A luz da manhã filtrava-se pela janela da cabana de Arkhan, o curandeiro, iluminando o interior com uma suavidade quase surreal. Elyana e Aric estavam no centro da sala, ainda se recuperando das batalhas recentes, enquanto Melodia e Adriel organizavam seus pertences. As palavras de Arkhan, no entanto, pairavam no ar, carregadas de um peso que nenhum deles esperava.
— Há mais portais do que imaginávamos — Arkhan declarou, fechando um livro antigo que estava estudando nas últimas horas. — O que enfrentaram até agora era apenas o começo.
Elyana franziu a testa, sua mão instintivamente repousando sobre o cabo de sua espada, enquanto Aric trocava um olhar preocupado com Adriel.
— Quantos mais? — perguntou Aric, sua voz grave ecoando no pequeno espaço.
Arkhan suspirou, passando a mão sobre a barba. — Pelo menos três outros portais. Cada um localizado em diferentes regiões, todos com uma conexão direta com as forças sombrias que estão tentando consumir o mundo.
— E onde estão? — Elyana interrompeu, seus olhos fixos em Arkhan. A guerreira não gostava de ficar parada, e a ideia de novos desafios a colocava em movimento novamente.
— Um deles está no império de Augusto, como vocês já sabem. Mas os outros... bem, isso será mais complicado. — Arkhan abriu um mapa antigo sobre a mesa, apontando para áreas envoltas em neblina. — Um está nas profundezas de uma montanha ao norte, guardado por criaturas ancestrais que dizem ter se aliado às forças das trevas. O outro, mais ao sul, em um deserto esquecido, onde o próprio tempo parece distorcido.
— Isso significa que estamos correndo contra o tempo — disse Adriel, ajustando o chicote em sua cintura. — Se demorarmos demais, esses portais podem fortalecer ainda mais os demônios.
— Exatamente — concordou Arkhan, com um olhar sério. — Por isso, devemos nos preparar. O próximo que enfrentaremos está na floresta de Aric. Já está corroído pelas forças sombrias, mas ainda é o mais acessível. Se fecharmos esse portal, pode nos dar uma vantagem contra os outros.
Melodia, que até então permanecia em silêncio, observava o mapa com uma expressão pensativa. Havia algo em seus olhos que indicava que ele estava processando mais do que apenas as palavras de Arkhan.
— Melodia? — Elyana chamou sua atenção. — Algum problema?
Ele suspirou, afastando-se da mesa. — Apenas estou pensando... sobre o quão pouco sabemos sobre esses portais. E... — Ele hesitou por um momento. — Eu já estive perto de um deles antes.
Todos se viraram para ele, surpresos. Elyana foi a primeira a falar. — O que você quer dizer com isso?
Melodia se virou para encará-los, seus olhos normalmente cheios de vida agora mais sombrios. — Foi há muito tempo. Antes de conhecer todos vocês. Eu estava explorando com um grupo... tentando entender as forças mágicas do mundo. E encontramos um portal, semelhante ao que Arkhan descreveu. — Ele fez uma pausa, como se as lembranças fossem dolorosas. — Perdemos muitos naquele dia. O portal consumiu suas almas. Fomos imprudentes.
Um silêncio pesado tomou conta da sala. Melodia raramente falava sobre seu passado, e essa revelação adicionava uma nova camada de gravidade à missão.
— Então você já enfrentou algo assim antes? — perguntou Aric, sua voz cheia de cautela.
— De certa forma. Mas eu não estava preparado na época. Agora... agora é diferente. — Melodia apertou o punho, como se estivesse tentando agarrar algo intangível. — Eu vou fechar esse portal, custe o que custar.
— Não faremos isso sozinhos — disse Adriel, colocando a mão no ombro de Melodia. — Estamos juntos nessa.
Elyana assentiu, seus olhos cheios de determinação. — Então vamos nos preparar. Não temos tempo a perder.
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Atualizado até capítulo 16
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