Capítulo 15

Enquanto a imperatriz se contorcia de raiva pela conversa que teve com Margaret, Bastian investigava os antecedentes familiares. Além do que Margaret lhe dissera, era bem possível que a magia voltasse agora devido ao sentimento entre ele e Margaret, já que um casamento não era suficiente; ambos tinham que se amar para que a magia retornasse.

— Gustavo, você acha que a magia nos abandonou ou apenas ficou escondida esperando nosso arrependimento sincero? — O arquiduque perguntou ao irmão. Só quando estavam inquietos é que se chamavam pelos nomes e deixavam os honoríficos de lado.

— Apesar de sermos abandonados pelo grande sábio e de não termos mais maná em nossos corpos, a magia ainda está presente. Prova disso é o escudo de proteção que temos; a magia não pode nos ferir, mas tivemos que aprender a viver sem ela. Nossos pais ficaram com medo quando o rei de Alcalá quis iniciar uma guerra, mas para detê-la ele ofereceu um tratado de paz com suas duas filhas. Uma se casou comigo e a outra com você, e embora a imperatriz, por ordem de seu pai, tenha tentado me matar, a magia dela foi anulada ao tentar me atacar. Essa foi a desculpa perfeita para nos livrarmos da irmã dela.

— Ainda não entendo por que você não matou a imperatriz; era a oportunidade perfeita para eliminá-la. Mesmo assim, você preferiu eliminar a irmã dela. Agora você estaria livre para se casar com quem quisesse. — Para Bastian, era lamentável que seu irmão estivesse preso àquela mulher por toda a vida, ele não odiava seus sobrinhos, mas sentia que a vida de seu irmão era miserável.

— Eu te devo isso. — Gustavo era um irmão muito compreensivo e atencioso, mas em alguns aspectos era extremamente reservado.

— Não entendo o porquê. Você não tem nenhuma dívida comigo. — Bastian disse calmamente.

— Nesta vida não, mas talvez em outras vidas, nesta você deveria ser feliz. — A maneira de falar de Gustavo era nostálgica, como se o passado o atormentasse.

— Falando em outras vidas, você acha que tivemos mais de uma? — Bastian aproveitou para perguntar; não era por acaso que duas pessoas, no mesmo dia, falaram com ele sobre vidas passadas com tanta segurança.

— Tenho certeza absoluta de que renascemos ao longo dos anos. A partir de amanhã, sua vida mudará drasticamente; você terá que enfrentar o que está por vir. Só não se perca nos caminhos da memória; o passado é apenas isso, passado. — Bastian queria continuar investigando, mas o imperador saiu rapidamente.

Tendo uma ideia mais clara do que estava por vir, ele foi procurar Margaret. Ele a encontrou em uma varanda; já era hora de ir embora, eles estariam mais seguros no ducado.

— Esposa, é hora de irmos. Vamos nos despedir de seu pai antes de partirmos. — Ao passarem pelo salão, foram interrompidos por uma nobre da idade de Bastian que havia ficado viúva, mas ela não tinha boas intenções.

— Excelência, você me concede esta dança? — A mulher disse alto o suficiente para que outros nobres próximos ouvissem e o arquiduque não tivesse oportunidade de recusar. O que ela não esperava era que Bastian Chevalier não fosse nada prestativo, muito menos com mulheres maliciosas, mas tentava ser cortês para não prejudicar a reputação de sua esposa.

— Madame, estou de saída. Minha esposa já está cansada, e o caminho que temos que percorrer é longo. — O duque tentou ser educado, mas a mulher era extremamente insistente.

— Não acho que Lady Margaret se importe, ou sim? — A mulher estava tentando fazer Margaret parecer mal para a sociedade por ser uma mulher ciumenta, mas o que ela não esperava era a pouca paciência da jovem e sua habilidade de manipular as massas.

— Arquiduquesa Chevalier, sua excelência para você. Meu senhor já lhe disse os motivos pelos quais a rejeita; não entendo por que meu nome entra na conversa. Acho sua falta de respeito desagradável. — Margaret já estava farta de ser tratada como uma criança, porque era isso que a imperatriz tentava fazer e era isso que esta mulher estava tentando fazer: fazê-la parecer uma garotinha que não era digna de ser chamada de arquiduquesa.

