As luzes dos carros do governo cortavam a escuridão que começava a se instalar, refletindo na fumaça que ainda subia do Reformatório Peixe Vermelho em chamas. A cena era de desolação, mas também de esperança, pois heróis locais começavam a chegar, prontos para avaliar a situação e oferecer ajuda.
Void, sentado sobre um escombro, observava a movimentação com um olhar cansado. Sujo de fuligem e concreto, ele parecia uma sombra do que era antes, mas ainda mantinha um espírito resiliente. Quando percebeu a aproximação dos heróis, não pôde deixar de soltar uma risada suave, apesar do cenário trágico.
“Vocês acham que não dá meio tarde?” ele disse, seu tom sarcástico contrastando com a gravidade da situação. O riso escapou de seus lábios, quase como um mecanismo de defesa diante do caos que o cercava.
Os heróis, atraídos pelo som, se aproximaram dele, seu semblante preocupado. Um deles, uma mulher com uma armadura brilhante e um símbolo de justiça em seu peito, foi a primeira a reconhecer Void. “Você está bem?” ela perguntou, sua voz cheia de preocupação. “O que aconteceu aqui?”
Void se endireitou um pouco, tentando parecer mais apresentável. “Bem, parece que a festa de despedida não saiu como planejado,” ele respondeu, com um sorriso irônico. “Acho que a revolução não foi tão bem-sucedida quanto esperávamos.”
Os heróis trocaram olhares, percebendo que ele estava mais calmo do que esperavam. “Você é o único que ficou?” perguntou um jovem herói, seu olhar ansioso. “Onde estão os outros internos?”
“Eles se juntaram a um grupo de vilões. A revolta tomou conta, e eu... bem, eu decidi não seguir o mesmo caminho,” Void explicou, sua voz mais séria agora. “Acredito que eles estavam desesperados. O lugar que deveria ser um refúgio se tornou uma prisão.”
A heroína, que se apresentou como Astra, assentiu lentamente. “Entendemos. Mas agora precisamos agir. Precisamos garantir que todos os internos estejam seguros e que a ameaça dos vilões não se espalhe por aí.”
Void olhou para as chamas ainda crepitantes ao fundo e sentiu uma onda de determinação. “Posso levá-los até onde os outros foram vistos. Eles não estão longe, mas precisarão de alguém que os entenda. Eles não são vilões; são pessoas perdidas.”
Os heróis se entreolharam, percebendo que Void, apesar de ser um prisioneiro, tinha uma compreensão profunda da situação e dos internos. “Pode nos ajudar a convencê-los a desistir?” Astra perguntou, seu olhar fixo em Void.
“Sim, eu posso,” ele respondeu, com um novo senso de propósito. “Mas será preciso mais do que força. Precisaremos de empatia e compreensão. Essa revolta não é apenas sobre liberdade; é sobre a dor que todos carregamos.”
Com isso, Void, agora não apenas um sobrevivente, mas um mediador, se levantou das pedras e se juntou aos heróis. Eles se prepararam para a jornada, sabendo que a verdadeira batalha estava prestes a começar — não nas chamas do reformatório, mas nos corações daqueles que se deixaram levar pela revolta.
Enquanto se afastavam dos escombros, as chamas dançavam ao fundo, uma lembrança do que havia sido e do que ainda poderia ser. O caminho para a redenção e a paz estava apenas começando, e com Void ao seu lado, os heróis estavam prontos para enfrentar o que quer que viesse a seguir.
Void observou os heróis com um olhar sério, mas ao mesmo tempo esperançoso. Ele sabia que, por ser o único preso que restava, havia uma pressão sobre ele. No entanto, sua experiência no Reformatório Peixe Vermelho o ensinou a ser resiliente e a lutar pelas suas convicções.
“Então, o que vocês vão fazer comigo agora que sou o único preso que sobrou?” ele perguntou, sua voz tranquila, mas com um toque de curiosidade. “Uma boa opção seria me libertar, já que eu fui preso sem provas concretas e, bem, sempre procurei agir da melhor forma possível. Nunca fiz nada de errado.”
Os heróis se entreolharam, avaliando as palavras de Void. Astra, a heroína que havia se apresentado anteriormente, foi a primeira a responder. “Sabemos que a situação no reformatório foi complicada, e que muitos internos foram levados a fazer escolhas que não refletiam quem realmente são. O que você nos diz é importante, e estamos dispostos a ouvi-lo.”
