Void ouvia uma voz distante, como se ecoasse através de um túnel. Quando seu nome foi chamado, ele se levantou, o coração pulsando mais rápido. Caminhou hesitante até o escritório da diretora, um lugar que sempre o fazia sentir um nó no estômago. Ao entrar, encontrou Dominic, que ainda parecia meio zonzo, com os olhos avermelhados e a expressão de quem havia passado por um vendaval. O ambiente estava carregado, e o cheiro de papel velho e tinta misturava-se com uma tensão palpável.
Ele se sentou de forma descuidada, preparado para a tempestade que sabia que estava por vir. A diretora, uma mulher de estatura média, cabelos grisalhos puxados para trás e óculos que deslizavam pelo nariz, olhou para ele com um olhar penetrante.
— Bem, você sabe muito bem por que eu te chamei aqui, inseto. Você agrediu um colega e ainda apagou o seu coleguinha, o santo, o anjo, o Dominic. Então, você está suspenso até que seus pais apareçam — disse a diretora, sua voz cortante como a lâmina de uma faca.
Void, sem se conter, começou a rir, um riso descompassado que ecoou pelo escritório.
— Uma pena, minha mãe me abandonou e meu pai também, e meu avô morreu — respondeu, rindo de forma descontrolada.
Dominic e a diretora o encararam com expressões de surpresa e desapontamento. O ambiente tornou-se ainda mais tenso, como se o ar estivesse pesando sobre eles. A diretora, sem perder a compostura, continuou:
— Se você não tem ninguém mais, então vou ter que te mandar para o R-e-f-o-r-m-a-t-o-r-i-o. Querido Void, me desculpe.
Nesse momento, um homem alto, vestido com uma roupa tecnológica que parecia saída de um filme de ficção científica, apareceu na porta. Ele tinha uma presença imponente, quase sobrenatural, e chamou Void com um gesto firme. Sem resistência, o garoto o seguiu para uma van escura estacionada em frente à escola, a luz do sol parecendo mais fraca à medida que se afastava do prédio. O menino sentia uma mistura de curiosidade e receio, mas, de alguma forma, estava calmo, disposto a enfrentar o desconhecido.
O homem, chamado Blake, era um meio lobo. Sua pele negra brilhava sob a luz da tarde, os olhos vermelhos reluziam como brasas, e seus cabelos longos e trançados balançavam levemente com o movimento da van. Ele lançou um olhar curioso para Void enquanto dirigia.
— Humano, o que você fez para receber tal punição? — perguntou Blake, sua voz baixa e profunda, como um trovão distante.
Void permaneceu sentado, olhando pela janela da van, que balançava nas ruas esburacadas. Ele respondeu, ainda com um sorriso nos lábios:
— Obrigado por perguntar, mas sinceramente, eu quebrei a mão de um moleque.
— Quebrou a mão dele? Me conte mais... — disse Blake, o interesse na voz aumentando.
Void, animado para compartilhar sua versão da história, continuou:
— Ele não parava de me encher o saco. Me zuou de todo jeito, e eu não aguentei. Fui lá e dei um soco na mão dele, e quebrei por acidente.
Blake balançou a cabeça, como se estivesse avaliando a situação. A van passou por um parque abandonado, onde crianças brincavam sob o olhar atento de adultos, um contraste com a vida de Void.
— Você sabe que a violência não é a solução, certo? — comentou ele, tentando impartir uma lição.
Void apenas encolheu os ombros, desinteressado. Para ele, algumas pessoas só entendem a linguagem da força. Ao chegarem ao Reformatório Peixe Vermelho (PPV), Void olhou para o prédio imponente à sua frente. As paredes altas, cobertas de grafite, eram cercadas por arame farpado, e ele sentiu um frio na barriga, como se estivesse prestes a entrar em um território hostil.
Ao entrar, foi recebido por uma funcionária que parecia ser a responsável por orientar os novos chegados. Ela olhou para Void com desdém, seus olhos frios como gelo.
— Você vai ter que se adaptar às regras aqui. Não haverá mais espaço para desobediência — disse ela, sua voz firme e autoritária.
Void apenas assentiu, já sabendo que a vida no reformatório não seria fácil. Ele observou o ambiente ao seu redor: paredes cinzentas, corredores longos e sombrios, e o eco de vozes distantes que pareciam contar histórias de resistência e desespero. Mas, por dentro, ele estava determinado a enfrentar o que viesse pela frente, mesmo que isso significasse lidar com pessoas que não entendiam seu ponto de vista.
A primeira visão daquele lugar o fez sentir uma mistura de medo e excitação, um novo começo que prometia ser estranho e desafiador.
Aqui começa o primeiro arco, bem cedo até, chamado O Arco do Reformatório. A jornada de Void estava apenas começando, e ele sabia que teria que lutar para encontrar seu lugar em um mundo que parecia estar contra ele.
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Atualizado até capítulo 123
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