— Madame, não é apropriado que uma dama peça uma dança a um homem recém-casado que está prestes a se retirar. Seu comportamento pode ser considerado indecente; além disso, você acabou de desrespeitar minha esposa e, portanto, a mim. Para uma mulher viúva, você deve pelo menos estar vestida de luto e não desfilando como uma cortesã. — As palavras do arquiduque foram extremamente duras. A mulher pensou que poderia ter uma chance com o homem; ao ver como ele tratava sua nova esposa, ela sentiu inveja e teve certeza de que Margaret não seria um obstáculo para ela. Ela era uma mulher experiente, ao contrário daquela garota inexperiente, mas não contava com a grosseria do arquiduque.

— Milorde, eu não queria...

— Poupe-me de suas explicações e não tente estragar a noite prejudicando a reputação da minha casa.

A mulher se retirou indignada; ela nunca pensou que aquela garota a humilharia esfregando seu novo título em seu rosto e que aquele homem a defenderia. Para ela, era absurdo.

O caminho para o arquiducado foi tranquilo. Margaret descansou no colo de Bastian; ela estava cansada, tinha sido um dia muito agitado. Ela queria descansar um pouco para poder cumprir sua noite de núpcias como deveria. De jeito nenhum ela perderia sua primeira noite, embora ainda estivesse um pouco assustada com o que aconteceu em sua outra vida. Ela tinha um bom pressentimento de que desta vez seria diferente.

Ao chegarem ao arquiducado, Margaret ficou impressionada; o lugar era magnífico, uma réplica quase exata do palácio imperial, mas com um toque de elegância inata. O mordomo os recebeu com toda a equipe à sua disposição. O homem estava muito feliz por ter uma arquiduquesa, porque aquela mulher nunca foi do seu agrado, mas Lady Margaret era perfeita.

— Bem-vindos, arquiduques Chevalier. — Fermín fez uma reverência elegante, assim como os empregados.

— Fermín, eu lhe disse que tantas formalidades não são necessárias. As criadas de minha esposa chegarão amanhã; providencie as melhores para atendê-la esta noite.

Fermín imediatamente selecionou as jovens que assistiriam sua senhora.

— Qual será meu quarto? — Era normal que marido e mulher tivessem quartos separados, mas a resposta do arquiduque a deixou nervosa.

— No meu quarto, ele já está preparado para nós dois. — O arquiduque lhe deu um beijo na testa e foi se preparar em outro quarto.

— Eu não esperava por isso. — Margaret sussurrou, mas Fermín conseguiu ouvir graças à sua boa audição.

— Meu senhor passou meses reformando seu quarto para que fosse habitável para vocês dois. — Margaret ficou muito surpresa; ela nunca tinha ouvido falar de outros nobres dormindo com suas esposas, mas ela adorou a ideia de que ele sempre a quisesse ao seu lado.

Ao entrar no quarto, Margaret ficou maravilhada com o tamanho dele, mas sua noite estava longe de ser tranquila.

— Eu não tenho que servi-la — disse uma das criadas que acabavam de entrar no quarto. Ela não havia sido selecionada, mas estava procurando causar discórdia. Quando uma das criadas estava prestes a intervir, Margaret encarou a atrevida.

— E por que não? — Mais do que uma pergunta, era um desafio; Margaret estava desafiando-a, ela queria ver o quão audaciosa a mulher era. Ela havia notado sua antipatia desde que entrou na casa, mas não toleraria mais provocações. Ela já tinha aguentado o suficiente com a imperatriz e aquela viúva, da qual ela se vingaria mais tarde.

— Minha lealdade é com a falecida arquiduquesa.

— Então você serve aos mortos, que curioso — A mulher estava furiosa. Margaret estava apenas zombando dela, e as outras criadas não conseguiram conter o riso da situação.

— Você não passa de uma oportunista; você não é digna de ser uma arquiduquesa! — A mulher gritou com raiva.

— Então quem seria digna, você? O incômodo não é por sua falecida senhora; seu incômodo é por não poder entrar na cama de seu senhor. Aí está sua fúria. Mas se você não conseguiu entrar na cama dele antes, menos ainda agora. Parece que vou ter que colocar ordem nesta casa; os plebeus estão pensando que são mais do que seus senhores. — A criada, enfurecida, tentou bater em Margaret, mas esta segurou sua mão e, com a outra, agarrou-a pelo pescoço.

