A atmosfera estava carregada de expectativa enquanto nos preparávamos para mais uma noite no hotel. Com cada novo dia, a sensação de estarmos conectados a algo maior se intensificava. O que começara como uma simples viagem de férias havia se transformado em uma jornada espiritual e histórica, repleta de descobertas e revelações. Ao entrarmos no quarto, a luz suave do abajur iluminava os rostos de minha família, refletindo um misto de curiosidade e apreensão.
Depois de um jantar leve, decidimos que era hora de fazer uma nova vigília. Lembrando da experiência da noite anterior, cada um de nós estava ansioso para saber o que mais poderíamos aprender sobre os ecos do passado. “Hoje à noite, vamos nos concentrar em ouvir, em nos conectar”, sugeri. “Quero que nos lembremos de que estamos aqui para honrar e aprender.”
Armados com lanternas, cadernos e a câmera, descemos em silêncio para a lavanderia do hotel. O ambiente estava sombrio, e a máquina de lavar ainda ressoava com o eco de memórias e histórias que pareciam flutuar no ar. Ao entrarmos, a tensão começou a aumentar. O mesmo corredor escuro parecia estar esperando por nós, e a sensação de que não estávamos sozinhos se intensificou.
Sentamos em um canto, as lanternas direcionadas para o chão. A sala tinha um cheiro característico de umidade e detergente, mas agora parecia um espaço sagrado, pronto para ser testemunha de algo extraordinário. “Vamos começar com um momento de silêncio”, propus. “Vamos nos abrir para as vozes que podem estar ao nosso redor.”
Fechamos os olhos e nos concentramos, tentando silenciar nossos pensamentos e nos sintonizar com o que estava além. O silêncio se estendeu, e, à medida que nossos sentidos se aguçavam, comecei a ouvir os sussurros — sons suaves, quase indistinguíveis, como se alguém estivesse falando ao longe.
“Você ouviu isso?” sussurrou minha esposa, interrompendo o silêncio. Eu acenei com a cabeça, tentando identificar a origem do som. Era como se as paredes estivessem se enchendo de murmúrios, vozes de muitos que haviam estado ali antes de nós.
“Pode ser apenas o vento”, meu filho sugeriu, mas havia algo nas vozes que parecia real. “Ou talvez seja a nossa imaginação.”
“Não subestime o poder da intuição”, respondi, tentando me concentrar mais. A sensação de estar sendo observado aumentava, e eu sabia que estávamos prestes a entrar em contato com algo significativo.
Depois de alguns minutos, decidi tentar algo. “Se há alguém aqui que deseja se comunicar conosco, por favor, faça um sinal.” Minhas palavras ecoaram pela sala, e o silêncio se aprofundou.
Então, uma das máquinas de lavar começou a tremer levemente. Olhei para minha família, que estava tão perplexa quanto eu. “Acho que alguém está respondendo”, minha esposa disse, com um brilho de esperança nos olhos.
“Vamos prestar atenção”, sugeri. “Se você está conosco, por favor, faça isso novamente.”
Para nossa surpresa, a máquina tremeu novamente, e uma sensação de frio percorreu o ambiente. As luzes começaram a piscar, e uma brisa suave passou por nós, trazendo um aroma familiar de flores e terra molhada. O clima estava mudando, e as vozes pareciam se intensificar, mais próximas agora.
“É como se eles quisessem nos contar algo”, meu filho murmurou, sua voz cheia de expectativa.
“Vamos usar a câmera”, sugeri. “Pode ser que consigamos capturar algo.”
Comecei a filmar a lavanderia, movendo a câmera lentamente, tentando capturar qualquer anomalia. Enquanto isso, minha esposa começou a falar em voz alta: “Se você tem uma história, nós estamos prontos para ouvir. Não tenha medo.”
As máquinas pararam, e o silêncio voltou a reinar por um breve momento. Então, uma porta próxima se abriu com um rangido, e um vento frio percorreu o corredor, fazendo as lanternas balançarem. O ar estava carregado de uma energia palpável, e eu podia sentir a tensão aumentando.
“Vamos até a porta”, sugeri, dirigindo-nos cautelosamente em direção ao corredor. Ao passarmos pela entrada, uma sombra atravessou o canto do meu olho, e virei rapidamente, mas não vi nada. O corredor estava vazio, exceto pelas paredes silenciosas e pelas portas que levavam a outros quartos.
“Alguém está aqui”, murmurei, e uma onda de emoção me invadiu. “Precisamos continuar.”
Retornamos para a lavanderia, e a energia que sentíamos estava mais intensa do que nunca. Olhando em volta, percebi que o lugar estava envolto em uma névoa tênue. Foi então que, de repente, uma voz clara se destacou entre os sussurros. “Por favor, não nos esqueçam!”
O coração disparou em meu peito. “Você ouviu isso?” perguntei, olhando para minha família, que estava igualmente impressionada. Todos nós assentimos, a gravidade do momento se instalando em nós.
“Quem está aí?” minha esposa perguntou, a voz trêmula, mas firme.
Uma sombra começou a se formar em um canto, e lentamente, a figura de uma jovem mulher apareceu. Ela vestia um vestido branco simples, com os cabelos longos e soltos. Sua expressão era de tristeza, mas também de determinação. “Estive esperando por alguém que se importasse”, ela disse, sua voz ecoando suavemente.
“Estamos aqui para ouvir você”, respondi, sentindo que a conexão estava se formando. “Qual é a sua história?”
“Eu sou uma das muitas que partiram durante a guerra. Minha vida foi interrompida, e muitos de nós ainda permanecemos aqui, presos entre os mundos”, ela explicou, a voz carregada de emoção. “Estamos aqui para lembrar, mas também para que as histórias sejam contadas. É doloroso, mas é necessário.”
“Como podemos ajudar?” perguntei, completamente imerso na conversa.
“Contem nossas histórias”, ela pediu, as lágrimas brilhando em seus olhos. “Nós lutamos e amamos, e precisamos que o mundo saiba. A guerra não leva apenas vidas; ela arranca os sonhos e as esperanças de todos nós.”
A intensidade de suas palavras ressoou em nosso interior. Ouvindo, sentíamos a dor e a paixão por trás de cada frase. “Prometemos que não esqueceremos”, minha esposa disse, sua voz firme. “Nós contamos a sua história.”
A mulher sorriu levemente, uma expressão de alívio passando por seu rosto. “Obrigada. Isso é tudo o que precisamos. Lembre-se de que as vozes do passado nunca devem ser silenciadas.”
E, assim que ela terminou de falar, a figura começou a se dissipar lentamente, como fumaça ao vento. A sala voltou a ser silenciosa, mas agora estava imersa em uma sensação de paz. Olhei para minha família, e todos estavam emocionados, mas havia um brilho de esperança em nossos olhos.
Saímos da lavanderia com uma nova determinação. A experiência daquela noite nos conectou ainda mais às histórias de Gettysburg. Sabíamos que tínhamos um papel importante a desempenhar: contar as histórias que precisavam ser lembradas, dando vida a vozes que, de outra forma, poderiam ser esquecidas.
Enquanto caminhávamos de volta para nosso quarto, a sensação de que estávamos apenas começando nossa jornada se intensificou. Gettysburg estava se revelando a nós, e estávamos prontos para ouvir tudo o que o passado ainda tinha a nos contar.
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Atualizado até capítulo 61
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