Após um dia intenso de descobertas e emoções no cemitério, a noite em Gettysburg trouxe uma tranquilidade peculiar. O céu estava limpo, pontilhado de estrelas, e uma brisa suave acariciava nossos rostos enquanto nos preparávamos para mais uma aventura. As vozes que ouvimos durante o dia ainda ressoavam em nossas mentes, e a ideia de investigar mais sobre o passado assombrado da cidade parecia irresistível.
Depois de um jantar leve, decidimos que era hora de explorar o hotel em que estávamos hospedados. Havia rumores de que o local tinha uma história assombrada, e nós não queríamos deixar passar a oportunidade de investigar. “Talvez possamos encontrar algo interessante aqui mesmo”, sugeri, enquanto olhava para a recepção do hotel, onde uma antiga máquina de escrever estava exposta como um artefato de tempos passados.
“Isso é perfeito!” minha esposa concordou. “Quem sabe quais histórias este lugar tem a contar?”
Nosso grupo se dividiu. Enquanto minha esposa e meu filho decidiam explorar os andares superiores, eu me dirigi à biblioteca do hotel, que era pouco frequentada, mas cheia de livros sobre a história local. O cheiro de madeira antiga e papel envelhecido criava uma atmosfera de mistério.
Comecei a folhear alguns livros e descobri uma seção dedicada a relatos de experiências sobrenaturais em Gettysburg. Um dos livros chamou minha atenção: “Ecos do Passado: Relatos de Fantasmas em Gettysburg”. A cada página, as histórias de encontros e avistamentos se tornavam mais intrigantes. As experiências narradas variavam de aparições de soldados vagando pelas ruas até sussurros que ecoavam nas noites silenciosas.
Enquanto lia, minha mente vagava sobre a ideia de que essas histórias poderiam estar interligadas. “Se esses espíritos estão tentando se comunicar, o que eles realmente querem que saibamos?” pensei, sentindo que havia algo mais profundo em jogo.
Nesse momento, minha esposa e meu filho voltaram, empolgados. “Você não vai acreditar no que encontramos!” minha esposa exclamou, segurando um pequeno diário. “Este diário pertenceu a um antigo hóspede do hotel, um soldado da Guerra Civil!”
O coração disparou ao ver o objeto. “Podemos ver?” perguntei, curiosidade se apoderando de mim. Ela passou o diário para mim, e enquanto eu o folheava, percebi que as páginas estavam repletas de anotações sobre a guerra, os horrores enfrentados e as esperanças de voltar para casa.
“Olha isso!” minha esposa apontou. “Ele menciona ter visto uma figura em um dos corredores do hotel, e que sempre sentia uma presença ao seu redor.”
“Isso é incrível!” disse meu filho, seus olhos brilhando com a possibilidade de descobertas sobrenaturais. “Vamos investigar esses corredores!”
A adrenalina pulsava em nossas veias enquanto decidimos seguir as pistas deixadas pelo soldado. Começamos pelo corredor onde ele supostamente viu a figura. A atmosfera estava tensa; os sons do hotel pareciam abafados, como se o tempo estivesse parado.
Enquanto caminhávamos, notamos que as luzes piscavam levemente. “Isso é normal?” minha esposa perguntou, um pouco nervosa.
“Não, mas pode ser apenas uma falha elétrica”, respondi, tentando acalmá-la. No entanto, à medida que continuávamos, a sensação de que algo estava nos observando aumentava.
“Talvez devêssemos fazer uma gravação aqui”, sugeri, pegando meu gravador. “Se houver alguém aqui conosco, que se manifeste.”
Assim que terminamos de falar, um leve sussurro atravessou o corredor. Nossos olhares se encontraram, e o coração disparou. “Você ouviu isso?” minha esposa perguntou, a voz tremendo.
Sim, eu ouvi. Era como se uma voz distante estivesse tentando se comunicar. “Vamos ouvir a gravação”, sugeri, e rapidamente reproduzimos o que gravamos.
“Lutamos… por você… não se esqueça…” As palavras ecoaram, claras e emocionais. A carga emocional daquela frase era intensa; sentíamos que estávamos, de fato, conectados a algo maior.
“Esses soldados querem ser lembrados”, meu filho disse, com seriedade. “Precisamos contar a eles que estamos ouvindo.”
Continuamos explorando os corredores, e, em um ponto, encontramos uma sala de estar antiga, cheia de móveis que pareciam ter sido preservados ao longo dos anos. O ambiente estava envolto em uma névoa suave, quase mágica. Um velho piano estava em um canto, e a ideia de tocar uma melodia antiga surgiu.
“Você sabe tocar alguma coisa?” minha esposa perguntou, sorrindo.
“Só algumas notas”, respondi, dirigindo-me ao piano. Quando coloquei os dedos nas teclas e comecei a tocar uma melodia suave, algo inesperado aconteceu. À medida que a música flutuava pelo ar, senti uma mudança na atmosfera. As luzes começaram a piscar mais intensamente, e um frio intenso percorreu a sala.
Então, ouvi algo que me fez parar. O som de passos, mas não os nossos. Eram passos pesados, como se alguém estivesse se aproximando. A tensão na sala aumentou, e meu coração disparou.
“Quem está aí?” perguntei, mas a única resposta foi o silêncio que se seguiu. Assim que terminei de tocar, tudo ficou em calma novamente. A sensação de que estávamos sendo observados era intensa, e decidimos nos retirar da sala.
Quando voltamos ao corredor, nossa busca por respostas parecia ter dado frutos. As vozes que havíamos ouvido, as histórias que tínhamos encontrado, e agora essa conexão direta com o passado estavam criando uma narrativa que precisávamos compartilhar.
Voltamos ao nosso quarto, cansados, mas também cheios de energia. “Precisamos organizar tudo isso e filmar nossa experiência”, sugeri. “Essas histórias precisam ser contadas. Eles merecem ser lembrados.”
Enquanto começávamos a planejar nosso próximo vídeo, uma sensação de determinação crescia dentro de mim. Gettysburg não era apenas um destino turístico; era um lugar onde a história estava viva, e nós éramos os mensageiros.
A noite avançava, e o mistério em torno do hotel e de seus habitantes continuava a nos envolver. Sabíamos que havia muito mais a descobrir, e estávamos prontos para explorar cada canto dessa cidade assombrada, onde os ecos do passado nunca se calariam. O que quer que aguardasse por nós em nossa jornada, estávamos prontos para enfrentar.
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Atualizado até capítulo 61
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