Ao amanhecer do dia seguinte, a atmosfera em Gettysburg estava diferente. Havia uma sensação palpável de expectativa no ar, como se o lugar estivesse se preparando para nos revelar mais de suas histórias ocultas. Após um café da manhã rápido, decidimos explorar o campo de batalha mais a fundo, focando em locais que não tínhamos visitado anteriormente.
“O que você acha de irmos ao campo de batalha de Pickett’s Charge?” minha esposa sugeriu, com os olhos brilhando de entusiasmo. “É um dos momentos mais cruciais da batalha e pode nos dar uma visão mais profunda da luta que aconteceu aqui.”
Concordamos rapidamente. Quando chegamos a Pickett’s Charge, a vastidão do campo se estendeu diante de nós, e o peso da história era quase palpável. Caminhamos lentamente, tentando absorver a importância do que aconteceu ali. Era um local de bravura, mas também de tragédia. Podíamos quase sentir a presença dos soldados que haviam lutado e caído naquele terreno.
“É difícil imaginar o que aconteceu aqui”, disse meu filho, olhando para as distâncias abertas. “Quantas pessoas devem ter estado aqui, com medo e coragem ao mesmo tempo.”
“Sim, e cada um deles tinha sua própria história”, respondi. “É nossa missão lembrar dessas histórias e garantir que não sejam esquecidas.”
Enquanto explorávamos, começamos a perceber que o ambiente ao nosso redor estava mudando. O céu começou a escurecer lentamente, e uma brisa fria começou a soprar. Era como se a atmosfera estivesse se preparando para algo. Decidimos nos sentar em uma das colinas para refletir, e enquanto fazíamos isso, a sensação de que não estávamos sozinhos começou a aumentar.
“Você sente isso?” minha esposa perguntou, com a voz baixa. “É como se alguém estivesse aqui conosco.”
“Sim”, respondi, tentando entender o que estava acontecendo. “Há algo diferente no ar.”
Enquanto estávamos sentados, começamos a ouvir sussurros. Eram palavras indistintas, quase como se as vozes do passado estivessem tentando se comunicar conosco. A cada instante, o som aumentava, e a sensação de conexão com aqueles que haviam lutado naquele lugar tornava-se mais intensa.
“Precisamos filmar isso”, sugeri. Peguei minha câmera e apontei para o campo. “Talvez possamos capturar algo.”
Conforme começávamos a gravar, as vozes pareciam se intensificar. Não eram apenas sussurros; agora, podíamos distinguir algumas palavras. “Ajude-nos… lembre-se de nós… não nos esqueçam…” As vozes ecoavam no vento, criando uma sensação de urgência.
“É surreal”, minha esposa sussurrou, seus olhos arregalados de espanto. “Sinto que eles estão realmente tentando se comunicar.”
“Vamos tentar fazer uma sessão de EVP”, eu disse, lembrando-me das técnicas de captura de voz de espírito. “Pode ser que eles tenham algo mais a nos contar.”
Colocamos o gravador em um pequeno tronco que encontramos e começamos a perguntar se havia alguém ali que quisesse se comunicar. “Se você puder ouvir nossa voz, por favor, fale conosco. Queremos saber sua história.”
O silêncio seguiu, mas não por muito tempo. Assim que a brisa passou novamente, as vozes começaram a ecoar ainda mais alto. Desta vez, pudemos ouvir fragmentos de histórias. “Eu fui… deixei minha família… lutei por eles… não posso descansar…”
A tensão no ar estava carregada de emoção. Era como se os ecos da batalha ainda estivessem vivos, e aqueles que haviam lutado ali precisassem que suas histórias fossem contadas. Depois de alguns minutos de silêncio, decidimos ouvir a gravação que havíamos feito.
Com os corações acelerados, reproduzimos a gravação. Os sussurros se tornaram claros. “Lutamos… por liberdade… lembrem-se…”. Cada palavra era uma janela para o passado, uma oportunidade de entender o que aqueles homens haviam enfrentado.
“Isso é incrível”, disse meu filho, olhando para nós. “Devemos compartilhar isso com mais pessoas.”
“Com certeza”, respondi. “Precisamos contar a eles sobre o que ouvimos, sobre as histórias que ainda vivem aqui.”
O sol começou a se pôr, lançando uma luz dourada sobre o campo, e a atmosfera parecia mudar mais uma vez. As vozes foram se aquietando, mas ainda podíamos sentir a presença dos espíritos ao nosso redor. O céu se encheu de estrelas enquanto nos preparávamos para voltar ao hotel.
Ao chegarmos ao hotel, nossa mente ainda estava em êxtase com o que havíamos vivido. As vozes das almas que batalharam por liberdade ainda ecoavam em nossos pensamentos. Sabíamos que tínhamos um trabalho a fazer.
“Precisamos editar tudo isso e criar um vídeo”, minha esposa sugeriu. “Podemos usar as gravações e as imagens que capturamos para contar a história de Gettysburg de uma maneira única.”
Trabalhamos juntos, editando as gravações e montando o conteúdo que havíamos coletado. Enquanto revisávamos as imagens e os áudios, a emoção encheu o ar novamente. Estávamos dando voz a aqueles que não podiam mais falar, e a importância disso não podia ser subestimada.
Após horas de trabalho, finalmente concluímos o vídeo. Sentamos em silêncio, assistindo ao resultado final. As vozes das almas que haviam lutado ali estavam agora eternizadas em nossa narrativa. A história que contamos era uma homenagem à bravura, à dor e ao sacrifício daqueles que vieram antes de nós.
“Isso é mais do que apenas um vídeo”, minha esposa disse, com lágrimas nos olhos. “É um legado.”
Concordei, sentindo que a jornada que começamos em Gettysburg não era apenas sobre nós, mas sobre todos os que haviam vivido e morrido em busca de liberdade. Havíamos capturado não apenas histórias, mas um chamado à ação: o de lembrar, honrar e compartilhar o que aprendemos.
Enquanto a noite avançava e a cidade começava a adormecer, nós permanecemos acordados, preparados para a próxima fase da nossa jornada. Sabíamos que o que tínhamos feito ali era apenas o começo. Gettysburg tinha muito mais a revelar, e estávamos determinados a descobrir cada pedaço dessa história e compartilhá-la com o mundo. A missão de dar voz ao passado estava apenas começando, e estávamos prontos para o que viesse a seguir.
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Atualizado até capítulo 61
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