Na manhã seguinte, o sol brilhava intensamente sobre Gettysburg, iluminando a cidade com uma luz quente e acolhedora. No entanto, a sensação de mistério e tensão que havia permeado a noite anterior ainda pairava no ar. Após o café da manhã, minha família e eu decidimos que era hora de explorar mais profundamente a história do hotel e suas lendas, especialmente o que eu havia encontrado no livro antigo.
Com o livro ainda fresco em minha memória, conduzi minha família à pequena sala de estar onde o havia encontrado. Ao entrarmos, o cheiro de madeira envelhecida e papel antigo envolveu-nos. A atmosfera parecia diferente, como se o próprio espaço estivesse aguardando que descobríssemos os segredos que ele guardava.
“Vamos ver se conseguimos encontrar mais informações sobre esse lugar”, sugeri, abrindo o livro em uma mesa próxima. As páginas estavam amareladas, e as letras estavam quase desbotadas. Era um relato de experiências de hóspedes ao longo dos anos, muitas das quais eram tão assustadoras quanto fascinantes.
Enquanto lia, algumas histórias chamaram minha atenção. Uma delas falava sobre uma mulher que, durante uma tempestade, havia se perdido no hotel e, ao entrar em um quarto, encontrou um espelho antigo. Ela se viu refletida, mas ao invés de sua imagem, o reflexo mostrava uma figura vestida de soldado. Quando tentou tocar no espelho, a figura desapareceu, e a mulher nunca mais foi vista.
“Olhem isso!”, disse, mostrando para minha esposa e filho. “Parece que esse lugar tem um passado realmente inquietante.” Eles se aproximaram para ler, e enquanto compartilhávamos histórias, o sentimento de conexão com as almas que haviam passado por aquele hotel se intensificava.
Decidimos que precisávamos fazer uma visita ao famoso cemitério de Gettysburg novamente. Era um lugar que parecia ressoar com as histórias que estávamos descobrindo, e a ideia de ver os nomes e as datas em gravestones pessoais nos conectaria ainda mais à história. Assim, saímos do hotel e seguimos em direção ao cemitério sob a luz radiante do sol.
Ao chegarmos, o ambiente era pacífico, mas havia uma sensação de solenidade no ar. Caminhando entre as lápides, cada nome parecia contar uma história de sacrifício e coragem. A visita ao cemitério nos deu uma nova perspectiva sobre os relatos do livro; agora, as almas mencionadas ganhavam vida diante de nós.
Enquanto caminhávamos, decidimos visitar a seção onde estavam os soldados da União. Um dos mártires mais notáveis, o Coronel Joshua Lawrence Chamberlain, tinha seu túmulo ali. Ele era um herói da batalha de Gettysburg, e a reverência ao seu nome era palpável. Ao nos aproximarmos, minha esposa comentou: “Você consegue imaginar a pressão que ele deve ter sentido durante a batalha? Ele deve ter carregado o peso de tantas vidas sobre seus ombros.”
“Sim”, respondi. “É incrível pensar que ele e outros soldados estavam aqui, lutando por algo que acreditavam profundamente.” Nesse momento, a conexão emocional com o passado se tornou quase tangível, como se as vozes dos soldados ecoassem em nossos ouvidos.
Decidimos então procurar um espaço tranquilo para refletir. Encontramos um banco sob uma grande árvore, e ali nos sentamos em silêncio, absorvendo a magnitude da história que nos cercava. Olhei para meu filho, que observava atentamente o cemitério. “Você acredita que os espíritos continuam aqui?”, perguntei.
“Talvez”, ele respondeu. “Eu sinto que eles têm algo a nos dizer. Como se estivessem esperando que alguém ouvisse suas histórias.” Suas palavras ressoaram em mim, e percebi que, de alguma forma, estávamos nos tornando parte desse legado.
Com o tempo passando, decidimos voltar ao hotel. No caminho de volta, falamos sobre o que havia acontecido na noite anterior e como tudo isso estava conectado às histórias que estávamos aprendendo. O livro havia se tornado uma espécie de guia para nossa jornada, e a ideia de que poderíamos estar ajudando essas almas a contar suas histórias nos dava uma sensação de propósito.
Quando chegamos ao hotel, uma sensação de expectativa pairava no ar. Havíamos nos envolvido em algo muito maior do que imaginávamos, e as experiências de hóspedes anteriores pareciam chamar por nós. À noite, decidimos fazer uma nova visita à sala de estar e reexaminar o livro.
Sentados juntos, abrimos o livro novamente e continuamos a ler as histórias, mas agora com um novo entendimento. A cada relato, a conexão com o passado se aprofundava. As páginas estavam repletas de experiências de outros que, como nós, haviam buscado respostas e sentido. A cada parágrafo, a energia do hotel parecia vibrar ao nosso redor, como se estivesse se alimentando de nossa curiosidade e empatia.
Então, algo inesperado aconteceu. Enquanto eu lia em voz alta, uma página virou sozinha, revelando uma nova história que não havíamos lido antes. “Você viu isso?” perguntei, surpreso. A história era sobre um grupo de visitantes que, em uma noite de Halloween, haviam tentado se comunicar com os espíritos e, ao fazê-lo, despertaram uma presença que nunca mais os deixou em paz.
A narrativa era envolvente e aterrorizante, e assim que terminei de ler, o ar na sala pareceu mudar. As luzes começaram a piscar, e um frio cortante percorreu a sala. Era como se as almas que residiam ali estavam reagindo à história que acabáramos de contar. A tensão aumentou, e a sensação de que algo estava prestes a acontecer tornou-se quase insuportável.
Com os corações acelerados, nós três trocamos olhares, sabendo que a próxima etapa de nossa jornada em Gettysburg estava prestes a se desenrolar, e que as histórias que estávamos descobrindo poderiam se entrelaçar com nossas vidas de maneiras que nunca poderíamos ter imaginado.
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Atualizado até capítulo 61
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