Esperei ele acabar de comer, juntei tudo, coloquei de volta no carrinho e deixei no jeito para o pessoal da cozinha.
Falei:
-Vou fazer um café, o senhor quer?
- Só tomo café turco, o outro parece mijo de égua.
Ela está me encarando, tentando conter o riso, só falei uma verdade, porque será que ela achou graça?
-Farei o café turco.
Ele tentou fazer uma piada ou falou sério? Quase não consegui me conter. Se destampo rir, será que ele ia ficar bravo? Falei:
-O café está pronto, espero que o senhor goste.
Peguei a xícara da mão da Can, olhei naqueles olhos azuis e ainda consigo ver o riso por detrás da seriedade dela. Não sei o que falei de tão engraçado, mas gostei do efeito.
Hoje não estou normal, acho melhor ir para o quarto, deve ser o fuso horário, o café dela é perfeito.
“Can”
Peguei meu laptop, coloquei meu fone e entrei no episódio que tenho que traduzir.
Não pode ser! É o episódio do pedido de casamento, podia pelo menos ser eles brigando, ou Meide bravo sendo mal, pelo menos eu não ia querer ser a mocinha sendo pedida em casamento por ele.
Vamos lá me concentrei e comecei, adoro as olhadas de amor que ambos trocam, passei quase três horas concentrada, como sempre saí do transe e me sinto flutuar igual a personagem, com o pedido e os preparativos para o casamento.
Enviei a tradução para Melissa e fui para a cozinha fazer um chá de ervas igual ao da personagem, só para me sentir fazendo parte da cena.
Ouvi um barulho atrás de mim, por um momento esqueci que tem mais alguém em casa.
Aliás, que não estou em casa, virei e dei de cara com Meide, mas ainda não saí da série, então não vejo ele e sim o personagem por quem estou apaixonada.
Como ele pode ser tão bonito, o cheiro do perfume dele me inebria a mente, fechei os olhos um momento e falei para mim mesmo:
Se controla Can, ele não é o Firat. Ele é Meide, o turco chato que não te quer por perto.
“Meide”
Fiquei no quarto duas horas, mas o silêncio me angustiou. Sai do quarto e lá estava ela, sentada na mesa, com o laptop na frente e o fone no ouvido.
Fiquei uma hora observando ela fazer sei lá o que, só sei que olhar ela mudar o olhar e a feição, hora sorrindo, na outra nervosa, e na outra como se fosse ser beijada pelo laptop me deixou encantado.
Fiquei ali assistindo sem entender o que ela fazia, de repente ela parou, tirou os fones, mas não fechou o laptop.
A curiosidade foi maior, fui até lá e qual não foi minha surpresa a hora que me vi na tela.
Ela parou a cena bem na hora que eu estava olhando com amor minha parceira de cena.
Abaixo o texto sendo enviado para o canal, ela é a tradutora da minha série.
Nossa que loucura, entendi cada gesto dela, ela vive a cena enquanto traduz.
Agora estou na porta da cozinha, não sei se falo com ela ou se vou embora, me olha como a personagem olhou para mim na cena.
Sei exatamente o que acontece depois, mas não estou atuando, devo cortar o clima, mas gosto tanto do que vejo que fiquei parado sem reação.
De repente, como na série, o celular toca, e o clima se esvai.
Ela atende e fala em português, achando que eu não estou entendendo nada.
-Oi! Melissa, recebeu o trabalho?
Você me colocou em um problema. Por que você não me disse que era ele?
Estou fazendo um esforço sobre-humano para separar a série da realidade, mas com ele aqui tão perto fica difícil.
-Se eu te contasse você iria Can?
-Não, né? você sabe que me envolvo na série que estou traduzindo e agora estou com ele aqui bem na minha frente.
-Você dá conta, ele não é tão chato assim Can?
-Não disse que ele é chato, só disse que eu não sei se consigo separar, você sabe que me envolvo emocionalmente com meus personagens, mas farei o possível para não estragar tudo e ser exatamente a louça depravada que ele acha que sou.
-Mais tarde te ligo Can, agora preciso atender outra ligação.
-Tchau! Melissa.
-Tchau! Can.
Dei uma respirada e falei em turco.
