Enquanto Lucca me guiava para fora do salão, meu coração batia mais forte, e não era apenas por causa da dança. A noite estava tomando um rumo que eu nunca imaginei. Ele ainda segurava minha mão com firmeza, me fazendo sentir segura e... animada. Por mais que eu tentasse, não conseguia tirar o sorriso do rosto.
— Então, aonde vamos?
perguntei, olhando para ele de soslaio.
— Tem uma “boate” não muito longe daqui
ele respondeu casualmente, mas com aquele sorriso que denunciava que tinha algo mais em mente.
— Já ouviu falar da Blue Neon?
Eu conhecia de nome. Era um daqueles lugares descolados que eu nunca imaginei entrar, pelo menos não até hoje. Mas, com Lucca, tudo parecia possível.
— Já ouvi, sim. Nunca fui lá, mas... por que não?
Eu ri, tentando parecer mais confiante do que realmente me sentia.
Em poucos minutos, estávamos em um táxi rumo à boate. A noite parecia mágica, e eu estava disposta a aproveitar cada momento, mesmo com aquele pequeno nervosismo no fundo do estômago.
Assim que entramos na Blue Neon, a energia do lugar me atingiu como uma onda. Luzes coloridas piscavam por todo lado, e o som alto da música eletrônica preenchia o espaço, tornando a atmosfera vibrante. O cheiro de bebida e perfume estava no ar, misturado com a excitação das pessoas ao nosso redor.
— Vai uma bebida?
Lucca perguntou, já fazendo sinal para o barman. Eu assenti, um pouco hesitante.
— Uma só
falei, tentando me lembrar de que eu não era exatamente a pessoa mais resistente para álcool, o máximo que já bebi foi algumas taças de vinho, mas nunca mais do que uma.
Tomamos alguns drinks, e logo percebi que minha cabeça começava a ficar mais leve, e o chão parecia um pouco menos estável do que o normal. Ri de algo que Lucca disse, embora eu não tivesse certeza se era tão engraçado assim.
Depois de mais alguns, minha visão começou a ficar um pouco embaçada, e uma sensação estranha tomou conta de mim. Tentei disfarçar, mas o mundo ao meu redor estava girando devagar, como se tudo tivesse ficado fora de foco.
— Lucca... acho que... preciso de um ar
murmurei, tentando me levantar da cadeira. Minha cabeça pesava mais do que deveria, e minhas pernas não respondiam como eu esperava.
Ele me olhou preocupado, se levantando rapidamente para me apoiar.
— Ei, você tá bem? Acho que exagerou nos drinks.
Tentei sorrir, mas senti meu estômago se revirar.
— Eu... só preciso ligar pra a minha mãe...
balbuciei, procurando o celular na bolsa. Meus dedos estavam descoordenados, e tudo parecia mais difícil do que o normal.
Com esforço, consegui encontrar o número da minha mãe e liguei. O telefone tocou algumas vezes antes de alguém atender, mas, para minha surpresa, não era a voz familiar de minha mãe que ouvi.
— Alô?
Era a voz grave e profissional de Elijah.
Levei um momento para processar aquilo.
— Elijah? — perguntei, confusa.
— Blair? O que... o que houve? Por que você está ligando a essa hora no celular da sua mãe? O que há com você?
A preocupação na voz dele era palpável.
- O que faz com o celular da minha mãe? Aí meu Deus, vocês estão trans—ndo?
O ouvi bufar.
- Não, Blair! Ela esqueceu o celular aqui no hospital. Eu só atendi.
Ótimo, pensei, agora além de estar bêbada, estava falando com o doutor que trabalha com minha mãe, e por acaso eu tou tentando juntar com ela. Perfeito.
— Ah, é... engraçada essa história...
tentei rir, mas acabou saindo mais como um gemido.
— Eu meio que... estou passando mal.
— Passando mal?
Elijah soou mais preocupado.
— Onde você está?
— Na... Blue Neon
murmurei, lutando contra a tontura.
— Com um amigo. Mas... acho que bebi demais, bom, nós bebemos demais.
Houve uma pausa do outro lado da linha.
— Fique aí. Estou a caminho
ele disse com firmeza.
Antes que eu pudesse protestar ou dizer qualquer coisa, ele já tinha desligado.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 113
Comments