Capítulo 14

— Minha esposa está radiante; é a dama mais linda que já vi na minha vida. Abençoo o dia em que você apareceu para me pedir em casamento. — O arquiduque havia caído rendido à astúcia de Margaret desde que a viu, mas sua beleza, sem dúvida, era indiscutível.

— Eu sei muito bem; mas meu marido não fica atrás, é o homem mais bonito e destacado do império. Sou realmente feliz por ter você ao meu lado. Agradeço por ter aceitado. — Margaret estava nas nuvens de felicidade; Bastian era sua alma gêmea, disso ela tinha certeza.

— Tenho muita curiosidade, o que a levou a me pedir em casamento? Eu era um homem viúvo, com péssima reputação; se eu não estivesse vivendo isso, diria que é impossível que você tenha se interessado por mim, além da nossa diferença de idade. — O arquiduque estava intrigado com sua façanha; a jovem era temerária e assumia perfeitamente as consequências de seus atos.

— Você acreditaria em mim se eu dissesse que nos amamos em vidas passadas? — Margaret sorriu radiante. — Na minha outra vida, jurei te procurar e te pedir em casamento, então, assim que acordei, corri para te encontrar. Você é tudo o que eu sempre quis. — Margaret continuou sorrindo; ela não tinha porque esconder a verdade, mesmo que ele não acreditasse.

— Então, devo agradecer por cumprir sua promessa. — O arquiduque acreditava que era algo irreal; a magia os havia abandonado há séculos, mas existia uma pequena possibilidade de ser verdade.

Séculos atrás, o poder da família real consistia em cuidar da linha do tempo. Por isso, eles eram "obrigados a se casar com membros da realeza", ou era o que acreditavam, mas nunca deveriam danificar os fios do destino, coisa que fizeram e sofreram um grande castigo devido à morte da escolhida. Seu protetor os abandonou à própria sorte até que a escolhida encontrasse novamente seu fio do destino. Ele teria que investigar mais a história de seus ancestrais; Margaret não brincaria com algo assim.

Margaret pensava que ele não havia acreditado nela, mas ela decidiu sempre falar a verdade para ele.

— Arquiduque, me permite dançar uma última vez com minha filha? — Outro nobre teria se irritado, mas Bastian sabia que aquele homem havia sido um ótimo pai. Se ele tivesse uma filha, não a deixaria se casar, então entendia o grande amor do duque por sua filha.

— Claro. — O arquiduque aproveitou para ir falar com o rei.

— Filha, eu sei que esta conversa você deveria ter com sua mãe, mas como ela não está, é meu dever como pai falar com você com sinceridade. Sei que a governanta já deve ter lhe dito o que toda dama deve fazer na sua noite de núpcias. — Para o duque, era extremamente desconfortável falar sobre isso, mas ele não queria que sua filha fosse violentada sem nem saber.

— Na noite de núpcias, não é só ficar parada enquanto seu marido faz tudo. — O duque respirou fundo novamente; isso sim era difícil. — A relação sexual não deve doer; da primeira vez, é normal sentir um pouco de incômodo, mas isso será substituído depois por uma sensação mais prazerosa. — Margaret entendia o quão difícil era para seu pai falar sobre esses assuntos, mas ao mesmo tempo achava engraçado e agradecia o grande esforço que ele fazia.

Em sua vida passada, ela se casou após a morte de seu pai, e o que ela se lembrava da noite de núpcias era uma dor imensa. Um arrepio percorreu seu corpo ao se lembrar daquela noite, porque todas foram iguais e ela pensava que era normal.

— Você não precisa ficar nervosa; é algo natural. Depois, tudo ficará melhor. Seu marido precisa te fazer sentir segura; se for o contrário e a dor nunca passar, ele só estará satisfazendo a si mesmo e te machucando. Isso é inaceitável. Se acontecer, volte para o papai e eu te protegerei. — O duque sabia que havia muitos nobres que abusavam das jovens damas em sua primeira noite e nas seguintes, e ninguém dizia nada. Mas ele não permitiria que sua filha sofresse dessa maneira; manter as mulheres desinformadas era uma das formas de violência.

— A noite de núpcias não é apenas a relação sexual. É acariciar aquela pessoa que você deseja; é se entregar ao amor e ao desejo. Não tenha medo de acariciá-lo e beijá-lo; é totalmente natural. — Margaret estava completamente corada, não pelas palavras de seu pai, mas por se lembrar do quão ousada ela havia sido com seu agora marido.

Ao terminar de dançar com o duque, Margaret foi até uma sacada para respirar ar puro. Ela tinha suas lembranças intactas, embora confiasse em Bastian. Ela não havia pensado em quão doloroso foi daquela vez, mas seu momento de reflexão foi interrompido pela imperatriz.

— Lady Margaret, é uma pena que você tenha se casado com um homem mais velho que você. Nenhuma jovem deveria passar por isso — Afirmou a imperatriz, tentando demonstrar compreensão.

— Arquiduquesa Chevalier, este é meu novo título, Majestade. Não, Lady, eu não sou mais uma jovem senhorita, sou uma dama casada por vontade própria — Margaret colocou sua mão esquerda em seu peito, deixando à mostra seu anel de noivado e sua aliança de casamento. A imperatriz ficou atônita ao ver as duas joias pertencentes aos antigos imperadores.

— Vejo que o arquiduque não economizou em conquistá-la. Dizem que o dote foi imenso; é como se ele estivesse fazendo um acordo comercial, foi o que eu ouvi — Disse a imperatriz com malícia, insinuando que Margaret havia se vendido para o melhor lance.

— Qual nobre não gosta de presentes? Meus pais sempre me deram o melhor; é natural que eu queira que meu marido também o faça, majestade. Quanto mais presentes a esposa recebe, mais amada ela é por seu senhor. Isso não é segredo, são as regras da sociedade. Cinquenta carruagens com o melhor deste império e de cada império que Sua Excelência visitou. Ele me deu os anéis que pertenceram a todas as imperatrizes do império. Eu me sinto mais do que amada, e não faz nem um dia que me casei. — Margaret sorriu com suficiência; ela havia dado um golpe baixo na imperatriz, porque ela só recebeu presentes do imperador quando seus filhos nasceram. Essas foram as únicas duas vezes, dando a ela o título de imperatriz sem poder, já que o poder das mulheres residia na estima de seus maridos. E, embora isso fosse desfavorável para algumas, para outras era uma bênção.

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Comments

Ezanira Rodrigues

Ezanira Rodrigues

Meu respeito e minha admiração ao duque Vitaly. Mesmo, com vergonha, ele se preocupou em conversar com Margareth sobre a união mais íntima entre um homem e uma mulher. Reiterou que se ela precisasse, ele a receberia de braços abertos. Numa sociedade em que os pais só pensavam em status, o duque pensava no bem estar e felicidade da filha. Que mensagem linda.

2025-03-15

3

Nicole Rossales

Nicole Rossales

seu marido era um babaca

2025-02-08

0

Faby

Faby

que fofo e delicado esse pai esta sendo 🥰🥰😍😍😍

2025-01-18

4

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