A noite em Gettysburg estava silenciosa, exceto pelo ocasional sussurro do vento que passava pelas janelas do hotel. O clima se tornava mais denso a cada minuto, como se algo estivesse prestes a se revelar. Depois de nossa experiência com o livro, uma expectativa palpável nos envolveu. Com o coração acelerado, decidimos que era hora de nos aprofundar ainda mais nas lendas que cercavam o hotel e suas histórias de fantasmas.
No dia seguinte, começamos nossa busca por informações sobre os eventos sobrenaturais que haviam ocorrido no hotel. Fomos até a recepção, onde a atendente, uma mulher idosa com olhos que pareciam carregar séculos de histórias, nos recebeu. Assim que começamos a perguntar sobre os rumores de aparições e eventos estranhos, ela sorriu levemente, como se estivesse esperando por essa conversa.
“Ah, vocês não são os primeiros a perguntar sobre isso”, disse ela, sua voz suave e tranquila. “Este hotel tem uma longa história, cheia de tragédias e mistérios. Muitos hóspedes relataram experiências estranhas ao longo dos anos.”
Animados, pedimos que ela compartilhasse algumas das histórias. Com um brilho nos olhos, ela começou a narrar. Uma das histórias mais notáveis era sobre um antigo espelho que estava exposto em um dos corredores do hotel. Conforme a lenda, quem olhasse para o espelho poderia ver reflexos de pessoas que já haviam estado ali, incluindo soldados da Guerra Civil. O espelho tinha sido trazido de uma antiga mansão, e muitos acreditavam que estava ligado a uma energia sobrenatural.
“Dizem que é melhor não se aproximar muito do espelho à noite”, advertiu a atendente. “Algumas pessoas afirmam que podem ouvir sussurros ou até mesmo ver figuras se movendo atrás delas.”
Enquanto ouvíamos a história, o interesse aumentava, e não conseguíamos evitar a tentação de ver o espelho por nós mesmos. “Onde podemos encontrá-lo?” perguntei, e ela apontou para o corredor que levava a uma parte menos frequentada do hotel.
Após nos despedirmos da atendente, seguimos em direção ao corredor. O ambiente parecia mudar à medida que nos aproximávamos da localização do espelho, e uma tensão inexplicável começou a nos envolver. As paredes pareciam estar cheias de histórias não contadas, e a ideia de que estávamos prestes a nos conectar com o sobrenatural era eletrizante.
Quando chegamos ao fim do corredor, encontramos o espelho emoldurado em uma moldura dourada antiga. O vidro estava levemente embaçado, e a luz que refletia parecia mais tênue. O coração disparou em minha caixa torácica enquanto me aproximava. “Vamos ver o que podemos descobrir”, murmurei, e todos se juntaram a mim.
Com um profundo suspiro, olhei para o espelho. No começo, vi apenas meu reflexo, mas à medida que focava mais, algo começou a mudar. A imagem atrás de mim parecia se distorcer, e eu percebi que não estava mais sozinho. As figuras começaram a surgir — silhuetas de soldados com uniformes da Guerra Civil, como se estivessem se reunindo ao meu redor.
“Você está vendo isso?”, perguntei, virando-me rapidamente para minha família. Ambos pareciam tão intrigados quanto eu. Minha esposa aproximou-se, olhando com atenção. “É como se eles estivessem tentando nos contar algo”, disse ela, a voz trêmula.
As figuras no espelho começaram a se mover, gesticulando como se estivessem tentando se comunicar. Sussurros baixos e incompreensíveis encheram o ar, e uma sensação de frio se espalhou pelo ambiente. Tentei ouvir o que diziam, mas a voz era apenas um eco distante.
De repente, o espelho começou a brilhar, e uma imagem clara se formou. Era a cena de uma batalha, a fumaça cobrindo o campo e o som distante de canhões. Sentindo uma conexão profunda, deixei escapar um sussurro: “Eles estão nos mostrando a batalha.”
A imagem mudou rapidamente para um grupo de soldados feridos atendidos por enfermeiras, e eu pude sentir a dor e a coragem que emanavam daquela cena. O espelho não era apenas um objeto, mas uma janela para o passado, um portal que nos conectava àqueles que haviam lutado por sua vida e seus ideais.
“Precisamos fazer algo”, disse meu filho, a emoção em sua voz. “Devemos honrar esses homens e suas histórias.” Concordei plenamente. Havia uma responsabilidade em ser testemunha daquele momento. Nós não estávamos apenas observando; estávamos fazendo parte de algo maior.
Então, a imagem no espelho começou a se apagar, e os sussurros ficaram mais altos, quase como um grito de desespero. “Eles estão tentando nos avisar sobre algo”, percebi, e um arrepio percorreu minha espinha. O espelho parecia estar agitado, e a energia na sala mudou drasticamente.
“Precisamos sair daqui!”, exclamou minha esposa, puxando meu filho. Eu hesitei, mas sabia que era melhor ouvir sua intuição. Com um último olhar para o espelho, segui-os, sentindo que havia mais a ser descoberto.
Ao sairmos do corredor, a atmosfera parecia mais pesada, como se algo tivesse sido perturbado. Estávamos todos em silêncio, refletindo sobre o que acabamos de experimentar. Havia um sentimento de urgência, uma necessidade de compreender e respeitar aquelas almas que ainda vagavam.
No entanto, o que realmente havia sido revelado no espelho? Por que aqueles soldados pareciam tão desesperados? Ao retornarmos para nosso quarto, a sensação de que estávamos sendo seguidos não desapareceu, e eu sabia que precisávamos encontrar respostas. A jornada em Gettysburg estava se intensificando, e o chamado das almas que ali permaneceram se tornava cada vez mais forte.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Thayane Minardi
Excelente a narrativa da estória, estou amando! Diferente de todas as centenas de obras que já li aqui nessa plataforma.
2024-11-04
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