— Quem ousar intervir terá o mesmo destino desta insolente. — Margaret disse severamente para as outras criadas.

— Sua suposta senhora foi apenas um acordo comercial, alguém totalmente substituível, e você não passa de uma mera criada. Não tente bancar a espertinha comigo. As alianças da realeza estão em meu poder; eu detenho o título de arquiduquesa. Bastian sempre esteve destinado a ficar ao meu lado, e nem você nem ninguém ficará em meu caminho. — Margaret saiu do quarto arrastando a criada pelo pescoço. Fermín quase teve um ataque cardíaco ao ver toda a comoção que a empregada estava causando. Sem nenhum remorso, Margaret a jogou escada abaixo, para o espanto de todos.

— Decapitem-na e coloquem sua cabeça do lado de fora do arquiducado! Que esta seja uma lição para todos aqueles que tentarem desafiar a arquiduquesa Margaret Chevalier. — Fermín imediatamente obedeceu à ordem, um tanto surpreso com a frieza da jovem. Sem dúvida, Margaret era perfeita para ficar ao lado de seu senhor.

Com a comoção que havia se formado, Bastian saiu de seus aposentos seminu. Ele viu Margaret e, mais abaixo, a empregada sendo carregada por Fermín, mas ao ver a poça de sangue, ele pôde imaginar a cena.

— Você está bem? — Sua maior preocupação era que Margaret se machucasse, ele sabia muito bem que sua garotinha tinha um ou dois segredinhos.

— Absolutamente, tudo está sob controle. Você não deveria sair do seu quarto assim; não quero mais brigas com os criados. Espero você em uma hora no quarto.

Bastian ficou parado, sem saber o que fazer, mas a verdade era que Margaret estava furiosa; ele podia ver isso em seus olhos. Imediatamente, ele voltou para seu quarto para se aprontar; ele tinha que estar à altura de sua esposa.

No quarto conjugal, Margaret estava sendo atendida pelas criadas. Ela estava imersa em óleos aromáticos, enquanto as criadas procuravam uma camisola adequada para a ocasião.

Ao sair da banheira, eles deixaram seu cabelo solto, perfumaram ainda mais seu corpo e colocaram uma camisola com um decote profundo; ia até seus quadris, mas era tão transparente que podia ser confundida com sua pele. As criadas a deixaram sozinha e ela se sentou na cama, esperando da mesma forma que fez em sua vida passada, até que se lembrou das palavras de seu pai. Ela se levantou da cama e foi até a varanda; as criadas haviam deixado a porta aberta por engano, o que dava para um pequeno terraço onde o arquiduque tomava seu café da manhã.

Enquanto isso, Bastian saiu um pouco mais vestido; suas calças de dormir eram compridas e largas, assim como sua camisa, que estava desarrumada. Apesar de as roupas serem extremamente largas, não escondiam seu corpo musculoso. Ao entrar no quarto, ele não encontrou Margaret, o que o preocupou até que ele chegou à varanda e a viu sentada com a cabeça inclinada para trás, dando-lhe uma visão requintada de seu pescoço. Margaret parecia um anjo ao luar; seu olhar baixou um pouco mais até chegar ao seu decote. O desejo percorreu suas veias, endurecendo seus desejos.

Bastian passou o dedo pela comissura de seus lábios, delineou seu queixo e desceu por seu pescoço, percorrendo seu decote.

Margaret soltou um pequeno gemido; ela reconheceu aquelas mãos muito bem. O toque de Bastian era sublime, delicado, mas firme ao mesmo tempo. O choque térmico de seu corpo frio e as mãos quentes de Bastian enviavam pequenos estímulos a cada parte de seu corpo. Margaret estava extremamente sensível, mas as palavras que saíram de sua boca acenderiam uma chama que ela não estava disposta a apagar.

— Faça-me sua, Bastian.

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Comments

Ezanira Rodrigues

Ezanira Rodrigues

Colocando ordem na casa. Tem que deixar ela limpa, a dedetizando contra baratas.

2025-03-16

0

Ana Zélia

Ana Zélia

cada capítulo fica melhor 👏👏👏👏❤️❤️

2025-02-04

1

Maria José Diniz

Maria José Diniz

estoy encantada por esta história

2025-01-09

2

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