cada vez mais conectadas em um nível que não podiam ignorar.
De repente, a cena do filme foi interrompida por um som estranho vindo da cozinha. Todos olharam para trás, curiosos, mas você já sabia o que estava acontecendo antes de qualquer outra pessoa. Laura, que estava ao seu lado, levantou-se rapidamente, indo até a cozinha. Você a seguiu sem pensar duas vezes, com a preocupação surgindo instantaneamente.
— O que aconteceu? — você perguntou, ao entrar na cozinha e encontrar Laura olhando fixamente para a geladeira aberta, como se tivesse perdido algo importante.
Laura virou-se lentamente, e seus olhos estavam brilhando, mas não de alegria.
— Eu... eu não sei como lidar com isso, Aline — ela disse, a voz baixa e trêmula. — Tem algo dentro de mim que está se misturando, algo que me faz questionar tudo. Não é só sobre a Paula, é sobre mim também, sobre quem eu sou quando estou perto dela, ou quando estou sozinha.
Você se aproximou dela e tocou seu ombro, tentando passar a calma que sempre quis transmitir.
— Eu entendo — você respondeu, suave. — Às vezes, precisamos desses momentos de confusão para entender melhor o que está em nossos corações. Mas, o mais importante é saber que você não está sozinha nisso, Laura. Seja o que for, estarei aqui para ajudar.
Ela suspirou, e o peso que ela carregava parecia começar a diminuir. Laura sempre teve essa maneira de esconder seus sentimentos, de se perder em suas próprias dúvidas. Mas, com você, ela sempre encontrava um ponto de equilíbrio, uma paz que, talvez, ela não tivesse encontrado em mais ninguém.
Enquanto você e Laura conversavam, a conversa na sala continuava, mas Paula parecia ter notado que algo estava acontecendo. Ela se levantou do sofá, indo até a cozinha para ver o que estava acontecendo.
— O que houve? — Paula perguntou com uma expressão preocupada, mas você percebeu que ela estava, na verdade, tentando esconder o nervosismo.
Laura se virou para Paula, ainda com o semblante sério, mas com um sorriso tímido nos lábios.
— Acho que estou apenas... me descobrindo, Paula. Não é fácil, mas sinto que estou mais próxima de entender tudo o que está acontecendo aqui, com você, comigo, com todos.
Paula se aproximou dela, pegando sua mão de maneira delicada. Havia algo especial na forma como elas se tratavam. Era como se cada gesto delas fosse um pacto silencioso, um entendimento mútuo de que a vulnerabilidade era, de certa forma, a maior força delas.
— Eu também tenho medo, Laura — Paula disse, com sinceridade em seus olhos. — Mas, se tem uma coisa que eu sei é que não preciso de todas as respostas agora. Podemos ir com calma. Eu vou te esperar.
Aquelas palavras, ditas com tanto carinho, foram como um alicerce para o que estava por vir. As duas estavam entendendo que a jornada delas não precisava ser rápida nem perfeita. Era só o começo de algo que poderia ser mais forte do que qualquer dúvida.
Você e Natacha assistiram à cena com uma mistura de emoções. O ambiente estava calmo, mas havia uma energia diferente no ar. Todos estavam, de alguma forma, se descobrindo e se permitindo viver as nuances de suas emoções.
Quando as duas voltaram para a sala, o clima estava mais leve. Era como se algo tivesse se resolvido entre elas, uma nova fase do relacionamento se desenrolando com delicadeza.
A noite seguiu com risos, piadas e conversas descontraídas. Mas havia uma sensação de que, de alguma forma, todos estavam mais conectados, mais abertos para o que viria. Não havia pressa, não havia urgência. Apenas o momento presente, e a certeza de que todos estavam, de fato, aprendendo uns com os outros.
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Atualizado até capítulo 63
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