Quando minha mãe chegou em casa depois de um turno cansativo no hospital, sei como ela é , tudo o que ela queria e fazia como um ritual, era um banho quente e talvez uns quinze minutos de silêncio antes de encarar qualquer outra coisa. No entanto, assim que abriu a porta, um cheiro doce e fresco a circulou.
Ela parou no corredor, estranhando o buquê impressionante de flores que repousava sobre a mesa, seus tons vibrantes de rosas, lírios e margaridas parecendo iluminar todo seus olhos. Franziu a testa, e pareceu exausta e curiosa ao mesmo tempo.
— Blair?
chamou a mim, com a sua voz ecoando pela sala enquanto largava a bolsa no sofá.
— Mãe, oi!
Ela olhou-me, como se estivesse surpresa com a minha reação. Talvez eu tenha sido um pouco calorosa demais.
— Como foi no trabalho?
— Exaustivo, mas... o que é isso?
apontou para o buquê, cruzando os braços.
— Recebeu flores?
Ela deu de ombros, mas havia um brilho nos olhos dela que não passou despercebido.
— Não, são para você! Chegaram hoje. Sem remetente, só o buquê. O que você acha?
Eu dei mais um passo na direção da mesa, tentando segurar um sorriso que estava se formando.
— Acho que você tem um admirador secreto.
— Admirador?
Ela riu, mas era um riso nervoso, o que me fez ficar ainda mais curiosa.
— Não sei de quem são.
Olhei para ela de esguelha, notando como estava tentando parecer casual, mas sua curiosidade era palpável. A forma como ela se movia, tentando disfarçar a ansiedade, me fazia ter certeza de que fiz a coisa certa. Elijah. Aposto qualquer coisa que foi ele.
— Não tem ideia?
provoquei, fingindo inocência enquanto me aproximava do buquê. Óbvio que ela não sabia.
— Ninguém com quem tenha falado recentemente? Ou... alguém que talvez você tenha conhecido recentemente?
Ela estreitou os olhos para mim, como se estivesse tentando decifrar o que eu sabia.
— Você sabe de algo que eu não sei, Blair?
Suspirei, cruzando os braços e sentindo o peso da minha decisão. Tinha prometido a Elijah que o ajudaria, e isso significava jogar de forma cuidadosa. Como ele iria conhecer minha mãe? É a pergunta do século.
— Não sei. Mas acredito que, se alguém lhe enviaz flores, é porque quer ser notado.
Aproximei-me dela, o meu tom ficou um pouco mais sério. Tomara que ela não o ache um lunático.
— E eu acho que você deveria ser mais receptiva, mãe. Quem quer que seja, pode ser uma boa pessoa.
Ela ficou em silêncio por um momento, olhando para as flores.
— Se é pelo que conversamos outro dia, esqueça. Não sei quem pode ter enviado isso, mas também não me interessa!
Ela agarrou o buquê, e caminhou até a cozinha, eu a segui. Abriu a lixeira, ela estava hesitante.
Observei minha mãe com o buquê em mãos, prestes a jogar fora. Por um segundo, pensei em intervir, mas sabia que, com ela, eu precisava ser cuidadosa. Relacionamentos eram uma ferida aberta para minha mãe, algo que ela sempre evitava tocar, mas que nunca deixava de doer.
Já a vi pensativa, e sempre acabou chorando. Claro que não me meti, mas agora não sou mais uma criança, e sei que ela precisa de cura, e o que melhor do que um amor.
Ela hesitou, mais uma vez, e seus dedos apertando com força os talos das flores, e eu soube que havia uma brecha.
— Mãe, espera.
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Atualizado até capítulo 113
Comments
Rita do Socorro Caldas Silva
acho que eles foram separados
2025-03-21
2
Vanilde
comecei agora tá muito bom
2025-02-28
2
Eunice Benfica
muito bom o começo
2025-01-03
1