“Can”
pensei:
É uma oportunidade de fugir, terá mais pessoas na casa.
Abri a porta, ele entrou com tudo e tirou a chave das minhas mãos, enfiou no bolso e me jogou na cama, deitou em cima de mim e me beijou.
No começo comecei a lutar contra ele, mas ele é mais forte então fiquei parada imóvel igual uma boneca, pensa numa coisa difícil de fazer, tentar ficar imune aos carinhos do homem que você deseja, pois foi exatamente isso que fiz fiquei parada até que ele desistiu e saiu de cima de mim, passou a mão no cabelo e disse:
— Você poderia facilitar, sei que gosta de mim, por que fica fingindo essa frieza que você não tem?
— Gostei de estar com você quando eu podia escolher entre estar com você ou não. Obrigada, como estou, só sinto nojo, não quero que me toque, eu te odeio.
Ele saiu do quarto, bateu a porta e não voltou mais. Sei que peguei pesado, que não odeio ele, não sei se o amo, como ele diz me amar, mas não odeio e sinto um tesão absurda, cada toque dele me põe em chamas, mas resistirei até o fim, não deixarei me dominar assim.
Quando anoiteceu, Meide veio ao quarto com uma bandeja e, sem nem olhar para mim, deixou a comida e saiu, fechando a porta de novo.
Jantei e fui dormir. Quando acordei, tinha outra bandeja com o café da manhã, fui à porta tentar abrir e estava trancada. Até quando ele vai me segurar trancada?
Fui ao banheiro, fiz a minha higiene, voltei e tomei o meu café da manhã, me troquei, coloquei um vestido longo, em tons lilás, deixei o meu cabelo solto, brincos, um batom nude, sandália de tirinha e estou pronta para ficar trancada de novo. Nossa, estou ficando cansada disso.
De repente, a porta abre e Meide entra, me olha de cima a baixo.
— Bom dia! Morena, você está linda, daqui a pouco a modista chegará com os vestidos para você escolher um, não faça gracinha, senão vou te largar fechada no quarto o dia todo. E sua mãe ligou.
— Meide, como está a minha mãe? Aconteceu algo?
— Não, ela só queria notícias. Eu disse para ela que você está ótima, que havia ido comprar uma roupa para a premiação e que havia esquecido o celular comigo.
— Você não podia ter feito isso, eu queria falar com minha mãe.
— Se você se comportar, deixarei você fazer uma ligação para ela, mas só se você se comportar.
-Você é muito mandão, controlador, estou ficando farta disso.
Ele saiu do quarto, e eu estava a ponto de arrancar os olhos dele.
Devia ser quase 10h quando Meide veio me buscar, porque a modista estava na casa com os vestidos. Ele esticou a mão para eu segurar, pensei em minha mãe e desci de mãos dadas com ele.
Vi o olhar da mulher nas nossas mãos e fiquei desconfortável, porque sei o que ela está pensando, estamos sozinhos numa casa e sou uma estrangeira, ela não tem ideia de como o ator romântico do país é cretino, e sequestrador.
Meide começou a falar com a modista:
-Mostre para minha noiva os modelos que você acredita que combinem com ela, vejamos se tem algum que ela goste.
A mulher abre um catálogo com vários modelos exuberantes.
— Eu quero um menos exagerado, gosto do simples.
— Temos estes que vão deixar o seu corpo perfeito, são justos e com menos pedraria.
Escolhi um simples e delicado que deixa meus ombros de fora, sou baixa, tenho seios fartos e um quadril largo, mas já que ele quer gastar seu dinheiro com isso vou comprar um vestido legal
— Você quer uma tiara para por no cabelo, ou você prenderá.
Meide respondeu primeiro que eu.
— Veja uma tiara, ela sabe o tanto que gosto dos cabelos negros dela soltos.
- Sim, senhor, então estamos com tudo encaminhado.
A modista se dirigiu direto a mim.
-Assim que estiver com o vestido pronto, mando uma mensagem para que você possa experimentar.
Mas é claro que quem respondeu foi meu noivo autoritário.
— Combinado! Esperamos sua resposta o mais breve possível.
Vi minha chance de fuga indo embora sem nem conseguir falar com ela, mas terá a prova do vestido, aí falo, ele terá que me deixar sozinha com a mulher.
Passou quase uma semana, continuo a evitar Meide, e ele continua tentando me acalmar.
Desde aquele dia em que disse que tinha nojo do toque dele, não encostou mais em mim, mas também não me deixou falar com minha mãe, ela deve estar preocupada com minha falta de notícias, ouvi ele chegando mais cedo e veio ao meu quarto.
-— Camila, sua mãe quer falar com você, deixarei, mas não estrague tudo ou levarei você para o interior do país e você nunca mais falará com ela.
Balancei a cabeça, concordando.
Me deu o celular e sentou ao lado.
Liguei e logo a minha mãe atendeu.
— Filha, graças a Deus, achei que Meide estava mentindo para mim, porque não conseguia falar com você.
— Está tudo bem, mãe, só resolvi ficar mais um pouco por aqui.
— Quando você volta?
— Não sei ainda, mas cuida do meu bebê, ele deve estar com saudades.
Vi Meide levantar e ficar tenso.
— Filha, me dá um sinal, se estiver acontecendo algo que você não pode falar, tosse. Sei que tem algo errado, você nunca desgruda do celular, faz uma semana que quem me atende é o Meide.
Pensei em dar o sinal, mas posso meter a minha mãe em problemas, fiquei quieta um pouco e depois disse.
— Está tudo bem, mãe, logo voltarei para casa, não se preocupe.
— Fiquei mais tranquila, me liga, não me deixe tanto tempo sem falar com você, fico preocupada.
-Tá! bom, mãe, ligarei, sim, tchau.
Ele tirou o celular da minha mão e falou irritado.
— Você tinha que ter mandado ela ir ver como está seu bebê, não é mesmo? Se ele vier atrás de você, eu arrebento a cara dele.
Aí que lembrei que ele acha que o bebê é um cara, nossa, será que devo explicar? Não vou, deixa ele achando que tenho alguém no Brasil.
— Só pedi para minha mãe ver se ele está bem, nesses três anos nunca fiquei tanto tempo longe dele. E sem dar notícias, você viu como minha mãe estava preocupada comigo, ele também deve estar, é perigoso ele ir à embaixada tentar saber notícias minhas.
— Pois pode se acostumar, ele nunca mais vai encostar em você, está me ouvindo?
-Estou meu amo e senhor, mais alguma ordem, senhor?
— Hoje, trarão o vestido para você provar, nosso casamento é no final da semana, passaremos nossa lua de mel, em Ancara.
— Mas para que lua de mel?
— Quero levar você conhecer alguns lugares da Turquia, você adorará.
— Cansei de discutir com você, vamos para Ancara, Meide preciso voltar a trabalhar, você poderia me liberar? Estou muito chateada aqui, sem nada para fazer.
— Depois que estivermos casados, eu deixo agora não.
— Muito obrigado, meu amo e senhor.
-Pare com isso, Camila, eu estou cansado disso.
— Deixa-me ir embora, e prometo não voltar mais a falar com você.
A campainha soa e ele me pega pelo braço e descemos.
— Provará o vestido e não abrirá a sua boca, ou cumprirei a minha promessa e te levo para muito longe e te fecho e nunca mais vai ver a sua família.
-Tá bom Meide, já entendi. Serei a noiva submissa perfeita.
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Atualizado até capítulo 44
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