A noite caía lentamente sobre o Reformatório Peixe Vermelho, e as luzes do corredor começaram a se apagar uma a uma, mergulhando o ambiente em uma escuridão opressiva. O único som que se ouvia era o eco distante dos passos dos guardas, que agora patrulhavam os corredores, assegurando que todos os detentos estivessem em suas celas.
Void estava deitado em sua cama, olhando para o teto da cela, sua mente ainda agitada pelas conversas do dia. Ao seu lado, Kai estava sentado na beirada da cama, observando as janelas embaçadas pela umidade e pela tempestade que se aproximava.
— Olha lá fora — disse Kai, apontando para a janela. — Está começando a chover.
Void se levantou e se aproximou da janela, seus olhos fixos no céu escuro. Relâmpagos iluminavam as nuvens pesadas, e o som distante do trovão reverberava pelo ar, como se o céu estivesse prestes a explodir. A tempestade parecia se refletir na turbulência que estava acontecendo dentro do reformatório, mas, estranhamente, havia algo que atraía os detentos.
— É incrível, não é? — comentou Lira, com um brilho nos olhos enquanto se juntava a eles na janela. — Não sei, mas essas tempestades sempre me deram uma sensação de liberdade, como se o mundo estivesse se revirando.
Jax, que estava encostado na parede, cruzou os braços e sorriu.
— Concordo. Há algo na fúria da natureza que nos lembra que estamos vivos. É como se a tempestade estivesse nos dizendo para não nos conformarmos — disse ele, sua voz cheia de empolgação.
Void sentiu uma onda de identificação. Embora a tempestade lá fora representasse o caos, também trazia uma energia eletrizante, uma sensação de que mudanças estavam no ar.
— É como se tudo estivesse prestes a mudar — acrescentou Kai, observando as gotas de chuva escorrendo pelas janelas. — E isso pode ser uma oportunidade para nós.
Enquanto a chuva começava a bater contra as janelas com mais intensidade, os relâmpagos iluminavam brevemente a cela, revelando as sombras que dançavam nas paredes. A escuridão parecia se aproximar, mas, em vez de se sentirem intimidados, os amigos estavam animados com a intensidade do momento.
— Vamos aproveitar essa energia — sugeriu Void, seu tom decidido. — Se Rax realmente estiver planejando algo, podemos usar a tempestade a nosso favor. Ninguém vai notar o que estamos fazendo.
Lira sorriu, animada com a ideia.
— Isso mesmo! A tempestade pode nos dar a cobertura que precisamos. Podemos nos reunir com outros detentos e discutir nossas estratégias sem que Rax perceba.
Jax assentiu, sua expressão determinada.
— Precisamos agir rápido. Se formos inteligentes, podemos surpreendê-los e ganhar vantagem.
Enquanto a tempestade rugia lá fora, os quatro amigos se uniram, formando um círculo de determinação e camaradagem. Eles estavam prontos para enfrentar qualquer desafio que surgisse, aproveitando a tempestade como um símbolo de mudança e resistência.
O rugido do trovão ecoou, e Void sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não era de medo. Era de excitação. A batalha que se aproximava não seria apenas contra Rax e seus aliados, mas também uma luta pela liberdade e pela união que estavam construindo juntos.
E assim, enquanto a tempestade se intensificava lá fora, os detentos se preparavam para a tempestade que se formava dentro do reformatório, prontos para se levantarem e reivindicarem seu lugar.
Vamos continuar a cena, onde a tensão aumenta com a aparição da criatura misteriosa:
O tempo passou, e a tempestade lá fora continuava a rugir, a chuva batendo contra as janelas com força. Void e os outros na cela tentavam se concentrar em seus planos, mas o som constante da tempestade e o eco dos trovões tornavam difícil manter a calma. A atmosfera estava carregada de expectativa, e a adrenalina corria nas veias de todos.
Então, no meio do caos da tempestade, um novo som quebrou a monotonia: passos. Mas não eram os passos pesados dos guardas. Eram diferentes, mais suaves e, ao mesmo tempo, mais sinistros. Void franziu a testa, sua atenção imediatamente voltada para a origem do som.
— O que foi isso? — sussurrou Lira, seus olhos arregalados enquanto todos se viravam para a porta da cela.
Kai se aproximou da pequena janelinha, tentando espiar pelo buraco. Void o seguiu, sentindo uma mistura de medo e curiosidade. O que poderia estar se movendo nos corredores do reformatório em uma noite como aquela?
Quando Kai finalmente conseguiu olhar, seus olhos se alargaram em choque.
— É... é uma criatura! — ele exclamou, recuando rapidamente.
Void se aproximou, sua respiração acelerada. Quando finalmente conseguiu olhar, seu coração disparou. À luz intermitente dos relâmpagos, ele viu uma figura estranha e aterrorizante. A criatura tinha olhos negros como carvão, profundos e sem vida, e vários braços que se estendiam para fora de suas costas, parecendo tentáculos.
— O que é isso? — murmurou Jax, sua voz baixa e cheia de temor. — Parece um demônio.
— É uma criatura especial, usada para capturar prisioneiros que tentam fugir pelos corredores — respondeu Kai, seu tom tenso. — Já ouvi falar dela antes, mas nunca pensei que fosse real.
Void sentiu um frio na barriga. Ele sabia que a situação estava se tornando mais perigosa do que jamais imaginara. Se aquela criatura estava ali, era um sinal de que as coisas estavam prestes a mudar.
— Não faça barulho! — sussurrou Kai, a voz trêmula, enquanto todos seguravam a respiração.
A criatura parecia hesitar, como se estivesse avaliando a situação. Void sentiu o coração acelerar. Ele sabia que a tempestade do lado de fora não era a única ameaça naquela noite. A verdadeira tempestade estava prestes a se desatar dentro do reformatório, e eles precisavam estar prontos para enfrentar o desconhecido que se aproximava.
Então, de repente, um som de gritos ecoou pelo corredor. Era um prisioneiro que havia se perdido, e a criatura avançou em direção ao barulho. Void fechou os olhos por um momento, imaginando o que poderia acontecer. A sensação de desespero e impotência tomou conta dele.
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Atualizado até capítulo 123
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