Eu guiei Blair até o carro com cuidado, certificando-me de que ela não tropeçasse em nenhum buraco ou nas próprias pernas.
Ela murmurava alguma coisa sobre "música boa" e "luzes lindas" enquanto eu tentava mantê-la em pé. Já estava tentando calcular mentalmente como iria explicar isso para Hailey.
— Elijah, eu vou vomitar?
Parei na mesma hora, o coração pulando no peito. Não queria encarar uma situação dessas agora.
— Não, não vai, Blair. Respira fundo e... tenta se concentrar em outra coisa, sei lá, pensa em... sorvete.
Ela deu uma risada boba, ainda cambaleante.
— Sorvete de chocolate... e tequila!
Eu fechei os olhos por um segundo, reprimindo a vontade de rir da ironia. Sentei-a no banco do passageiro com cuidado, coloquei o cinto e fui para o outro lado do carro, tentando respirar fundo. Era só uma viagem rápida até a casa de Hailey. Fácil, pensei, como se estivesse tentando me convencer.
Quando entrei no carro, Blair estava cantando alguma coisa que claramente não fazia sentido.
— Você sabe que não tá cantando uma música de verdade, né?
perguntei, ligando o motor.
Ela virou a cabeça para mim, com um sorriso preguiçoso.
— Eu invento minhas próprias músicas, doutor! Sou uma artista... incompreendida...
Soltei um riso curto. Incompreendida com certeza. Embriagada também.
— Uma artista incompreendida, que não vai gostar de nada disso amanhã
retruquei, saindo do estacionamento.
Ela suspirou e se ajeitou no banco, agora com a cabeça encostada na janela. Dirigi em silêncio por alguns minutos, observando as ruas passarem enquanto minha mente trabalhava na conversa inevitável com Hailey. Ela não ia ficar feliz, isso era certo.
— Elijah?
A voz de Blair soou baixa, meio abafada.
— O que foi? Tá tudo bem?
— Por que você é tão sério?
Ela fez uma pausa, os olhos meio abertos, me estudando como se estivesse tentando resolver um enigma.
— Você é tipo... bonito, sabe? E sério. E eu fico tipo... 'Esse cara precisa relaxar, se divertir mais.'
Eu segurei o volante com um pouco mais de força, tentando não rir da observação completamente honesta, mas nada apropriada.
— É... valeu, Blair. Eu prometo que vou tentar me divertir mais. Talvez não hoje, mas... eventualmente.
Ela riu, uma risada leve e descomplicada, e deitou a cabeça de volta no banco.
— Minha mãe... gosta de você, sabia?
Ela murmurou, sua voz mais baixa agora.
— Ela não diz, mas eu sei.
Meu coração deu um salto involuntário, mas me forcei a manter a calma.
— É mesmo?
perguntei, tentando parecer casual.
— E como você sabe disso?
Ela fechou os olhos, o sorriso suave ainda nos lábios.
— Eu sou uma artista incompreendida, lembra? Eu sei dessas coisas...
Eu sorri de lado, acelerando um pouco mais ao ver a rua da casa de Hailey se aproximando.
— Bom, acho que vou precisar de uma dica sua então, Blair. Se eu for falar com sua mãe sobre o que aconteceu hoje, você acha que ela vai querer me matar ou só me ignorar pro resto da vida?
Blair riu de novo, como se a ideia fosse absurda.
— Você salvou a noite! Ela vai... sei lá... te dar um prêmio... ou um beijo.
Um beijo. Claro, era isso que eu precisava agora: pensar em como seria ter Hailey me beijando. Balancei a cabeça, tentando focar.
— Vamos deixar o prêmio para depois. Agora, vamos só garantir que você fique bem e chegue em casa.
Estacionei o carro em frente à casa de Hailey, desliguei o motor e me virei para Blair, que agora dormia tranquilamente no banco ao lado. Soltei um longo suspiro. Claro, ela apagaria no momento em que chegássemos.
Hora de enfrentar Hailey, pensei.
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Atualizado até capítulo 113
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