Após um dia repleto de histórias de bravura e encontros sobrenaturais, retornamos ao nosso hotel, ansiosos para relaxar. O sol se escondia lentamente no horizonte, deixando um rastro de luz dourada que se misturava com as sombras que se formavam nas esquinas do edifício. A atmosfera era densa, como se o próprio hotel estivesse carregando o peso das memórias de hóspedes anteriores.
Assim que entramos, o cheiro de madeira envelhecida e limpeza recém-feita nos envolveu, mas havia algo mais — um tipo de energia vibrante, quase elétrica, que parecia pulsar nas paredes. A recepcionista, que nos cumprimentou na chegada, estava novamente atrás do balcão, mas seu olhar era distante, como se estivesse observando algo que nós não podíamos ver. Troquei um olhar significativo com minha esposa, ambos nos perguntando se aquela energia estava presente antes ou se era apenas nossa imaginação.
Após nos acomodarmos, decidimos explorar o hotel. As escadas rangiam sob nossos pés, e cada andar parecia revelar um novo mistério. As paredes estavam adornadas com fotografias antigas de hóspedes e eventos históricos, mas algumas imagens pareciam ter uma aura diferente, quase como se os retratos observassem nossas movimentações. Ao nos aproximarmos de uma dessas fotos, percebi um detalhe inquietante: uma figura indistinta estava posicionada ao fundo, mas quando tentei focar, a imagem parecia distorcida.
"Vamos dar uma olhada na lavanderia antes de nos acomodarmos para a noite", sugeri, ainda com a ideia de lavar as roupas em mente. O que deveria ser um ato simples de rotina agora me parecia carregado de significado. Caminhamos em direção à área de lavanderia, e enquanto o cheiro de sabão e amaciante preenchia o ar, não pude evitar a sensação de que algo estava prestes a acontecer.
A lavanderia era pequena, com máquinas de lavar e secar alinhadas em uma parede. Quando liguei a luz, uma sombra momentânea passou pela porta, e um calafrio percorreu minha espinha. Olhei rapidamente, mas não vi ninguém. "Você sentiu isso?", perguntei à minha esposa, que apenas assentiu, com um olhar de incerteza.
Decidimos ficar por ali por alguns minutos, conversando sobre os locais que havíamos visitado e as histórias que havíamos ouvido. Mas o silêncio da lavanderia começou a pesar, e a sensação de estar sendo observado crescia novamente. Quando a máquina de lavar começou a ronronar, o som se tornou um pano de fundo quase ensurdecedor, abafando qualquer outro ruído que poderia ter surgido.
Um momento depois, ouvi uma porta se abrir e fechar, mas quando me virei, o corredor estava vazio. "Devem ser os ventos do outono", comentei, tentando afastar a inquietação que começava a se instalar. No entanto, o clima ao redor da lavanderia era diferente. As luzes piscavam levemente, como se estivessem lutando contra uma presença invisível.
Depois de alguns minutos de espera, fui até a máquina para checar as roupas e percebi que algo não estava certo. A porta da lavanderia, que antes estava firmemente fechada, agora estava entreaberta. "Você deixou essa porta aberta?", perguntei, mas minha esposa estava tão intrigada quanto eu.
Cautelosamente, fui até a porta e a fechei. Assim que fiz isso, um estalo ecoou pelo corredor, como se algo tivesse batido em uma parede. O coração disparou, e olhei para minha esposa, que também estava visivelmente apreensiva. "Vamos dar uma olhada no corredor", sugeri, e, hesitantes, avançamos.
Assim que saímos da lavanderia, o silêncio do hotel parecia ter se intensificado. As luzes piscavam mais frequentemente, e a sensação de ser observado aumentava. Enquanto caminhávamos, passei os dedos pelas paredes, sentindo a textura da madeira e a frieza do metal. Olhei para o final do corredor, onde a luz fraca mal iluminava a escuridão.
Foi então que percebi que o hotel, com sua arquitetura antiga e charme peculiar, não era apenas um lugar de descanso; era um repositório de memórias e, talvez, de almas perdidas. Algo estava à espreita nas sombras, e, à medida que a noite se aprofundava, sentia que estávamos prestes a ser introduzidos a um capítulo da história de Gettysburg que nunca poderia ter sido esperado.
Enquanto me preparava para voltar à lavanderia, uma sensação de determinação tomou conta de mim. Eu não estava apenas ali para descansar — eu estava em busca de respostas. A história do hotel, entrelaçada com as lendas de fantasmas, me intrigava e, ao mesmo tempo, me aterrorizava. Mal sabia eu que as revelações que aguardavam por nos iriam mudar para sempre nossa percepção sobre o que realmente significa estar em um lugar assombrado.
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Atualizado até capítulo 61
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