O dia no vilarejo começou calmo, como tantas outras, mas logo se transformou em um campo de batalha em chamas. No centro da praça, Elyana e Aric enfrentavam um pesadelo que nenhum deles imaginara: Ateeveskur, um demônio de nível especial, cuja fúria e poder pareciam ilimitados. Seus chifres curvados rasgavam o ar, e suas escamas negras, quase indestrutíveis, brilhavam sob a luz do fogo que ele lançava de sua boca. Cada rajada de fogo que escapava de suas mandíbulas destruía casas, pavimentava o chão de cinzas e espalhava pânico.
Aric, o lenhador que havia encontrado forças que jamais soubera possuir, estava agora no auge de suas capacidades. Ele brandia seu machado com uma ferocidade que impressionaria até os guerreiros mais experientes. Cada golpe que desferia era um terremoto, cada balanço de seu machado parecia capaz de cortar montanhas. No entanto, por mais que se esforçasse, parecia que suas investidas apenas irritavam ainda mais o demônio, que, com um rosnado, redobrava sua fúria.
Elyana, a guerreira cuja habilidade com a espada era lendária, movia-se com a graça e a velocidade de um raio. Ela desviava das chamas que Ateeveskur cuspia em sua direção, procurando pontos vulneráveis em sua armadura natural. Sua espada dançava no ar, um borrão prateado que refletia o fogo ao seu redor. Mas a resistência do demônio era incomparável, e cada golpe que acertava parecia não ser suficiente para deter a criatura infernal.
— Sua resistência é inútil, mortais! — rugiu Ateeveskur, sua voz ecoando pelas ruínas ao redor.
A praça estava em ruínas, as chamas devorando as casas que antes eram refúgio para os habitantes do vilarejo. O calor era insuportável, e a fumaça espessa tornava difícil até mesmo respirar. Elyana sentia o cansaço pesar sobre seus ombros, suas forças diminuindo a cada segundo. Mas ela não podia parar, não agora, não com tanto em jogo.
De repente, quando tudo parecia perdido, uma figura encapuzada surgiu das sombras. Ele caminhava com passos firmes, sem demonstrar o menor sinal de medo diante do caos que se desenrolava ao seu redor. Em sua mão, um longo chicote vermelho carmesim brilhava à luz do fogo, estalando levemente enquanto ele avançava.
— Vocês estão em desvantagem, mas não sem esperança — disse ele, sua voz profunda ecoando pela praça.
Elyana e Aric se viraram, surpresos com a aparição daquele estranho. Quem era aquele homem que ousava se aproximar tão perto de Ateeveskur, a criatura cuja presença só inspirava medo e destruição? O demônio, por sua vez, hesitou, seus olhos infernais fixando-se na nova ameaça.
— Quem é você? — rugiu Ateeveskur, seu tom carregado de desdém.
Com um movimento lento, o homem abaixou seu capuz, revelando um rosto marcado por cicatrizes de batalhas antigas. Seus olhos, de um azul intenso, brilhavam com uma determinação que desafiava até mesmo as trevas. Ele segurou o cabo de seu chicote com firmeza e, com um estalo no ar, criou uma faísca de luz que cortou a escuridão.
— Meu nome é Adriel, caçador de demônios — respondeu ele, sua voz imponente. — E sua fraqueza, criatura das trevas, é água benta.
A revelação de Adriel deu a Elyana e Aric um novo ímpeto. O caçador de demônios não perdeu tempo e entrou na batalha com uma destreza inigualável, demonstrando que já enfrentara monstros piores. Seu chicote, abençoado por um padre, estalava no ar com uma precisão mortal. A cada golpe, Ateeveskur recuava, como se sentisse o toque incandescente da água benta que impregnava a arma.
O demônio, que antes parecia invencível, agora mostrava sinais de fraqueza. Seus rugidos de dor e fúria ecoavam pela praça, suas rajadas de fogo se tornando mais desesperadas e descontroladas. Elyana aproveitou a distração para atacar com renovada determinação, suas lâminas encontrando pontos vulneráveis na pele escamosa do demônio. Aric, revigorado pela esperança renovada, atacava com ainda mais força, seus golpes sendo guiados pela nova vantagem que Adriel lhes concedera.
— Vocês vão pagar por isso! — gritou Ateeveskur, sua voz carregada de desespero, mas sua força estava diminuindo.
Adriel, percebendo que a batalha se inclinava a favor deles, começou a recitar uma oração enquanto manejava o chicote, cada palavra imbuindo sua arma com ainda mais poder sagrado. As faíscas de luz que emanavam do chicote começaram a brilhar com intensidade crescente, como se o próprio céu estivesse respondendo ao chamado do caçador.
— Agora! — gritou Adriel para Elyana e Aric, enquanto seu chicote se enrolava ao redor do pescoço de Ateeveskur, queimando a carne do demônio com a força da água benta.
Elyana, com um grito de guerra, desferiu um golpe decisivo com sua espada, cortando através da carne endurecida do demônio. Aric, com um último grito de esforço, cravou seu machado profundamente no peito da criatura, com uma força tão devastadora que fez tremer a terra.
Ateeveskur soltou um último rugido de agonia enquanto seu corpo começava a desmoronar, as energias sombrias que o sustentavam se dissipando no ar. Com um estrondo final, o demônio caiu ao chão, suas chamas se extinguindo lentamente, até que restasse apenas o silêncio mortal.
Adriel se aproximou do corpo inerte, seus olhos ainda vigilantes, como se esperasse algum último truque. Mas Ateeveskur estava finalmente derrotado. O caçador soltou um suspiro, relaxando a postura, enquanto Elyana e Aric tentavam recuperar o fôlego, suados e exaustos, mas vitoriosos.
— Vocês lutaram bem — disse Adriel, quebrando o silêncio com uma voz serena. — Mas essa foi apenas uma batalha. A guerra contra esses demônios está longe de terminar.
Elyana e Aric trocaram um olhar, cientes de que o caminho à frente seria árduo. No entanto, com um novo aliado ao seu lado, a esperança parecia um pouco mais ao alcance, mesmo diante das trevas que ainda os esperavam.
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Atualizado até capítulo 16
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