-O senhor conseguiu descansar? Estou fazendo um chá, o senhor quer?
Ele continua em pé na porta, me olhando sem dizer nada, estou ficando incomodada.
Coloquei duas taças e coloquei o chá.
-O meu, gosto doce, o seu você resolve se coloca açúcar ou não.
-Gosto sem açúcar, Can e sim, descansei bem estou pronto para começar as entrevistas. Com quem você estava falando?
-Com minha chefe, mandei o serviço de hoje para ela poder avaliar.
-Ouvi meu nome na sua conversa, falavam de mim?
-Ela perguntou se estou me dando bem com o senhor.
-E você disse que não, é claro.
-Disse que continuo decidindo se estou me dando bem ou não. O senhor se sente pronto para as entrevistas?
-Sim, o que pode dar errado? Sou um ator experiente, vou me sair bem.
Olhando para ele, falei em português:
— Veremos amanhã depois que você passar horas respondendo perguntas idiotas de suas fãs.
Falei mais para mim do que para ele.
-Por favor, Can fale na minha língua, senão não te entendo. E pode me chamar pelo nome, não precisa me chamar de senhor, me sinto um velho.
-Desculpa Meide, tem hora que eu esqueço. São quase 20:00, o senhor quer jantar?
-Por favor, pede uma sopa para mim?
-Ok Meide, vou pedir.
-Você não vai jantar Can?
-Não…, Vou tomar um banho e descansar, mas vou esperar entregarem sua sopa. Liga para seus seguranças e veja se querem jantar, assim faço um pedido só.
Meu celular toca de novo, é o porteiro do meu prédio.
-Alô Lúcio, aconteceu alguma coisa? O bebê está bem?
-Está tudo bem com ele, só te liguei para dar notícias.
-Graças a Deus, achei que ele estava doente. Fala para ele que faltam só 4 dias, logo estarei de volta e a gente vai viajar.
-Falo sim, Can, até mais então.
-Tchau, Lúcio.
Muito bem, ela tem um namorado "bebê" que apelido ridículo e ainda fala para o porteiro avisar que ela volta logo, vou perguntar o que aconteceu, vejamos a mentira.
-Aconteceu alguma coisa, Can? Você ficou tensa.
-Não, Meide, está tudo bem, é só meu porteiro me dizendo que está tudo bem, com o bebê.
A campainha tocou, a comida chegou. Fui lá abrir a porta, mandei colocar na mesa.
Ainda bem que não tive que dar muita explicação para Meide.
-Meide, seu jantar chegou, vou me recolher, boa noite. A propósito, amanhã temos que sair por volta das 07:30.
-Fique tranquila, estarei acordado e pronto, Camila.
Cada vez que ele fala meu nome tenho um treco, parece que me acaricia.
-Camila, vai me deixar jantar sozinho?
-Hoje vou, estou muito cansada, não consigo ser uma boa companhia, boa noite.
Virei e fui quase correndo para o quarto antes que a tentação de ficar com ele me dominasse.
Amanheceu, às 05:00 como todo dia estou de pé, me arrumei e saí do quarto e o silêncio me atingiu.
Será que Meide perdeu hora? Esperarei mais meia hora, aí não dá mais, vou chamá-lo.
Farei um café enquanto espero.
A porta abre e Meide entra já pronto e com o café da manhã em mãos.
-Bom dia! Can.
-Bom dia! Meide, está conseguindo se comunicar, não precisa mais de mim?
-Fui na mesa e peguei as coisas e subi, acho que não conta como comunicação.
Olhei para ele e o clima parecia mais leve, tomamos o café da manhã e partimos para o shopping, local da primeira entrevista. Mesmo esquema ele e seus seguranças no banco de trás e eu na frente com o motorista.
Chegamos no shopping, estava uma loucura, mulheres por todo lado.
Ainda bem que o carro tem os vidros escuros, então elas não nos viram chegando.
Falei para o Rick:
-Faremos o seguinte: Entraremos com Meide pela porta dos fundos, e assim evitamos todas elas.
Ele ficou com medo de mim, agora sim ele vai ver o que são mulheres loucas.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 44
Comments
maria fernanda
/Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2024-11-26
3