Os corredores do centro de convenções ecoavam as vozes e os passos apressados das pessoas, criando uma atmosfera tensa que Lucas e Ana tentavam ignorar enquanto se dirigiam ao prédio administrativo da NeoMind. A informação que Henrique havia revelado mudara tudo. Eles não estavam apenas lidando com uma empresa corrupta, mas com uma organização que literalmente controlava mentes. O Projeto Nêmesis não era só uma pesquisa científica; era uma ameaça ao livre-arbítrio humano.
Lucas olhava ao redor, cauteloso, enquanto tentava manter a aparência de normalidade. A última coisa que eles precisavam era levantar suspeitas. A conversa com o segurança havia sido um lembrete de que estavam sendo observados. O tempo estava se esgotando, e qualquer erro seria fatal.
— Precisamos ser rápidos e discretos — sussurrou Ana enquanto se aproximavam da entrada que levava aos escritórios internos da NeoMind. — Se alguém perceber o que estamos fazendo, não sairemos daqui.
Lucas assentiu, mantendo os olhos à frente. Ele sabia que Mariana estava em perigo e que Meirelles provavelmente estava envolvido até o pescoço na conspiração. A NeoMind e a máfia já haviam mostrado que não hesitariam em eliminar qualquer ameaça. E agora, com Henrique revelando a existência do Projeto Nêmesis e o que ele realmente significava, a urgência em expor a verdade era maior do que nunca.
Dentro do Coração da NeoMind
Eles finalmente chegaram ao prédio administrativo, uma estrutura moderna e imponente que contrastava com a decadência moral da corporação. Ao passarem pelas portas de vidro, Lucas e Ana se depararam com uma recepção elegante, onde alguns funcionários trabalhavam silenciosamente. Não havia sinais evidentes de perigo ali, mas ambos sabiam que as aparências eram enganosas.
— Como vamos entrar nos servidores? — perguntou Lucas, mantendo a voz baixa enquanto eles se aproximavam do balcão de informações. Ele sentia o peso da responsabilidade se intensificar a cada passo.
Ana, sempre meticulosa, havia estudado os planos de segurança que conseguira semanas antes, e tinha um plano.
— Os servidores ficam no subsolo, em uma área restrita. A boa notícia é que conseguimos passes de acesso suficientes para chegarmos perto. Mas a má notícia é que, para acessar os dados, vamos precisar de uma senha mestre... e para isso, precisaremos chegar à sala do diretor de TI.
— E como vamos fazer isso sem levantar suspeitas? — Lucas perguntou, já imaginando o pior.
— Vamos torcer para que a sorte esteja do nosso lado — Ana respondeu, com uma ponta de ironia em sua voz, antes de se aproximar do balcão.
A recepcionista, uma mulher jovem, lançou-lhes um sorriso educado.
— Boa noite. Como posso ajudá-los? — perguntou, com o tom profissional de quem não faz muitas perguntas.
— Estamos aqui para uma revisão de sistema — disse Ana com uma confiança que impressionou até mesmo Lucas. — NeoMind solicitou que fizéssemos um check-up de rotina nos servidores principais.
A recepcionista hesitou por um segundo, mas, após olhar rapidamente para os passes que Ana havia entregado, balançou a cabeça, indicando para o segurança ao lado da entrada interna que os deixasse passar.
Lucas e Ana caminharam em silêncio pelo longo corredor até os elevadores. O silêncio entre eles não era apenas resultado da tensão; era uma forma de manter o foco. Eles sabiam que cada movimento precisava ser calculado, e que qualquer deslize os colocaria em risco.
O Encontro com o Inimigo
Enquanto desciam para o subsolo, Lucas sentiu seu coração acelerar. O peso de tudo o que havia descoberto estava se intensificando. O envolvimento de sua mãe, as experiências cruéis da NeoMind, e agora o perigo iminente que Mariana enfrentava nas mãos de Meirelles. Tudo estava prestes a convergir, e ele precisava manter a cabeça no lugar.
Quando as portas do elevador se abriram, eles foram recebidos por uma sala de controle com terminais e monitores. Não havia muitas pessoas no local, apenas alguns técnicos que estavam ocupados demais para prestar atenção nos dois intrusos.
