No reformatório, enquanto os prisioneiros enfrentavam seus medos e inseguranças, uma equipe de cientistas trabalhava em um projeto secreto nas profundezas do complexo. Eles estavam obcecados por um novo mecanismo que haviam desenvolvido: um dispositivo chamado "Transportador", que prometia levar indivíduos ao passado. As implicações de tal invenção eram imensas, e a curiosidade dos cientistas os impulsionava a testar seus limites.
Após semanas de pesquisas e experimentos, os cientistas finalmente estavam prontos para a fase de testes. Eles precisavam de um sujeito que pudesse usar o Transportador e, após uma análise cuidadosa dos prisioneiros, decidiram que Void era a escolha ideal. Sua inteligência e adaptabilidade eram características que poderiam ser cruciais para o sucesso da missão de “exploração”.
Assim, um grupo de cientistas se dirigiu ao pátio, onde Void e seus amigos estavam conversando. A atmosfera estava carregada de expectativa quando um dos cientistas, um homem de óculos e cabelos desgrenhados, se aproximou de Void.
— Void, você tem um momento? Precisamos conversar — disse o cientista, com um olhar ansioso.
Void trocou olhares com Lira, Jax e Kai, intrigado com a súbita atenção que estava recebendo.
— Claro, o que está acontecendo? — respondeu ele, curioso.
O cientista gesticulou para que Void o seguisse, e logo ele foi conduzido até uma sala isolada, longe do olhar atento dos outros prisioneiros. Ao entrar na sala, Void ficou impressionado com a tecnologia que o cercava. O lugar estava repleto de equipamentos sofisticados, luzes piscando e uma mesa central onde o Transportador estava posicionado.
— Este é o nosso mais recente projeto — explicou o cientista, apontando para um grande relógio com engrenagens complexas e uma tela iluminada. — Ele é capaz de manipular o tempo e levar alguém ao passado. Precisamos de alguém que compreenda bem a situação e que possa lidar com as consequências.
Void olhou para o dispositivo, uma mistura de fascínio e apreensão preenchendo seu coração.
— E você acha que eu sou a pessoa certa para isso? — perguntou ele, hesitante.
— Sim, acreditamos que você possui as habilidades necessárias — respondeu o cientista, a voz cheia de entusiasmo. — Além disso, suas experiências no reformatório podem nos ajudar a entender melhor o que aconteceu no passado e como isso se relaciona com o presente.
Void ponderou sobre a proposta. A ideia de viajar no tempo era aterrorizante e fascinante ao mesmo tempo. Ele se lembrou das histórias sobre o que havia acontecido no reformatório, as experiências e o sofrimento dos prisioneiros que vieram antes dele.
— E se algo der errado? — questionou ele, preocupado. — O que acontece se eu não conseguir voltar?
— Nós nos certificaremos de que você terá um retorno seguro — garantiu o cientista, seu tom sério. — Temos um sistema de segurança que garantirá sua volta ao presente. O risco é grande, mas as recompensas podem ser ainda maiores.
Void sentiu o peso da decisão em seus ombros. Ele sabia que essa poderia ser uma oportunidade única de entender melhor o que havia acontecido no reformatório e, quem sabe, até ajudar a mudar o futuro.
— Estou disposto a tentar — disse ele, finalmente, a determinação crescendo dentro dele. — Se isso pode nos ajudar a escapar desse lugar, eu farei.
Os cientistas trocaram olhares de aprovação, e um sorriso de alívio se espalhou pelo rosto do cientista que o havia abordado.
— Ótimo! Vamos nos preparar para o teste — disse ele, ajustando os controles do Transportador. — Você ficará seguro. É hora de descobrir o que o passado tem a nos ensinar.
Void se aproximou do relógio, sentindo uma mistura de expectativa e medo. Ele estava prestes a embarcar em uma jornada que poderia mudar tudo. Enquanto o mecanismo começava a girar e a luz pulsava em um ritmo acelerado, ele respirou fundo, preparado para o desconhecido.
