No dia 20 do primeiro mes, ele se sentou sozinho em um canto do refeitório, observando os grupos se formando. Em uma mesa próxima, Leo estava cercado por admiradores, fazendo uma demonstração de suas chamas dançantes. Ao lado, Maya usava sua habilidade de controlar a água para criar figuras que flutuavam no ar. Void sentiu uma pontada de inveja, mas rapidamente afastou esse pensamento. Ele não estava ali para competir.
— Você parece um fantasma — disse uma voz ao seu lado. Era um garoto de cabelos curtos e escuros, que se apresentou como Kai. — O que você está fazendo sentado aqui sozinho?
Void olhou para ele, sem saber o que responder. A ideia de ser amigo de alguém parecia distante.
— Não estou aqui para fazer amigos — respondeu, com um tom indiferente. — Apenas quero passar o tempo e sair logo.
Kai riu, um som despreocupado que contrastava com a seriedade do ambiente.
— Você vai se divertir mais se parar de se esconder. Aqui, você vai encontrar mais do que apenas detentos com poderes. Você vai encontrar pessoas que entendem o que é estar preso.
Void revirou os olhos, mas no fundo, a curiosidade começou a despertar. Ele decidiu ignorar as provocações e se afastou, mas não pôde deixar de notar que Kai parecia ter um jeito especial de fazer os outros se sentirem à vontade.
Nos dias seguintes, Void se manteve reservado, mas não pôde evitar de ouvir as conversas ao seu redor. Ele começou a se aproximar de um grupo liderado por Kai, que frequentemente falava sobre suas experiências e dificuldades. Um dia, durante uma atividade forçada, Void se viu em uma situação inesperada.
— Vamos, Void! Tente manipular a energia, mesmo que você não tenha poderes! — disse Kai, enquanto todos riam e torciam por ele.
— Eu não tenho poderes, seu idiota! — Void respondeu, com um tom de desdém. — Não sou como vocês.
— E daí? — insistiu Kai. — Você pode achar um jeito de se destacar mesmo sem poderes. Às vezes, a força vem do que você é, não do que você pode fazer.
Void hesitou, mas a determinação de Kai foi contagiante. Ele respirou fundo e decidiu tentar, mesmo que a ideia de falhar o deixasse nervoso. Quando se esforçou para canalizar sua energia interna, algo inesperado aconteceu: ele conseguiu empurrar um objeto próximo com força suficiente para fazê-lo rolar.
A sala ficou em silêncio. Todos o encaravam, e Void sentiu um calor subir pelo rosto. Ele não tinha poderes, mas naquele momento, percebeu que sua força poderia vir do jeito como ele lidava com os desafios.
— Viu? — disse Kai, sorrindo. — Você conseguiu! Agora, se você puder fazer isso, imagine o que mais pode alcançar.
Algumas horas daquele dia depois...
Porém, nem tudo era fácil. Um grupo de detentos mais poderosos notou o crescente vínculo de Void com os outros e decidiu provocar. Um deles, um garoto chamado Rax, aproximou-se com um sorriso sarcástico.
— Olha só, o sem-poder se juntou aos populares. Você realmente acha que pode ser um deles? — disse Rax, com desprezo.
Void olhou para ele, sentindo uma mistura de raiva e desafio.
— Eu não preciso ser como vocês para ser forte. Sou quem sou, e isso é o suficiente — respondeu, com uma voz firme.
Rax riu, mas havia uma semente de respeito no olhar de seus companheiros. Void percebeu que, mesmo em um mundo dominado por poderes, sua determinação e caráter poderiam fazer a diferença. Ele não precisava de magia para ser notado; sua força estava em sua resistência e em sua capacidade de se conectar com os outros.
O Reformatório Peixe Vermelho, que inicialmente parecia um lugar de solidão e desespero, virou um espaço onde Void começou a descobrir seu verdadeiro valor. Ele não era um detento comum; ele era um amigo, um lutador e, acima de tudo, alguém que estava aprendendo a acreditar em si mesmo, mesmo sem poderes.
...fim...
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Atualizado até capítulo 123
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