A manhã seguinte trouxe consigo uma leve sensação de alívio, como se a chuva da noite anterior tivesse limpado, ao menos superficialmente, a tensão acumulada nos últimos dias. Lucas acordou com uma leve dor de cabeça, consequência de uma noite mal dormida. Ele olhou pela janela, e a cidade, ainda molhada pelo temporal, parecia tranquila. Mas essa tranquilidade era ilusória. Algo estava prestes a acontecer — ele sentia isso, como uma pressão invisível, pronta para explodir.
Hoje, ele encontraria sua irmã, Luana. E, com ela, esperava encontrar respostas para os pedaços desconexos de seu passado. Algo dentro de Lucas dizia que havia segredos, fragmentos que ele talvez tivesse enterrado tão profundamente que já não sabia distinguir entre memória e imaginação.
O Encontro com Luana
Luana chegou ao café pontualmente. Ao contrário da última vez em que haviam conversado por telefone, ela parecia relaxada, embora os olhos revelassem um fundo de preocupação.
— Lucas, o que está acontecendo? — perguntou ela, logo após o abraço. — Você parece tão distante ultimamente. Sabe que pode contar comigo, não importa o que seja.
Ele assentiu, mas a verdade era que ele mesmo não sabia como começar. Havia tantas peças espalhadas — o homem desconhecido, os segredos sobre Sofia e a NeoMind Technologies, o e-mail que mencionava seu nome... e aquela lacuna no passado. Lucas tomou um gole de café antes de suspirar profundamente.
— Eu não sei por onde começar, Lu. Parece que tudo está desmoronando ao meu redor. Lembra de quando éramos crianças, e... quando as coisas ficaram difíceis para a gente? — Ele hesitou. — Quero dizer, depois da morte da nossa mãe. Você acha que... houve algo que eu bloqueei?
Luana permaneceu em silêncio por um momento, processando a pergunta. Ela sempre fora mais introspectiva, mais observadora. Com uma leve tensão no rosto, ela respondeu.
— Lucas, depois que a mamãe morreu, você se fechou muito. Eu também, mas você... pareceu se perder por completo durante um tempo. Foi quando começamos a morar com a nossa avó. Talvez você tenha tentado enterrar coisas que eram muito dolorosas. Não me entenda mal, todos nós lidamos com o luto de formas diferentes, mas... sim, você mudou depois daquilo.
Lucas assentiu. As palavras de Luana ecoavam com uma ressonância dolorosa. Ele sempre soubera que havia uma parte de sua infância que se mantinha envolta em névoa, mas agora parecia mais palpável. Algo além do luto. Algo... mais sombrio.
— Havia uma coisa que eu queria te perguntar, Lu. Alguma vez você ouviu falar sobre uma empresa chamada NeoMind Technologies? — Ele perguntou, já esperando que ela dissesse que nunca tinha ouvido falar.
Para sua surpresa, o semblante de Luana mudou imediatamente. Ela desviou os olhos por um momento, como se estivesse tentando lembrar, antes de responder.
— NeoMind Technologies? Sim... Sim, já ouvi falar. Acho que foi em um dos projetos que mamãe trabalhava antes de morrer. Ela era envolvida em pesquisas tecnológicas, certo? — Luana apertou os olhos, claramente tentando buscar memórias antigas. — Mas nunca entendi muito sobre o que ela fazia. Depois da morte dela, tudo aquilo ficou para trás, e eu nunca mais pensei nisso.
O coração de Lucas disparou. NeoMind Technologies. Sua mãe havia trabalhado em projetos para a mesma empresa. De repente, a sensação de estar envolvido em algo muito maior do que ele poderia compreender ficou ainda mais intensa. Não era apenas coincidência — havia uma conexão direta entre a empresa, sua mãe, e agora, de alguma forma, ele.
— Lu, acho que há algo mais acontecendo aqui. Não sei como explicar, mas... acho que estou envolvido nisso de uma maneira que não consigo entender ainda.
Ela olhou para ele com olhos cheios de preocupação, mas também de compreensão.
— Seja o que for, Lucas, você não está sozinho. Vamos descobrir isso juntos. Você pode contar comigo, sempre.
Investigações Paralelas
Enquanto isso, na delegacia, Mariana trabalhava freneticamente. Ela estava ciente de que o tempo estava correndo contra ela. Desde a descoberta do implante cerebral no homem desconhecido e as investigações paralelas de Lucas, uma sensação crescente de perigo a rondava. Ela já não sabia em quem confiar — a sombra da corrupção interna pairava sobre a delegacia, e ela sabia que havia pessoas interessadas em esconder a verdade.
Mariana passou a noite em claro, revisando relatórios e conectando os pontos entre as mortes, o envolvimento da NeoMind e as atividades criminosas da máfia. Parecia claro que havia um jogo de poder em andamento, algo que envolvia não apenas crimes comuns, mas também uma tecnologia avançada que poucos conheciam.
— Preciso de mais respostas — murmurou para si mesma, olhando fixamente para os relatórios médicos do homem em coma.
Naquele momento, ela decidiu que a única maneira de avançar seria confrontando a NeoMind diretamente. E isso significava entrar em território perigoso.
Um Elo Perdido
De volta ao apartamento, Lucas decidiu que já havia esperado tempo demais. Depois da conversa com Luana, as peças estavam começando a se encaixar, mas ainda havia muito que ele não entendia. Ele sabia que precisaria de provas concretas se quisesse chegar ao fundo dessa história. A primeira coisa que fez foi vasculhar os arquivos antigos que sua mãe havia deixado para trás.
No fundo de uma caixa guardada no armário, ele encontrou um caderno antigo. As páginas estavam desgastadas, mas uma delas chamou sua atenção imediatamente. Era um rascunho, um esboço de uma tecnologia que ele não conseguia compreender totalmente, mas a palavra "NeoMind" estava escrita no canto da página. Ao lado da palavra, havia uma data, de mais de vinte anos atrás, e uma sequência de números. Ele não tinha ideia do que aquilo significava, mas sabia que era importante.
Lucas sentiu um calafrio. O passado de sua mãe estava diretamente ligado ao mistério que ele agora tentava desvendar. Mas o que isso significava? O que sua mãe tinha descoberto, ou em que ela havia trabalhado, que agora o colocava em perigo?
Uma Nova Ameaça
Pouco depois de encontrar o caderno, o telefone de Lucas tocou. Era Ana, e sua voz estava tensa.
— Lucas, eu fui seguida. E não foi coincidência. Eu acho que estamos sendo observados. Eles sabem que estamos chegando perto de algo.
O sangue de Lucas gelou. Eles. Quem eram "eles"? A máfia? A NeoMind? Ou algo maior? Ele sabia que o tempo estava se esgotando, e a verdade estava cada vez mais próxima — mas também os perigos.
— Precisamos nos encontrar em um lugar seguro, Ana. Não confio em mais ninguém.
Com o coração acelerado, Lucas sabia que agora a batalha era por sua própria vida. E o que quer que sua mãe tivesse descoberto no passado, era apenas o início de algo muito maior.
Continua...
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Atualizado até capítulo 55
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