A noite em Gettysburg trazia um mistério próprio, uma espécie de magia sombria que envolvia a cidade e parecia convidar aqueles que estavam dispostos a ouvir. Assim que o sol se pôs e a escuridão tomou conta do ambiente, um sentimento de antecipação começou a se intensificar. Depois de um dia repleto de exploração e reflexão, sabíamos que era hora de enfrentar as histórias que tanto nos intrigavam.
Após o jantar, decidimos que era hora de investigar o hotel em busca de mais pistas sobre suas lendas. A atmosfera estava carregada de eletricidade, e cada passo que dávamos em direção ao corredor principal parecia ecoar os passos de muitos que já haviam passado por ali. A luz suave dos lustres criava sombras dançantes nas paredes, aumentando a sensação de que estávamos sendo observados.
"Vamos começar pelo terceiro andar", sugeri, lembrando que a recepcionista havia mencionado que alguns hóspedes haviam relatado experiências estranhas lá. Assim que chegamos ao andar, o silêncio era palpável. Cada porta parecia conter um segredo, e o ar estava impregnado com a história de vidas passadas.
Cautelosamente, começamos a explorar, parando em frente a uma porta que parecia ligeiramente aberta. "Devemos olhar?", perguntou minha esposa, a hesitação em sua voz evidente. Eu acenei com a cabeça, empolgado, mas também um pouco apreensivo. Ao empurrar a porta, um rangido agudo ecoou, e a escuridão do quarto nos recebeu.
"Está vazio", observei, mas a sensação de que algo não estava certo persistia. O ar estava frio e pesado, como se a própria sala estivesse guardando um lamento. Fizemos uma rápida inspeção, mas não encontramos nada além de móveis cobertos e uma janela entreaberta que deixava entrar o vento da noite.
Continuamos nossa exploração pelo corredor, e logo ouvimos um sussurro suave, quase como se alguém estivesse conversando em voz baixa. "Você ouviu isso?", perguntei, parando abruptamente. Minha esposa e meu filho assentiram, seus olhares refletindo a mesma mistura de medo e curiosidade.
"Vamos seguir a direção do som", sugeri, a adrenalina bombeando em minhas veias. Com cautela, nos movemos em direção ao som, que parecia vir do final do corredor. Cada passo parecia mais pesado, e a sensação de estarmos sendo observados aumentava a cada instante. Ao nos aproximarmos, as luzes começaram a piscar, como se algo estivesse perturbando a eletricidade do hotel.
Finalmente, chegamos a uma porta que estava um pouco aberta. Empurrei-a levemente, e o som se tornou mais claro. Era como se uma conversa estivesse ocorrendo em algum lugar dentro do quarto. "Quem está aí?", perguntei em voz alta, a tensão no ar crescendo. No entanto, a única resposta foi o silêncio.
Com um olhar cúmplice, minha família e eu decidimos entrar. Assim que atravessamos a porta, a temperatura parecia cair drasticamente, e um arrepio percorreu nossa espinha. O quarto era escuro, e havia uma pequena mesa no centro, com velas apagadas e um objeto que chamava atenção: um antigo tabuleiro de Ouija. O sinal de que o sobrenatural estava presente era inegável.
"Isso é meio assustador", murmurou meu filho, enquanto examinava o tabuleiro. "Você acha que alguém estava tentando se comunicar com os espíritos?"
"É possível", respondi, sentindo uma mistura de medo e fascínio. "Mas é melhor não brincarmos com isso. Não sabemos o que podemos despertar."
Decidimos sair do quarto, mas antes que pudéssemos dar o primeiro passo, as velas acenderam-se sozinhas, lançando uma luz tremeluzente sobre nós. O coração disparou e uma onda de pânico tomou conta do ambiente. “Precisamos sair daqui!”, minha esposa exclamou, enquanto a temperatura parecia cair ainda mais.
Sem pensar duas vezes, saímos correndo do quarto, o corredor escuro parecendo se estender infinitamente. Quando finalmente chegamos ao saguão do hotel, um profundo alívio nos envolveu, mas a inquietação não desapareceu. A experiência no quarto com o tabuleiro de Ouija havia deixado uma marca em todos nós.
Conforme tentávamos processar o que havia acontecido, decidimos que precisávamos conversar sobre as lendas e histórias que cercavam Gettysburg. O que se passou naquela sala poderia ser apenas uma coincidência, mas o sentimento de que algo estava prestes a acontecer era palpável. O hotel, a cidade, tudo parecia entrelaçado em uma teia de eventos históricos e sobrenaturais.
Mais tarde naquela noite, enquanto nos acomodávamos em nossos quartos, não consegui deixar de pensar no que havia acontecido. Com a mente agitada, decidi me levantar e dar uma volta pelo hotel. O silêncio era profundo, e o eco de meus próprios passos ressoava pelas paredes. Enquanto caminhava, me deparei com um antigo livro na prateleira de uma pequena sala de estar.
O livro estava coberto de poeira e, ao abri-lo, as páginas pareciam ter sido esquecidas por décadas. Era uma coleção de relatos de hóspedes anteriores e suas experiências no hotel. Alguns relatos falavam de aparições, outros mencionavam sons inexplicáveis e encontros com figuras do passado. À medida que eu lia, percebi que as histórias que cercavam Gettysburg eram mais do que apenas lendas — eram ecos de almas que ainda buscavam um sentido, uma conexão com o mundo dos vivos.
Com o coração acelerado e a mente repleta de perguntas, percebi que nossa jornada em Gettysburg estava apenas começando. Havia muito mais a descobrir, e as histórias de fantasmas que tanto me intrigavam estavam prestes a se entrelaçar com nossas próprias vidas de maneiras que eu nunca poderia imaginar.
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Atualizado até capítulo 61
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