“Mas a questão é: o que você deseja agora?” perguntou um dos outros heróis, um homem forte com um olhar sério. “Você ainda é um prisioneiro e precisa entender que precisamos garantir a segurança de todos, incluindo a sua.”
Void assentiu, compreendendo a gravidade da situação. “Eu entendo. Mas a verdade é que eu não sou uma ameaça. O Reformatório deveria ser um lugar de reabilitação, não de punição. Eu só quero uma chance de provar que posso ser útil, de ajudar a resolver essa situação e, quem sabe, até mesmo a redimir aqueles que se afastaram.”
Astra olhou para ele com consideração. “Você realmente acredita que pode ajudar seus amigos? Que pode convencê-los a desistir de seguir esse caminho?”
“Sim, eu acredito,” Void respondeu, sua voz firme. “Eles precisam de alguém que os entenda, não de mais violência. Se eles me ouvirem, talvez possam reconsiderar. A revolta foi um grito de desespero, não uma verdadeira intenção de causar mal.”
Os heróis refletiram sobre suas palavras. Eles sabiam que Void não era um criminoso comum; ele havia passado por experiências que moldaram sua perspectiva. Ele poderia ser a chave para resolver a situação sem mais derramamento de sangue.
“Está bem, Void,” Astra finalmente disse, sua determinação crescendo. “Se você se comprometer a nos ajudar a encontrar os outros internos e a convencê-los a desistir, podemos considerar sua libertação. Mas precisaremos de sua ajuda para garantir que eles se sintam seguros e ouvidos.”
Void sorriu, aliviado. “Eu aceito. Estou disposto a fazer o que for preciso para ajudar.”
Com isso, os heróis e Void se prepararam para partir em busca dos outros internos, determinados a trazer paz de volta ao Reformatório Peixe Vermelho e a dar a Void a chance de se redimir. Ele sabia que a estrada à frente seria difícil, mas a esperança de um novo começo o impulsionava a seguir em frente.
Enquanto se afastavam do local em chamas, Void sentiu que talvez, apenas talvez, ainda houvesse uma chance de reescrever sua história e a de seus amigos, transformando a dor em um futuro de esperança e mudança.
Void respirou fundo, sentindo a raiva crescer dentro de si ao mencionar o nome de Emanuel Kaiser. Sua expressão se tornou mais intensa, e ele continuou: “E eu também tenho contas a acertar com um tal... Emanuel Kaiser... ou mais conhecido como Kaiser.” O nome saiu de seus lábios com um tom arrastado, quase como se estivesse saboreando a arrogância do homem que havia lhe causado tanto sofrimento.
“Ele e mais alguns vão pagar. Tenho contas a acertar com eles,” Void afirmou, sua voz carregada de determinação. No entanto, ele rapidamente acrescentou: “Mas não pretendo matar ninguém. O que quero é que eles se arrependam do que fizeram comigo e com os outros. Quero que eles sintam o peso das suas ações.”
Os heróis o ouviram com atenção, percebendo a profundidade de sua dor e a intensidade de suas emoções. Astra, mais uma vez, foi a primeira a responder. “Entendemos que você está ferido, Void. E não podemos ignorar o que Kaiser e os outros fizeram. Mas precisamos garantir que isso não se transforme em mais violência. A vingança pode ser uma armadilha perigosa.”
Void assentiu, reconhecendo a sabedoria nas palavras dela. “Eu sei, e não quero perpetuar um ciclo de violência. O que eu desejo é que eles enfrentem as consequências de suas ações. Precisamos mostrar que não são invulneráveis e que suas escolhas têm um impacto real nas vidas das pessoas.”
O herói forte, que até então permaneceu em silêncio, interveio. “Se você se comprometer em fazer isso da maneira certa, podemos ajudar. Podemos reunir provas e testemunhos sobre as ações de Kaiser e outros. Isso pode ser mais eficaz do que um confronto direto.”
“Exatamente,” Astra concordou. “Se você puder nos ajudar a encontrar os outros internos e convencê-los a depor, podemos construir um caso forte contra eles. Isso não só ajudará você, mas também pode evitar que outros passem pelo que você passou.”
Void ponderou sobre isso, sua mente começando a se acalmar. A ideia de usar a justiça, em vez da vingança, como uma ferramenta para enfrentar seus opressores era tentadora. “Certo, eu posso fazer isso. Vou ajudar vocês a encontrar os outros e a reunir as provas necessárias. Mas ainda quero um encontro com Kaiser. Ele precisa saber que não pode escapar impune.”