— A sala de TI é logo ali — Ana disse, apontando para uma porta no fundo da sala.
Caminhando com propósito, eles se dirigiram à sala, tentando passar despercebidos pelos poucos funcionários que permaneciam na área. Mas, ao chegarem perto da porta, foram interrompidos por uma voz familiar.
— O que vocês estão fazendo aqui?
Lucas e Ana congelaram ao ouvir a voz fria e familiar de Carlos Meirelles. Ele estava parado no final do corredor, com o semblante sério e as mãos cruzadas nas costas. A presença dele ali não era apenas inesperada; era alarmante. Se ele estava ali, significava que sabia muito mais do que eles haviam imaginado.
— Meirelles — Lucas sussurrou para Ana, enquanto ambos se viravam lentamente para encará-lo.
O chefe de polícia caminhou em direção a eles, seu olhar fixo em Lucas.
— Eu avisei para não se meter onde não devia, Lucas. Mas parece que você não ouviu meus conselhos. Agora, está em uma situação da qual não vai poder sair facilmente.
Ana deu um passo à frente, a expressão dura e determinada.
— O que você vai fazer, Meirelles? Nos entregar para a NeoMind? Sabemos sobre o Projeto Nêmesis. Sabemos sobre o controle mental. Se você nos matar, tudo vai vazar. Henrique nos deu as provas que precisávamos.
A menção de Henrique pareceu abalar Meirelles, mas ele não recuou. Ao contrário, ele riu, mas o riso não era de humor. Era de desprezo.
— Henrique? — disse Meirelles, com um tom sarcástico. — Henrique está morto. Vocês realmente acham que ele poderia ajudá-los? Vocês estão lidando com forças que não compreendem. A NeoMind é apenas uma parte disso. Vocês não têm ideia do que estão enfrentando.
Lucas sentiu uma onda de pânico se espalhar por seu corpo. Henrique estava morto? E se a NeoMind era apenas parte do problema, o que mais estava em jogo?
— Então nos explique — disse Lucas, tentando manter a voz firme, apesar do medo. — O que estamos enfrentando?
Meirelles deu mais um passo à frente, agora a poucos metros deles.
— Vocês estão enfrentando o futuro. Um futuro onde o livre-arbítrio será uma ilusão. Onde o controle absoluto sobre as mentes será a única forma de manter a ordem. O Projeto Nêmesis é o início disso. E sua mãe, Lucas... bem, ela estava perto demais da verdade. Foi por isso que tivemos que tirá-la do caminho.
As palavras de Meirelles atingiram Lucas como um golpe físico. Sua mãe havia sido assassinada, e Meirelles estava diretamente envolvido. A raiva borbulhou dentro dele, mas ele se forçou a manter o controle.
— E agora? Vai nos matar também? — perguntou Ana, com o queixo erguido, desafiadora.
Meirelles sorriu novamente, mas dessa vez havia uma sombra de algo mais em seu rosto — hesitação, talvez. Ele ergueu a mão lentamente, revelando uma arma que estava escondida sob o casaco.
— Eu não quero, mas vocês me forçam. O problema de se aproximar demais da verdade é que ela pode queimar. E vocês se queimaram.
O Confronto Final
Antes que Lucas ou Ana pudessem reagir, o som de passos apressados encheu o corredor. De repente, três seguranças apareceram, cercando-os. Lucas sabia que aquele poderia ser o fim. Tudo o que haviam feito, tudo o que haviam descoberto, estava prestes a ser silenciado.
Mas, antes que qualquer um dos seguranças pudesse se mover, um som estridente ecoou pelos corredores — um alarme. Algo havia sido acionado.
Meirelles olhou ao redor, confuso.
— O que está acontecendo? — ele murmurou, antes de perceber que algo havia saído de seu controle.
Lucas trocou um olhar rápido com Ana. Sabiam que aquela era a chance deles.
— Agora! — Lucas gritou, enquanto ambos se lançavam em direção à sala de TI, na esperança de que ainda pudessem escapar com as provas que precisavam para expor a verdade.
Continua...
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Atualizado até capítulo 55
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