A tensão no apartamento de Ana era palpável. A mensagem anônima que receberam, sugerindo que o Projeto Nêmesis era apenas o começo, pairava no ar como uma nuvem sombria. Lucas, Mariana e Ana estavam agora diante de uma encruzilhada. Eles sabiam que, independentemente de qual fosse o próximo passo, não podiam se dar ao luxo de errar.
Ana, ainda sentada em frente ao computador, recostou-se na cadeira, com um olhar pensativo.
— Se esse contato está nos dizendo a verdade — ela começou —, e há algo maior do que o Projeto Nêmesis, então estamos entrando em uma parte do jogo que nem sequer conhecíamos. Precisamos tomar muito cuidado, ou corremos o risco de sermos pegos em uma armadilha.
Mariana, que estava de pé junto à janela, observando a rua com olhar atento, assentiu lentamente.
— Concordo. Já vimos o quanto eles são capazes de manipular e apagar qualquer um que chegue perto demais da verdade. Se há algo além do Nêmesis, pode ser a nossa oportunidade de expor de uma vez por todas a NeoMind. Mas precisamos ser inteligentes. Não podemos simplesmente acreditar em qualquer um — disse ela, seu tom firme, mas carregado de cautela.
Lucas, por outro lado, estava inquieto. Desde que soubera sobre o envolvimento de sua mãe, a pressão sobre seus ombros havia se tornado insuportável. Ele se sentia responsável não apenas por expor a verdade, mas por honrar o sacrifício que sua mãe fizera para proteger o que era certo.
— Precisamos encontrar esse contato e ouvir o que ele tem a dizer — afirmou Lucas. — Mesmo que seja uma armadilha, já sabemos o bastante para nos proteger. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar qualquer ajuda, por menor que seja.
Ana lançou-lhe um olhar rápido, preocupada, mas sabia que Lucas estava certo. Havia algo muito maior em jogo, e eles precisavam descobrir o que era.
O Encontro Marcado
A mensagem anônima os instruíra a se encontrar com o contato em um prédio abandonado nos arredores da cidade, um local conhecido por ser deserto e longe de câmeras de vigilância. O cenário perfeito para uma armadilha, pensou Mariana. Mesmo assim, não havia como recusar. Se as informações que o contato dizia ter fossem verdadeiras, isso poderia ser o golpe final contra a NeoMind.
— Vamos precisar de um plano — disse Mariana, com um tom firme. — Não podemos simplesmente aparecer lá e esperar que tudo corra bem. Eu vou sozinha para o encontro, enquanto vocês dois ficam à distância, prontos para agir caso algo dê errado.
— Não vou deixar você ir sozinha — retrucou Lucas, a voz cheia de determinação.
— Você não tem escolha, Lucas — Mariana respondeu, lançando-lhe um olhar sério. — Eu sou a mais experiente em situações assim. Se algo der errado, vocês terão uma chance de fugir e continuar o que começamos. Mas se todos nós formos pegos, a NeoMind vence.
Ana olhou de relance para Lucas, incerta sobre o plano, mas sabia que Mariana tinha razão.
— Eu vou monitorar tudo daqui. Vou configurar o rastreamento do seu celular, Mariana, e estarei pronta para intervir remotamente se algo der errado — disse Ana, enquanto começava a digitar freneticamente no computador.
Lucas finalmente cedeu, embora a preocupação por Mariana fosse palpável.
— Cuidado — ele disse, a voz mais suave. — Eles já tentaram acabar com você antes. Não podemos perder ninguém agora.
Mariana assentiu, com um leve sorriso de compreensão.
O Encontro com o Desconhecido
Naquela noite, Mariana dirigiu-se ao prédio abandonado. O vento frio varria as ruas desertas, fazendo com que os sons de passos ecoassem pelos becos. O local tinha uma sensação de abandono e perigo iminente. Cada ruído, cada sombra, parecia carregar a ameaça de uma emboscada.
Ela estacionou o carro a uma distância segura, evitando ser detectada, e seguiu a pé pelo caminho que levaria ao ponto de encontro. O prédio era uma estrutura decadente, com janelas quebradas e paredes manchadas pela ferrugem do tempo. Mariana entrou cautelosamente, seus sentidos afiados, a mão descansando levemente sobre a arma em seu coldre.
O interior do prédio estava mal iluminado, apenas algumas lâmpadas fluorescentes piscando nas extremidades do corredor. O som do vento soprando pelos buracos nas paredes dava uma sensação fantasmagórica ao local.
No entanto, antes que ela pudesse avançar mais, uma figura apareceu na escuridão.
— Mariana Costa? — a voz era masculina, baixa e hesitante.