Os heróis trocaram olhares, percebendo a determinação em Void. “Nós faremos o possível para garantir que você tenha essa chance,” Astra prometeu. “Mas precisamos de sua ajuda para que tudo isso funcione. Juntos, podemos fazer a diferença.”
Com um novo senso de propósito, Void se juntou aos heróis, determinado a enfrentar os desafios que estavam por vir. Enquanto caminhavam em direção a um futuro incerto, ele sentiu que estava finalmente no caminho certo para enfrentar seus demônios e buscar a justiça que tanto desejava. O confronto com Kaiser se aproximava, mas agora, ele estava preparado para lutar de maneira inteligente e justa, e não apenas com raiva.
Astra olhou para Void com um semblante de preocupação, percebendo que ele precisaria de mais do que apenas apoio psicológico naqueles momentos difíceis. “Vou cuidar de você enquanto a Dra. Isadora estiver na capital,” ela decidiu, determinada a garantir que Void tivesse o apoio necessário. “Precisamos garantir que você esteja seguro e se recuperando.”
“Você não precisa fazer isso,” Void respondeu, um pouco surpreso com a oferta. “Eu posso me cuidar.”
“Eu insisto,” Astra afirmou, sua voz firme, mas compreensiva. “Você passou por muita coisa e precisa de tempo para processar tudo. Além disso, precisamos montar um plano para lidar com Kaiser e os outros. Vamos para minha casa. É um lugar seguro e podemos conversar com calma.”
Com isso, Astra conduziu Void para longe do caos do reformatório em chamas. Os outros heróis ficaram para trás, prontos para ajudar a organizar os esforços de resgate e garantir que os internos que se afastaram fossem recuperados e orientados.
Enquanto caminhavam, Astra conversava com Void sobre a situação, ouvindo suas preocupações e medos. “Eu sei que isso tudo deve parecer uma montanha-russa. Mas você não está sozinho. Temos um objetivo em mente, e juntos seremos mais fortes,” ela disse, tentando encorajá-lo.
Void, por sua vez, começou a se sentir mais à vontade na companhia de Astra. Havia algo reconfortante em sua presença, e ele apreciava o fato de que alguém se preocupava genuinamente com seu bem-estar. “Obrigado por isso. Eu realmente não esperava que alguém quisesse me ajudar,” ele confessou, olhando para o chão enquanto caminhavam.
“Você merece isso,” Astra respondeu, sorrindo. “Todos nós fazemos escolhas erradas em algum momento, e isso não define quem somos. O importante é o que fazemos a seguir.”
Ao chegarem à casa de Astra, ela o convidou a entrar. O ambiente era acolhedor, com móveis confortáveis e uma atmosfera tranquila. “Sinta-se em casa,” ela disse, gesticulando para que Void se acomodasse em um sofá. “Vou preparar algo para você comer.”
Enquanto ela se dirigia para a cozinha, Void olhou ao redor, sentindo um misto de gratidão e alívio. Era um contraste marcante em relação ao que havia vivido no reformatório. Ele se permitiu relaxar um pouco, sabendo que estava em um lugar seguro.
Astra logo voltou com um lanche simples, oferecendo a Void um prato com frutas e sanduíches. “Espero que goste. É o que eu tinha por aqui,” ela disse, sentando-se ao lado dele.
“Parece ótimo. Obrigado,” Void respondeu, pegando um pedaço de fruta e levando-o à boca. Ele percebeu que, apesar de tudo o que havia acontecido, estava começando a se sentir um pouco mais esperançoso.
Enquanto comiam, eles discutiram os próximos passos. Astra compartilhou informações sobre os heróis que estavam ajudando e como planejava abordar a situação em relação a Kaiser e os outros. Void, por sua vez, começou a formular suas próprias ideias sobre como poderia ajudar e o que gostaria de dizer a Kaiser quando tivesse a oportunidade.
Com o tempo, a conversa fluiu naturalmente, e Void se sentiu mais à vontade para compartilhar suas preocupações e esperanças. A conexão que estava se formando entre eles era sólida, e ele percebeu que, juntos, poderiam enfrentar os desafios que estavam por vir.
A noite avançava, e Void sabia que ainda havia um longo caminho pela frente, mas, pela primeira vez em muito tempo, ele sentia que havia uma luz no fim do túnel. Com Astra ao seu lado, ele estava pronto para enfrentar o que quer que viesse a seguir.
...Fim...
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Atualizado até capítulo 123
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