Capítulo 11 - A jornada ao curandeiro

O dia já tinha amanhecido, o vilarejo é seus habitantes estavam destruídos pela fervorosa batalha. O sol começava a tingir o horizonte de tons alaranjados quando Adriel, o caçador de demônios, virou-se para Elyana e Aric. As sombras do confronto ainda pairavam sobre eles, mas o trio sabia que não havia tempo a perder.

— Preciso seguir até o norte, onde um mago curandeiro reside — disse Adriel, seus olhos fixos nas feridas de Elyana e Aric, marcas profundas da batalha recente. — Ele tem os remédios de que preciso e um amigo que pode ser valioso na guerra que ainda enfrentaremos. Se aceitarem, podem me acompanhar para tratar dessas feridas antes que infeccionem.

Elyana, ainda sentindo a exaustão pesar sobre seus ombros, sabia que a proposta era sensata. Suas feridas ardiam e o cansaço era quase insuportável. Aric, que mantinha uma mão sobre o ombro machucado, acenou em concordância.

— Vamos com você — respondeu Elyana, sua voz firme, mas revelando a dor oculta.

Com o sol começando a subir, os três montaram em seus cavalos. O vilarejo, agora em ruínas, desaparecia lentamente na distância enquanto seguiam pela trilha de terra batida que levava às montanhas do norte. A jornada era longa e árdua, mas a companhia proporcionava uma sensação de segurança mútua, algo que os três precisavam depois do terror que haviam enfrentado.

O silêncio da manhã era cortado apenas pelo som dos cascos dos cavalos contra o chão. Por um tempo, ninguém falou, cada um deles absorto em seus próprios pensamentos, refletindo sobre o que haviam acabado de enfrentar e o que ainda estava por vir.

— Então, Adriel — começou Aric, quebrando o silêncio. — Como você soube que Ateeveskur era vulnerável à água benta?

Adriel, que cavalgava à frente, virou-se parcialmente para responder, o capuz balançando levemente com o movimento.

— Enfrentei demônios como ele antes. Cada um tem sua fraqueza, mas não é algo que se aprende de imediato. Demorei anos de estudo e muitas batalhas perdidas até entender como combatê-los. Ateeveskur foi um desafio maior, mas conhecendo sua natureza, estava preparado.

— E você sempre foi um caçador de demônios? — perguntou Elyana, curiosa sobre o homem que havia salvado suas vidas.

Adriel permaneceu em silêncio por um momento, como se ponderasse sobre o quanto deveria revelar. Finalmente, ele respondeu:

— Não, minha jornada começou por vingança. Eu perdi alguém muito importante para mim, alguém que um demônio levou. Desde então, dediquei minha vida a caçá-los, a impedir que outros sofram o mesmo destino.

Elyana notou a amargura em sua voz, algo com o qual ela mesma podia se identificar. A dor da perda era uma força poderosa, capaz de transformar alguém completamente.

— Entendo — disse Elyana suavemente. — A dor nos molda, mas também nos fortalece.

— E você, Elyana? — Adriel mudou de assunto, curioso. — Qual é a sua história?

Elyana olhou para o horizonte, seu rosto endurecendo ao relembrar seu passado. Ela sabia que Aric também estava ouvindo atentamente.

— Eu era parte da guarda real, responsável pela segurança do reino de Íris. Mas então... os demônios vieram. Destruíram tudo o que conhecíamos, tudo pelo qual lutávamos. Agora, busco vingança, como você, e respostas. Preciso saber por que eles vieram e como posso detê-los.

Adriel assentiu, respeitando a dor em suas palavras. Eles cavalgavam juntos, não apenas por um destino comum, mas por uma dor compartilhada. Aric, que até então ouvia em silêncio, finalmente falou.

— Eu nunca imaginei que a vida me levaria até aqui. — Ele olhou para suas mãos, calejadas e cobertas de cicatrizes. — Fui apenas um lenhador, vivendo uma vida simples, longe de tudo. Mas, por algum motivo, estou aqui, lutando ao lado de guerreiros e caçadores de demônios. Talvez seja destino, talvez seja sorte... mas sei que preciso continuar.

— Você é mais do que apenas um lenhador, Aric — disse Elyana, olhando para ele com um raro sorriso de respeito. — Você tem a força de um guerreiro, e seu coração é mais forte do que qualquer espada.

A jornada continuou, e conforme o sol subia, o cansaço e a dor tornavam-se mais intensos, mas a conversa entre os três aliviava um pouco o peso. Eles falavam de batalhas passadas, de lugares distantes que haviam visitado, de suas esperanças e medos. E, lentamente, um vínculo se formava entre eles, uma camaradagem que só a partilha de lutas poderia criar.

Finalmente, ao anoitecer, eles avistaram uma pequena cabana à beira de um riacho. O lugar parecia isolado, protegido pelas montanhas ao redor. Adriel sorriu pela primeira vez desde que haviam partido.

— Chegamos — disse ele, desmontando de seu cavalo. — Este é o lar do mago curandeiro, Arkhan. Ele é um velho amigo, e tenho certeza de que poderá ajudá-los a recuperar suas forças.

Eles desceram dos cavalos com dificuldade, os corpos doloridos pela viagem e pelas feridas. Adriel bateu na porta da cabana, e momentos depois, um homem idoso, com uma longa barba branca e olhos que brilhavam com sabedoria, apareceu.

— Adriel, meu jovem! — exclamou o mago curandeiro, abraçando o caçador de demônios. — Vejo que trouxe companhia. Entrem, entrem! Precisam de cuidados, e é exatamente o que encontrarão aqui.

Elyana e Aric entraram na cabana, sentindo imediatamente o calor acolhedor do fogo que ardia na lareira. A jornada havia sido longa, mas sabiam que estavam em boas mãos. E enquanto o curandeiro preparava remédios e ungüentos, os três perceberam que, por mais que a estrada à frente fosse incerta, pelo menos por agora, tinham encontrado um breve descanso e, talvez, um novo começo.

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