Eu e Carla saímos do carro de sua mãe, ajustando nossos vestidos sob a luz fraca da entrada do salão. O som abafado da música vinha de dentro, enquanto a noite se desenrolava ao nosso redor, cheia de promessas e ansiedade. Meu coração batia mais rápido do que eu gostaria de admitir, mas Carla, como sempre, parecia completamente à vontade.
— Nervosa?
ela perguntou, dando um sorriso de lado ao ver minhas mãos inquietas.
— Eu? Não...
tentei soar convincente, mas ela riu, me empurrando levemente com o cotovelo.
— Ah, claro. Você, a calmaria em pessoa.
Carla balançou a cabeça e piscou.
— Relaxe, Blair. Hoje é a nossa noite. Sem estresse. Sem expectativas.
Eu ri, sabendo que ela estava certa. Ainda assim, enquanto entrávamos, meus olhos varreram o salão, procurando por ele. Lucca. Só de pensar no nome, senti meu estômago revirar. Eu nego a mim mesma, mas eu gosto dele, e ele tem essa maneira de ser meu amigo que as vezes me irrita.
As luzes coloridas refletiam nos espelhos e no chão, criando uma atmosfera quase mágica. As pessoas dançavam, conversavam, tiravam fotos, como se não houvesse amanhã. Era o nosso último, o baile de formatura, para mim, tudo parecia amplificado pela presença de Lucca, em algum lugar entre a multidão.
— Vamos pegar algo para beber
Carla sugeriu, puxando-me em direção à mesa de bebidas, os ponches coloridos espalhados na mesa. E os baldes de gelo cheios de refrigerante.
Eu a segui, ainda perdida em pensamentos, até que o vi. Lucca, encostado na parede, conversando com alguns amigos. Ele usava um terno que parecia feito sob medida, e o sorriso dele... Bom, o sorriso era o mesmo que me fazia perder o fôlego desde a primeira vez que o vi no colégio.
— Lá está ele
sussurrei, tentando não parecer desesperada.
Carla olhou na direção dele e sorriu.
— Você tem que falar com ele hoje. Nada de deixar para lá, não tentei mentir para mim de novo. Ou eu vou e falo por você.
— Nem pensar!
quase gritei, o que fez Carla rir.
Peguei a lata de refrigerante, tentando me acalmar. Era agora ou nunca. Se eu deixasse a noite passar sem falar com ele, talvez nunca mais tivesse outra chance, ou coragem.
Carla me deu um empurrãozinho.
— Vai logo, Blair. Não seja boba. Eu vou dar uma volta e deixar você brilhar.
Respirei fundo, observando-a se afastar, e me virei na direção de Lucca. Cada passo parecia ecoar na minha cabeça. Será que ele já tinha notado? Será que sabia o quanto eu gostava dele? E, pior, será que ele sentia o mesmo?
Finalmente, cheguei perto o suficiente para que ele me visse. Nossos olhos se encontraram, e, por um segundo, o mundo pareceu parar.
— Blair!
Ele sorriu, e o nervosismo que eu sentia derreteu um pouco.
— Oi, Lucca.
Tentei soar casual, mas acho que minha voz saiu um pouco mais alta do que eu planejava. E ele sorriu mais, e eu senti minhas bochechas esquentarem.
— Você está incrivelmente linda
ele disse, os olhos varrendo meu vestido vermelho. Meu rosto ardeu mais, devo parecer um pimentão agora
Eu sorri, sentindo o calor aumentar cada vez mais no meu rosto.
— Obrigada. Você também está... bem elegante.
Lucca riu, um som suave, e eu senti o nervosismo dar lugar a uma sensação de conforto. Era agora. Era o momento que eu vinha esperando.
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Atualizado até capítulo 113
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