A tempestade rugia lá fora, com o vento e a chuva golpeando as janelas do reformatório. Dentro da cela, um silêncio pesado dominava o ambiente. Os ecos dos gritos agonizantes de um prisioneiro capturado pela criatura ressoavam pelos corredores, misturando-se ao som aterrador de carne sendo despedaçada e ossos quebrando.
Void, Kai, Lira e Jax estavam imóveis, com os rostos pálidos enquanto tentavam compreender a cena horrível que se desenrolava nas proximidades. O pânico que antes os unia agora se transformava em um sentimento de impotência e terror.
— Isso não pode estar acontecendo — murmurou Lira, cobrindo a boca com as mãos, seus olhos arregalados em choque. — Não podemos ficar aqui ouvindo isso.
Kai estava encostado na parede, sua respiração rápida e irregular.
— O que estamos esperando? Devemos fazer algo! — exclamou, a voz trêmula. — Se permanecer aqui, poderemos ser os próximos!
— E o que podemos fazer? — retrucou Jax, sua voz baixa, quase um sussurro. — Estamos presos. Não temos como sair.
Void sentiu o peso da realidade. Cada grito que ecoava pelo corredor parecia um lembrete de sua vulnerabilidade. Ele sabia que a criatura caçava prisioneiros desavisados, e agora, a possibilidade de ser capturado o deixava paralisado.
— Precisamos manter a calma — disse Void, tentando controlar a situação. — Temos que pensar juntos. Se permanecermos unidos, talvez possamos encontrar uma forma de nos proteger.
O grupo ficou em silêncio, a tensão palpável enquanto tentavam absorver a gravidade do que estavam enfrentando. O som da chuva e do vento parecia ensurdecedor, contrastando com a ausência dos gritos, que agora cessaram abruptamente. O reformatório parecia reter a respiração, como se a própria estrutura estivesse ciente da tragédia que ocorreu.
— O que aconteceu? — perguntou Lira, seu olhar ansioso alternando entre os outros e a porta da cela. — O que essa criatura fez?
— Eu... não quero nem imaginar — Kai sussurrou, seus olhos fixos no chão. — Aquilo não era humano.
Jax, inquieto, começou a andar de um lado para o outro, a energia nervosa o dominando.
— Se essa criatura está à solta e voltar aqui, estaremos perdidos! — disse ele, a voz cheia de desespero. — Precisamos encontrar uma maneira de nos proteger!
Void sentiu uma onda de frustração. O que poderiam fazer? Estavam presos, e a única coisa que podiam fazer era ouvir o horror do lado de fora.
— Precisamos ficar em silêncio — advertiu ele. — Se ela estiver por aqui, qualquer barulho pode nos entregar.
Os murmúrios de medo e incerteza começaram a se espalhar pela cela. Lira começou a tremer, e Void sabia que o medo estava tomando conta deles.
— E se não conseguirmos sair? — Lira perguntou, a voz trêmula. — E se ela voltar?
— Não podemos pensar assim — respondeu Kai, tentando infundir um pouco de esperança. — Precisamos esperar e ver o que acontece. Se ela não nos encontrar, talvez possamos sair mais tarde.
Void assentiu, esforçando-se para transmitir determinação.
— Estamos juntos nisso. Precisamos nos apoiar mutuamente e manter a calma — disse, sua voz firme, embora o medo ainda pulsasse dentro dele.
O silêncio caiu novamente, e a tempestade lá fora parecia intensificar-se, como se refletisse o tumulto interior deles. Enquanto esperavam, os murmúrios de incerteza e medo reverberavam em suas mentes.
À medida que a noite avançava, as luzes do corredor foram sendo apagadas gradualmente, mergulhando o reformatório em uma escuridão quase total. O som da chuva ainda ecoava, mas agora, a calma da noite parecia sufocante.
— Devemos tentar descansar — sugeriu Kai, sua voz suave. — Se não conseguirmos dormir, vamos enlouquecer.
— Como podemos dormir sabendo que a criatura está à solta? — indagou Jax, incrédulo.
— Não temos escolha. Precisamos recuperar energias para o que está por vir — respondeu Void, tentando ser prático. — Vamos tentar esquecer, mesmo que por um momento. O que aconteceu foi horrível, mas não podemos permitir que isso nos consuma.
Lira respirou fundo, esforçando-se para se acalmar. — Tudo bem. Vamos tentar. Mas, por favor, que ninguém se afaste.
