A noite era sufocante, com o ar pesado e úmido de um temporal que ameaçava despencar a qualquer momento. A cidade estava envolta em uma sensação de tensão crescente, como se pressentisse que algo sombrio pairava no ar. Dentro de seu apartamento, Lucas andava de um lado para o outro, perdido em pensamentos. As palavras de Ana ainda ecoavam em sua mente, misturadas com o olhar atento da detetive Mariana e o sorriso macabro do homem desconhecido. Era como se uma rede invisível estivesse se fechando ao seu redor, e cada movimento seu apenas a apertava mais.
O Mistério de Sofia
Enquanto encarava a janela de seu quarto, a mente de Lucas voltava constantemente ao nome que Ana tinha mencionado: Sofia. Uma mulher que ele jamais tinha conhecido, mas cuja morte parecia conectada a ele de alguma forma. E aquele e-mail... Como seu nome foi parar nos arquivos de uma pessoa que estava envolvida em uma investigação que, agora, parecia crescer como uma teia de aranha, cada linha levando a um lugar diferente, mas interligado?
Lucas sabia que precisava de respostas, e a única pessoa que poderia ajudá-lo naquele momento era Ana. Ele rapidamente pegou o telefone e ligou para ela, esperando que a amiga pudesse lançar alguma luz sobre a descoberta.
— Ana, preciso falar com você. Agora. — Sua voz saiu tensa, sem conseguir esconder a urgência.
Do outro lado, Ana soou cautelosa, mas compreensiva.
— Eu sei, Lucas. Também estou tentando entender o que está acontecendo. Vamos nos encontrar no café de sempre daqui a meia hora, ok?
Lucas concordou e desligou, tentando organizar seus pensamentos. Ele sabia que aquela conversa poderia trazer informações importantes, mas ao mesmo tempo, cada nova revelação parecia aprofundar o abismo de incerteza em que ele estava caindo.
O Encontro no Café
O café onde Lucas e Ana costumavam se encontrar era pequeno, aconchegante, e, àquela hora da noite, quase deserto. Quando ele chegou, Ana já estava lá, sentada em uma mesa nos fundos, parecendo tão nervosa quanto ele. Lucas se sentou, e ela foi direto ao ponto, sem rodeios.
— Lucas, depois que descobri aquele e-mail, continuei investigando o que Sofia estava fazendo antes de morrer. Ela era uma engenheira de software que trabalhava para a empresa NeoMind Technologies, uma corporação envolvida no desenvolvimento de implantes cerebrais e pesquisas experimentais. Não consegui muita informação sobre o projeto em que ela estava envolvida, mas há boatos de que era algo grande, revolucionário... e perigoso.
Lucas ficou em silêncio por um momento, processando as informações. Ele nunca tinha ouvido falar dessa empresa antes, mas de alguma forma, agora se via no centro de tudo isso. Ele sabia que precisava de mais detalhes.
— Você acha que o implante que encontraram naquele homem... — Lucas hesitou, pensando em como aquilo soava absurdo. — Você acha que tem ligação com essa empresa?
Ana assentiu, mordendo o lábio inferior enquanto ponderava a situação.
— Sim. Tenho quase certeza. E acho que Sofia sabia de algo que poderia colocar tudo a perder. Eu encontrei fragmentos de mensagens e e-mails criptografados que sugerem que ela estava prestes a expor alguma coisa. Talvez tenha sido por isso que ela foi morta... e, de alguma forma, você está ligado a isso.
Lucas sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele estava começando a se perguntar o quanto do seu passado ele realmente conhecia. Mas havia algo que ainda não fazia sentido.
— E por que meu nome estaria no e-mail dela? — ele perguntou, lutando para manter a voz estável. — Eu nunca tive contato com essa empresa, nunca conheci essa mulher... Por que eu?
Ana olhou diretamente nos olhos de Lucas, sua expressão uma mistura de empatia e medo.
— Eu não sei, Lucas. Mas eu sei que, se você está envolvido nisso, mesmo sem saber, há algo grande acontecendo. E, agora, preciso te perguntar: você... tem certeza de que não há nada que você esteja escondendo, algo que tenha bloqueado da memória?
A pergunta pairou no ar como uma lâmina afiada. Lucas não sabia como responder. Ele estava sendo sincero quando dizia que não sabia de nada, mas havia algo perturbadoramente vazio em sua mente. Era como se, quanto mais tentava se lembrar de algo que pudesse esclarecer a situação, mais seu cérebro se recusava a colaborar. Uma sensação de vazio, de uma memória perdida ou apagada.
Uma Visita ao Passado
Depois da conversa, Lucas voltou para casa com a cabeça fervilhando de perguntas. Se havia algo de que ele não se lembrava, algo em seu passado que estivesse enterrado, ele precisava descobrir. E a única pessoa que poderia ajudá-lo a reconstituir esses fragmentos perdidos era sua irmã, Luana.
Luana sempre foi um ponto de equilíbrio na vida de Lucas. Mais nova que ele apenas alguns anos, ela o conhecia como ninguém, sabia dos traumas que carregavam do passado familiar, das dificuldades que enfrentaram. E, se havia algo que ele havia bloqueado, ela poderia ter as respostas que ele buscava.
Ele não perdeu tempo e ligou para Luana, tentando soar o mais calmo possível.
— Ei, Lu... Eu estava pensando se a gente podia se encontrar. Tem algumas coisas do passado que eu queria conversar com você... coisas sobre a nossa infância.
Luana hesitou do outro lado, mas logo concordou.
— Claro, Lucas. Podemos nos encontrar amanhã à tarde. Você parece estranho... Tem certeza de que está tudo bem?
— Sim, está tudo bem. Só... só preciso entender algumas coisas. Nos vemos amanhã, então.
Os Ecos da Noite
Lucas passou o restante da noite acordado, tentando montar um quebra-cabeça de peças desconexas. A imagem do homem ensanguentado, o sorriso perturbador, o nome de Sofia, a empresa NeoMind Technologies... tudo parecia ligado por um fio invisível, uma conexão que ele não conseguia compreender completamente.
Ele sabia que estava se aproximando de algo grande, algo que talvez mudasse a sua vida para sempre. Mas quanto mais perto chegava da verdade, mais o medo crescia dentro dele. Porque, no fundo, ele sabia que a resposta não seria simples. E que, uma vez que encontrasse as peças finais desse quebra-cabeça, nada mais seria como antes.
E enquanto a madrugada avançava, o céu finalmente cedeu e a chuva começou a cair, pesada e incessante. Lucas se recostou no sofá, ouvindo o som das gotas contra a janela, se perguntando o que o dia seguinte traria.
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Atualizado até capítulo 55
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