Ela ergueu a arma, mas manteve o controle.
— Quem é você? — perguntou ela, com a voz firme, mas mantendo uma distância segura.
O homem deu um passo à frente, saindo das sombras. Ele era jovem, não mais que trinta anos, com o rosto pálido e traços que denunciavam cansaço e medo.
— Meu nome é Eduardo — disse ele, levantando as mãos em um gesto de rendição. — Trabalho na NeoMind. E sei que vocês estão perto de expor o Projeto Nêmesis... mas vocês precisam entender que isso é só uma parte do que está acontecendo.
Mariana não baixou a arma, mas deu um passo em sua direção.
— Fale. E rápido. Você está nos dizendo que há algo maior do que controle mental? O que poderia ser pior do que isso?
Eduardo engoliu em seco, claramente desconfortável, mas sabia que não tinha mais como voltar atrás.
— O Projeto Nêmesis foi um experimento inicial. Eles queriam ver até onde poderiam ir com o controle de comportamentos individuais, mas o verdadeiro objetivo é muito maior. Eles estão desenvolvendo algo chamado Projeto Cérbero.
Mariana franziu a testa, sentindo um frio na espinha.
— O que é o Projeto Cérbero?
Eduardo olhou em volta, como se estivesse sendo observado.
— Eles estão criando uma forma de controle em massa. Não apenas sobre indivíduos, mas sobre populações inteiras. O Projeto Nêmesis foi apenas o teste. O Cérbero envolve a manipulação de dados em larga escala — um controle total sobre a comunicação, a mídia e até sistemas de vigilância. Eles querem dominar não só mentes, mas também a própria realidade.
Mariana ficou em silêncio, processando a magnitude do que Eduardo estava dizendo. Era difícil acreditar, mas, depois do que já haviam descoberto sobre a NeoMind, nada parecia impossível.
— Por que você está nos contando isso? — ela perguntou, desconfiada.
Eduardo hesitou, olhando para o chão por um momento antes de responder.
— Porque eu... porque eu fui parte disso. Eu ajudei a desenvolver as primeiras fases do Cérbero, e vi o que eles estavam fazendo com as cobaias. Mas não posso mais ficar calado. Não depois do que fizeram com pessoas inocentes. Eles não vão parar, Mariana. E se vocês não fizerem algo logo, será tarde demais.
Mariana analisou o homem à sua frente, tentando determinar a sinceridade em suas palavras. Tudo parecia um pesadelo crescente, mas não havia tempo para hesitação.
— Vou precisar de provas. Se você quiser nossa ajuda, vai ter que nos dar algo concreto — ela disse, finalmente.
Eduardo assentiu, rapidamente tirando um pequeno pendrive do bolso.
— Está tudo aqui. Detalhes do Projeto Cérbero, as conexões com o Nêmesis, e até os nomes dos líderes que estão por trás disso. Mas precisamos ser rápidos. Se eles descobrirem que estou com vocês, eles vão me matar.
Mariana pegou o pendrive, sentindo o peso de uma nova responsabilidade. O Projeto Cérbero era ainda mais aterrorizante do que ela poderia ter imaginado. Agora, não era mais apenas sobre a NeoMind. Era sobre impedir uma força global de controle total.
— Saia daqui antes que seja tarde — ela disse a Eduardo, antes de guardar o pendrive no bolso.
Enquanto Eduardo desaparecia na escuridão, Mariana sabia que o tempo estava se esgotando. Voltou ao carro com a mente fervilhando de perguntas. O próximo passo seria crucial, e Lucas e Ana precisavam saber de tudo.
A Nova Verdade
Quando Mariana voltou ao apartamento, Lucas e Ana a receberam com expectativa, mas o olhar no rosto de Mariana dizia tudo.
— O que descobriu? — perguntou Lucas, preocupado.
Mariana entregou o pendrive a Ana e começou a explicar.
— Há algo muito pior do que o Projeto Nêmesis. Algo chamado Projeto Cérbero. Eles querem controlar não apenas mentes, mas toda a comunicação e percepção de realidade. Precisamos expor isso também.
Ana conectou o pendrive ao computador, e os arquivos começaram a se abrir na tela.
— Isso... isso é real? — Ana murmurou, lendo os documentos. — Eles estão desenvolvendo um sistema de controle global. Manipulação de dados, informações, mídia... Isso é uma arma para controlar sociedades inteiras.
Lucas ficou em silêncio, o choque tomando conta de sua mente. Tudo o que haviam enfrentado até agora era apenas a ponta de um iceberg monstruoso.
— Não podemos mais esperar — disse Lucas, determinado. — Vamos expor tudo. Agora.
Continua...
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Atualizado até capítulo 55
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