Capítulo 08 - O amanhecer da verdade

O amanhecer era uma promessa de tranquilidade enquanto a luz fraca do sol tingia o céu com tons de laranja e rosa. Elyana e Aric haviam decidido sair ao romper do dia, acreditando que assim poderiam evitar qualquer perigo iminente. No entanto, uma sensação de desconforto pairava sobre eles, algo que nenhum dos dois conseguia explicar.

Elyana estava ajustando sua armadura quando Aric voltou do estábulo, onde havia preparado os cavalos para a partida.

— Está tudo pronto. Devemos sair agora — disse ele, com uma expressão séria. Havia algo no ar, uma tensão que ele não conseguia ignorar.

— Concordo — respondeu Elyana, terminando de prender a espada à cintura. — Quanto mais rápido deixarmos este vilarejo, melhor.

Eles desceram as escadas da estalagem em silêncio, a madeira rangendo sob seus pés. O estalajadeiro estava esperando por eles no saguão, um sorriso que parecia genuíno, mas carregava algo oculto, como se soubesse mais do que estava disposto a dizer.

— Saindo tão cedo? — ele perguntou, seus olhos brilhando de uma maneira que fez Elyana sentir um calafrio.

— Sim, temos uma longa jornada à frente — disse Aric, tentando manter o tom casual, mas seus instintos estavam em alerta.

O estalajadeiro assentiu, mas o sorriso em seu rosto não desapareceu. Em vez disso, parecia se alargar de uma forma desconcertante.

— É uma pena que estejam indo embora tão rápido... — ele murmurou, quase como se estivesse falando consigo mesmo. — Mas vocês não podem fugir da verdade para sempre.

Elyana parou abruptamente, seus olhos fixos nos do estalajadeiro. Algo nas palavras dele ressoou em sua mente, e uma sensação de pavor começou a se formar em seu peito.

— O que você quer dizer com isso? — ela perguntou, sua voz firme, mas com um toque de desconfiança.

O estalajadeiro riu suavemente, uma risada que parecia ecoar de maneira estranha pelas paredes da estalagem. Ele deu um passo à frente, aproximando-se de Elyana e Aric, seu rosto ainda contorcido em um sorriso perturbador.

— Vocês não são os primeiros a tentar escapar dos demônios... e não serão os últimos. Eles sabem onde você está, sempre souberam.

Aric sentiu um frio na espinha. Como esse homem sabia tanto? Ele olhou para Elyana, que agora também parecia compreender a gravidade da situação.

— Quem é você? — Aric perguntou, sua mão instintivamente movendo-se para o cabo do machado, mas sem a intenção de usá-lo ainda.

O estalajadeiro parou, seu sorriso desaparecendo lentamente. O que veio a seguir foi um silêncio pesado, quase sufocante, antes que ele finalmente falasse, sua voz agora com um tom sombrio e ameaçador.

— A verdade sempre encontra aqueles que a buscam... ou que tentam fugir dela. Vocês já estão marcados, e o que quer que façam, os demônios sempre estarão à espreita. E lembrem-se... nem tudo o que parece humano realmente é.

Com essas palavras, o estalajadeiro se virou e desapareceu nas sombras do saguão, deixando Elyana e Aric sozinhos com seus pensamentos tumultuados. Eles estavam sendo seguidos, manipulados, e o inimigo que enfrentavam era mais astuto do que jamais haviam imaginado.

Elyana e Aric trocaram um olhar. Não havia mais tempo a perder. Com a revelação chocante do estalajadeiro, sabiam que precisavam partir imediatamente. Sem mais uma palavra, eles saíram da estalagem e montaram em seus cavalos, partindo com pressa enquanto o vilarejo ainda despertava.

O vento frio da manhã batia contra seus rostos enquanto cavalgavam para longe, mas a pergunta que ecoava em suas mentes era clara: como os demônios sempre sabiam onde encontrá-los? E o que mais o estalajadeiro sabia?

O amanhecer, que deveria trazer esperança, agora parecia mais um presságio de que tempos ainda mais sombrios estavam por vir.

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