Assim, um a um, foram se deitando em suas camas, os pensamentos ainda girando em suas mentes. Void fechou os olhos, mas as imagens do que ouviram ainda persistiam. A tempestade continuava a rugir lá fora, mas ele tentava se concentrar apenas na respiração tranquila e na presença dos amigos ao seu lado.
Enquanto a noite se arrastava, cada um deles lutava contra o medo e a incerteza, buscando consolo na companhia uns dos outros. Assim, no meio da tempestade e do terror, Void e seus amigos tentaram se entregar ao sono, na esperança de que ao amanhecer, tudo fosse diferente.
Os primeiros raios de sol filtravam-se através das janelas embaçadas da cela, anunciando o início de um novo dia. Void despertou com um sobressalto, a memória dos gritos e da criatura ainda fresca em sua mente. Ele se sentou na cama, tentando dissipar a sensação de terror que o envolvia. Ao olhar ao redor, viu que os outros também estavam acordando.
— Bom dia... ou algo assim — disse Kai, espreguiçando-se enquanto bocejava. Seu olhar estava distante, reflexivo.
— Espero que hoje seja um dia melhor — murmurou Lira, passando a mão pelos cabelos desgrenhados. — Ontem à noite foi horrível.
Jax, que estava sentado na beirada da cama, balançou a cabeça em concordância.
— Precisamos ir ao refeitório. Já deve ser hora do café da manhã — comentou ele, sua voz carregada de cansaço. — Precisamos nos alimentar e tentar colocar as coisas em ordem.
Void assentiu. A ideia de sair da cela e se reunir a outros prisioneiros parecia uma boa forma de distrair a mente e, quem sabe, descobrir mais sobre a situação.
— Vamos, então — disse Void, levantando-se. — Precisamos ter cuidado, mas não podemos deixar o medo nos controlar.
Os quatro amigos se dirigiram à porta, o coração acelerado com a ideia de enfrentar o que estava por vir. Ao abrir a porta da cela, foram recebidos pelo cheiro familiar da comida sendo preparada, um alívio em meio à tensão que ainda pairava no ar.
À medida que caminhavam pelos corredores, o silêncio que os envolvia era quase palpável. A lembrança do que haviam ouvido na noite anterior ainda pairava em suas mentes, mas todos tentavam se concentrar em algo mais positivo.
Assim que chegaram ao refeitório, encontraram algumas mesas ocupadas por outros prisioneiros, que falavam em sussurros, trocando olhares nervosos. Void e seus amigos se sentaram juntos em uma mesa isolada, e a conversa logo começou.
— Vocês ouviram o que aconteceu com aquele prisioneiro? — começou Kai, olhando para os outros com preocupação. — Ele não merecia aquilo.
— Ninguém merece — respondeu Lira, a voz tremendo. — Eu não consigo parar de pensar no que aconteceu. A criatura... era como um pesadelo.
— Precisamos ser mais cautelosos. Se ela está à solta, não podemos dar bobeira — adicionou Jax, sua expressão séria. — Precisamos nos manter juntos e atentos.
Void respirou fundo, tentando reunir seus pensamentos.
— Não podemos deixar que isso nos consuma. Precisamos nos concentrar em encontrar uma saída. Se estivermos cientes do que está acontecendo ao nosso redor, talvez consigamos evitar outro ataque — disse ele, sua voz firme.
— Concordo — disse Kai, olhando em volta. — Mas também precisamos saber mais sobre a criatura. Alguém já viu algo assim antes?
— Eu ouvi histórias, mas nunca pensei que fossem verdade — Lira comentou, balançando a cabeça. — Dizem que ela é uma espécie de guardião do reformatório, sempre à espreita para pegar quem se atreve a ficar fora de suas celas.
— Isso só torna tudo mais aterrorizante — murmurou Jax, olhando para o prato à sua frente. — Precisamos ter um plano. Não podemos ser pegos de surpresa novamente.
Enquanto os quatro amigos continuavam a discutir, o café da manhã era servido, mas a comida parecia sem sabor diante da gravidade da situação. Eles sabiam que, independentemente do que acontecesse, precisavam permanecer unidos e alertas.
E assim, enquanto o dia começava a se desenrolar, Void e seus amigos se preparavam para enfrentar não apenas os desafios do reformatório, mas também o terror que se esconde nas sombras.
...Fim ...
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Atualizado até capítulo 123
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