Void ficou em pé diante do Transportador, seu coração acelerando à medida que a máquina começava a emitir um zumbido suave. Ele se lembrou das instruções que os cientistas lhe deram e se preparou mentalmente para o que estava prestes a acontecer. Com um passo hesitante, ele colocou a mão sobre o relógio, sentindo a frieza do metal em contato com sua pele.
A luz do Transportador brilhou intensamente, preenchendo a sala com uma aura quase hipnótica. Um torvelinho de cores começou a girar ao seu redor, e Void sentiu uma força invisível puxá-lo para dentro do mecanismo. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, a realidade ao seu redor se desfez em um borrão de luz e som.
Então, com um impacto repentino, ele se viu de pé em uma paisagem completamente diferente. O ar era fresco e carregado com o cheiro de terra molhada e fumaça. Ao olhar ao redor, Void percebeu que estava em uma vasta campina, com colinas ondulantes e um céu cinzento se estendendo acima dele. A atmosfera estava carregada com um senso de urgência e tensão.
Ele viu ao longe uma série de tendas montadas, e o som de tambores e gritos de comando ecoava pelo ar. Void rapidamente percebeu que havia sido transportado para a Europa durante as guerras napoleônicas. O cenário estava repleto de soldados em uniformes coloridos, marchando em formação e preparando-se para o que parecia ser uma batalha iminente.
— Incrível... — murmurou ele, maravilhado e atordoado com a nova realidade.
Tentando se manter discreto, Void começou a caminhar em direção ao acampamento militar. Ele observava as interações entre os soldados, o nervosismo em seus rostos, e a determinação em seus olhos. O ambiente pulsava com uma energia intensa, e ele podia sentir a tensão no ar.
Enquanto se aproximava, um grupo de soldados se reuniu em torno de um oficial que estava fazendo um discurso. Void escutou atentamente, tentando captar o que estava acontecendo.
— Hoje, lutaremos pela liberdade e pelo futuro da nossa nação! — proclamou o oficial, sua voz ressoando com fervor. — O inimigo está se aproximando, e devemos mostrar coragem em face do perigo!
Void sentiu um frio na barriga. Ele estava no meio de um conflito histórico, e a realidade do que estava prestes a acontecer o atingiu como um soco no estômago. A ideia de que ele poderia ser um testemunha crucial dos eventos que moldariam o futuro era ao mesmo tempo estimulante e assustadora.
A multidão de soldados começou a se dispersar, preparando-se para a batalha. Void, sem saber exatamente o que fazer, decidiu se manter perto do acampamento, observando as preparações. Ele precisava entender mais sobre o que estava acontecendo e como poderia usar essa experiência para ajudar seus amigos no reformatório.
Enquanto ele se movia pela área, encontrou um jovem soldado, nervoso e hesitante. O rapaz parecia ter a mesma idade de Void, e sua expressão refletia a ansiedade de quem estava prestes a entrar em combate.
— Você também está com medo? — perguntou o jovem, lançando um olhar curioso para Void.
— É natural sentir isso — respondeu Void, tentando parecer confiante. — Mas precisamos nos manter firmes e lutar pelo que acreditamos.
O jovem assentiu, buscando coragem nas palavras de Void. Eles trocaram algumas palavras, e Void percebeu que, mesmo em tempos de guerra, havia um desejo humano de conexão e apoio.
À medida que o céu escurecia e os sons da batalha se tornavam mais intensos, Void sabia que precisava se preparar para o que estava por vir. Ele não estava apenas observando a história, mas poderia, de alguma forma, influenciar os eventos que estavam prestes a acontecer. A responsabilidade pesava sobre seus ombros, mas a determinação de compreender o passado e ajudar seus amigos o impulsionava a seguir em frente.
Com o coração acelerado e a mente borbulhando de possibilidades, Void se preparou para enfrentar os desafios que viriam, decidido a descobrir o que o passado tinha a oferecer e como isso poderia impactar seu futuro.
