O clima em casa estava mais tranquilo depois da conversa no jardim. Paula e Laura pareciam mais conectadas, mais abertas. Era como se o muro de inseguranças entre elas tivesse começado a ruir, deixando espaço para algo mais sólido crescer. Aquele momento parecia ter marcado um novo início para elas, mas também teve um impacto em todos na casa.
Você e Natacha ficaram sozinhas na cozinha depois do almoço, enquanto os outros relaxam. Natacha, com sua habilidade única de sentir o que estava por vir, começou a falar sem rodeios:
— Sabe, é engraçado como todos nós estamos crescendo juntos aqui. Não é só sobre Paula e Laura. É sobre como a gente lida com nossos próprios relacionamentos também.
Você concordou, mexendo lentamente no chá que preparava.
— Sim, acho que estamos todos aprendendo a equilibrar amizade e amor, né? Parece fácil, mas às vezes as linhas se cruzam e fica confuso.
Natacha riu, um pouco amarga.
— Total. Por exemplo, tem vezes em que eu sinto que falo mais com Paula do que com Pedro sobre as coisas que realmente me preocupam. E é louco, porque ele deveria ser meu confidente, mas talvez eu me sinta mais à vontade com ela em alguns momentos.
Isso chamou sua atenção. Você percebeu que talvez estivesse vivendo algo semelhante com Laura. Embora você e Pablo tivessem um relacionamento sólido, havia uma leveza e uma abertura em sua amizade com Laura, que muitas vezes parecia mais fácil.
— Acho que entendo o que você quer dizer. Laura e eu temos essa conexão, sabe? Às vezes, sinto que consigo falar coisas para ela que nem sempre sei como abordar com Pablo.
Natacha te olhou com curiosidade, como se estivesse tentando juntar as peças.
— E isso nunca te deixa... sei lá, com medo de que a amizade interfira no namoro?
A pergunta pairou no ar por alguns segundos. Você pensou, tentando colocar os sentimentos em palavras.
— Não exatamente. Acho que o que tenho com Laura é muito claro. A gente se entende, se apoia, mas não é algo que tire o lugar do Pablo. É como se fossem relações complementares, entende?
Natacha assentiu, mas parecia refletir profundamente.
— Sim, eu entendo. E acho que é isso que torna tudo tão especial. A gente encontrou um equilíbrio aqui que nem todo mundo tem a sorte de viver. Mas também é perigoso. Se a gente não tomar cuidado, essas dinâmicas podem virar um problema.
Você sorriu, apreciando a sinceridade dela.
— Acho que o segredo está na comunicação, Nata. Falar sobre o que incomoda, o que se assusta, e não deixar que as coisas se acumulem. Seja no amor ou na amizade, tudo desmorona sem diálogo.
Natacha parecia satisfeita com sua resposta, mas antes que ela pudesse dizer mais, Laura apareceu na porta da cozinha, carregando uma pilha de livros e um sorriso.
— Estou interrompendo algo importante?
Você balançou a cabeça.
— Não, só filosofando sobre a vida.
Laura riu e entrou, colocando os livros sobre a mesa.
— Vocês duas são as filósofas da casa. Sabiam que eu e Paula brincamos que vocês deveriam abrir um podcast?
Natacha gargalhou.
— Um podcast de dramas existenciais e conselhos amorosos, é isso?
Laura piscou.
— Exatamente.
O momento foi leve, e vocês três passaram o resto da tarde conversando. Havia algo tão natural naquela interação que era impossível não sentir que, apesar das complicações, vocês estavam no caminho certo.
Mais Tarde, Na Sala
À noite, depois do jantar, a casa estava silenciosa. Pedro havia saído para resolver algo no trabalho, e Pablo estava no telefone. Paula e Laura estavam assistindo a um filme, e você e Natacha se encontraram na varanda, observando o céu estrelado.
— Sabe, às vezes eu acho que essa casa é um microcosmo perfeito do que a vida deveria ser, — Natacha disse, apoiando-se na grade.
Você franziu a testa, curiosa.
— Como assim?
— Aqui, a gente tem tudo. Amizade verdadeira, amor, apoio mútuo... e os desafios que vêm com isso. É tipo um campo de treinamento para o mundo real.
Você riu, mas havia verdade nas palavras dela.
— Acho que é um campo de treinamento que eu não quero sair tão cedo.
Natacha sorriu, concordando.
— Nem eu.
Enquanto vocês duas contemplavam as estrelas, um som de risadas veio de dentro da casa. Era Paula e Laura brincando com algo que tinham visto no filme. Aquele som era o tipo de coisa que fazia tudo valer a pena.
O futuro ainda era incerto, mas naquele momento, o presente era mais do que suficiente.
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Atualizado até capítulo 63
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