Capítulo 12 - O abrigo da cura

A cabana de Arkhan era um local de refúgio, escondido em meio à vastidão da floresta, onde o tempo parecia seguir um ritmo próprio. Quando Elyana e Aric cruzaram a soleira da porta, foram recebidos pelo calor reconfortante da lareira e o aroma penetrante de ervas medicinais. Ali, o mundo exterior e seus perigos pareciam distantes.

Sentado em uma cadeira de madeira ao lado da lareira, estava Melodia. Seus cabelos coloridos e bagunçados brilhavam à luz das chamas, e ele tinha nos lábios um sorriso que parecia nunca desaparecer. Seus olhos se iluminaram ao ver a dupla entrar.

— Bem-vindos! — exclamou Melodia, levantando-se rapidamente. — Estava ansioso para conhecê-los. Adriel me falou muito sobre vocês!

— Melodia é meu sobrinho — disse Arkhan, ao começar a preparar as ervas necessárias para os tratamentos. — Ele pode ser um pouco... expansivo, mas tem um bom coração.

— Expansivo é o que nos mantém vivos! — Melodia retrucou, com um brilho de brincadeira nos olhos. — Além disso, já conhece o velho Adriel há anos. Somos como irmãos, não é?

Adriel, que ajudava Arkhan a organizar os suprimentos, sorriu ao ouvir isso.

— Um tanto exagerado, mas não deixa de ser verdade. Melodia sempre tem um truque na manga quando precisamos.

Elyana, exausta da jornada, permitiu-se relaxar pela primeira vez em dias. Ela sentou-se em uma das cadeiras próximas e sentiu o peso da batalha e da fuga começarem a desaparecer. Aric, ainda em estado de alerta, permaneceu de pé, observando Melodia com curiosidade.

— Quanto tempo precisaremos ficar aqui? — Aric perguntou, dirigindo sua pergunta a Arkhan, mas sem desviar os olhos de Melodia.

— Suas feridas são profundas e precisarão de tempo para cicatrizar por completo — explicou Arkhan, enquanto mexia em uma poção. — Melodia e eu faremos tudo o que pudermos para acelerar o processo, mas isso ainda levará alguns dias, talvez uma semana.

Elyana assentiu, aceitando a necessidade de repouso. Sua mente, no entanto, ainda estava presa à batalha e à fuga. Como os demônios os encontraram? A resposta a essa pergunta a incomodava, mas ela sabia que, por enquanto, descansar era essencial.

Melodia, percebendo a seriedade do ambiente, tentou aliviar a tensão. Ele se aproximou de Elyana, observando as marcas das batalhas recentes.

— Essas cicatrizes contam histórias incríveis, tenho certeza — disse ele, com uma voz suave, mas animada. — E com o tempo que passaremos juntos, espero ouvir todas elas.

Elyana deu um leve sorriso, ainda surpresa pela energia quase contagiante de Melodia. Havia algo em sua presença que trazia um pouco de luz em meio à escuridão que eles enfrentavam.

Os dias seguintes foram de recuperação e aprendizado. Arkhan dedicou-se inteiramente ao cuidado de Elyana e Aric, aplicando poções e feitiços para ajudar na cura. Melodia, por sua vez, passava o tempo conversando com eles, contando histórias de suas aventuras com Adriel e compartilhando segredos de magia que ele havia aprendido com o tio.

— Adriel me ensinou a usar o chicote encantado — disse Melodia em uma das tardes, enquanto demonstrava um feitiço simples que fazia uma chama dançar no ar. — Mas Arkhan foi quem me ensinou o poder das palavras e das melodias. A magia está em tudo, basta saber onde procurar.

Aric, que inicialmente se mostrava cético em relação a Melodia, começou a relaxar ao ver a habilidade e a sinceridade do feiticeiro. Mesmo Elyana, que sempre mantinha uma distância emocional dos outros, sentiu-se à vontade na companhia dele.

As noites eram silenciosas, com exceção dos sons suaves da floresta ao redor. Elyana e Aric começavam a se recuperar, mas sabiam que a calmaria era temporária. Os demônios milenares ainda estavam lá fora, e a missão deles estava longe de terminar.

Numa dessas noites, enquanto o grupo estava reunido ao redor da lareira, Arkhan levantou a questão que todos evitavam.

— Vocês sabem que os demônios não desistirão, certo? — disse ele, olhando seriamente para Elyana e Aric. — A magia antiga que eles carregam é perigosa, e sua sede de destruição é insaciável.

— Estamos cientes — Elyana respondeu, firme. — Mas agora sabemos que não estamos sozinhos.

Melodia sorriu, concordando com um aceno

.— E isso faz toda a diferença. Juntos, podemos enfrentar o que vier.

O silêncio se instalou, mas desta vez, era um silêncio de determinação compartilhada. Elyana e Aric estavam se recuperando, e com aliados como Arkhan, Adriel e Melodia ao seu lado, sentiam que poderiam enfrentar qualquer desafio que o destino lhes reservasse.

O tempo na cabana de Arkhan foi de cura, tanto física quanto emocional. Quando finalmente estivessem prontos para partir, sabiam que estariam mais fortes, não apenas por causa das poções e feitiços, mas também pela confiança que haviam construído uns nos outros.

A guerra contra os demônios milenares continuava, mas agora, mais do que nunca, eles estavam preparados para o que estava por vir.

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