Enquanto a tensão aumentava ao redor do acampamento, Void sentiu o peso da responsabilidade crescendo em seus ombros. Ele havia testemunhado o nervosismo dos soldados e a determinação do jovem que conhecera, e isso o fez refletir sobre o que era realmente importante. A batalha estava prestes a começar, e a incerteza pairava no ar como uma nuvem ameaçadora.
Ele se afastou do grupo e começou a pensar em suas opções. O que ele havia aprendido com os cientistas no reformatório estava ecoando em sua mente. O Transportador tinha o poder de levá-lo de volta ao presente, mas e se ele pudesse levar alguém com ele? O jovem soldado francês, que parecia tão perdido e ansioso, poderia ter uma chance de escapar dessa guerra se Void o ajudasse.
— Isso é arriscado — murmurou para si mesmo, olhando para o horizonte onde as nuvens de fumaça começaram a se formar. — Mas ele não merece isso. Ninguém merece.
Void sabia que ao levar o soldado com ele, poderia alterar o curso da história. Ele já tinha visto o impacto que as escolhas pessoais podiam ter, e a ideia de deixar o jovem enfrentar um destino incerto o incomodava.
Determinado, Void retornou ao jovem soldado, que estava agora sentado em uma pedra, olhando para os preparativos da batalha com os olhos cheios de medo.
— Ei, você! — chamou Void, chamando a atenção do soldado. — Precisamos conversar.
O jovem levantou a cabeça, surpreso.
— O que há? Você parece preocupado.
— Eu estou. E você também deveria estar — disse Void, aproximando-se. — A batalha está prestes a começar, e eu não quero que você enfrente isso. Há uma maneira de escapar.
O soldado franziu a testa, confuso.
— Como assim? Não podemos simplesmente fugir. É nosso dever lutar!
— Eu sei, mas e se eu te disser que há uma chance de você sair daqui e viver? Eu tenho um meio de voltar para o futuro — explicou Void, sua voz carregada de urgência. — E eu quero que você venha comigo.
Os olhos do jovem se arregalaram, e um misto de esperança e dúvida se espalhou por seu rosto.
— Você está falando sério? Isso é... impossível!
— Não é impossível — insistiu Void. — Eu vi o que acontece aqui. A batalha que está por vir não trará glória, apenas dor e perda. Você tem uma vida pela frente. Não pode jogar tudo isso fora.
O soldado hesitou, a dúvida cruzando seu rosto. Void podia ver a luta interna que ele estava enfrentando.
— E se eu deixar meus companheiros? — perguntou o jovem, sua voz trêmula. — Eles precisam de mim.
— E se você não voltar? — retrucou Void, a urgência em suas palavras aumentando. — Você pode fazer a diferença em um mundo onde a guerra não é mais sua realidade. Pense na sua família, nos seus sonhos.
Depois de um momento de silêncio, o jovem soldado finalmente assentiu, a determinação substituindo a incerteza em seu olhar.
— Você tem razão. Não posso deixar que esse seja o meu destino. O que preciso fazer?
Void guiou o soldado até o local onde o Transportador havia sido ativado. O mecanismo ainda estava em funcionamento, sua luz pulsando suavemente.
— Precisamos nos posicionar juntos e me ajudar a ativar o dispositivo. Assim que formos transportados, você estará seguro — disse Void, tentando manter a calma.
Eles se posicionaram, e Void começou a ajustar as configurações do relógio, concentrando-se no momento em que precisariam ser transportados. O medo e a excitação se misturavam, mas a determinação de ambos era palpável.
— Está pronto? — perguntou Void, olhando nos olhos do soldado.
— Pronto — respondeu o jovem, sua voz firme.
Com um último toque no mecanismo, a luz do Transportador explodiu em um brilho ofuscante, e Void sentiu a força do tempo puxá-los. O mundo ao seu redor começou a distorcer-se novamente, e antes que pudesse compreender totalmente, eles foram lançados de volta para o futuro.
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Atualizado até capítulo 123
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