Madson entrou no seu apartamento sentindo-se mais leve, como se uma parte do peso que carregava há tanto tempo tivesse sido retirada. A conversa com Aisha, cheia de risadas e trocas sinceras, havia renovado a sua esperança. Sentou-se no sofá e começou a tocar algumas notas suaves no violão, pensando nas experiências que vivera naquele dia.
Enquanto tocava, uma nova melodia começou a surgir, inspirada pela conexão que estava formando com Aisha. As notas refletiam uma mistura de emoções—alegria, alívio e um pouco de tristeza—mas, acima de tudo, uma sensação de pertencimento. Madson sorriu, pensando que, talvez, essa nova amizade pudesse realmente ajudá-la a se curar.
Após um tempo tocando, Mad resolveu fazer uma pausa. Decidiu fazer uma visita à sua tia, Sinu, no restaurante e aproveitar para almoçar por lá.
Madson se levantou do sofá, sentindo-se revigorada pela música e pela lembrança do passeio com Aisha. Decidiu que seria uma boa ideia visitar o restaurante da sua tia Sinuhe, onde sempre se sentia acolhida. Além disso, aproveitaria para almoçar e, quem sabe, ver Camila novamente.
O restaurante “Herança Tempero Caseiro” ficava a alguns quarteirões de seu apartamento. Madson colocou seu casaco, pegou a mochila e saiu, caminhando pelas ruas movimentadas de Toronto. O ar fresco e o aroma de comida vindo dos cafés e padarias locais acompanhavam enquanto andava.
Quando finalmente chegou ao restaurante, o cheiro de especiarias e pratos caseiros a envolveu, trazendo uma sensação familiar e reconfortante. Sinuhe, que estava no balcão organizando alguns pedidos, a avistou de longe e abriu um sorriso caloroso.
— Madson, minha querida! Que bom te ver! Exclamou Sinuhe, saindo de trás do balcão para abraçá-la.
— Oi, tia Sinu. Pensei em vir almoçar e aproveitar para te ver um pouco — disse Madson, retribuindo o abraço com carinho.
— Você veio na hora certa. Estamos com um especial hoje que tenho certeza de que você vai adorar — respondeu Sinuhe, levando Madson até uma mesa perto da janela.
Enquanto Madson se acomodava, avistou Camila passando com alguns papéis na mão, concentrada em sua tarefa. Camila, que sempre estava atenta aos detalhes do restaurante, levantou o olhar e sorriu ao vê-la.
— Madson! Que surpresa boa! Veio aproveitar a comida da melhor chef de Toronto? — disse Camila, com um brilho nos olhos.
Madson riu. — Sim, e também para te ver. Acho que estou ficando mimada com tanta comida boa por perto.
Camila sorriu e se sentou ao lado de Madson por um momento. — Fico feliz que tenha vindo. E, aliás, como está sendo a adaptação por aqui? Espero que esteja gostando.
— Aos poucos estou me acostumando. A cidade é incrível, e as pessoas têm sido tão acolhedoras… Como você e a Aisha — Madson comentou, sentindo a conexão que estava construindo com as duas.
Camila olhou para Madson com um sorriso genuíno. — Que bom ouvir isso. E falando nisso, vou até a cozinha pedir para prepararem o prato especial para você. Tenho certeza de que adora.
Camila se levantou e foi até a cozinha, deixando Madson com um sentimento de gratidão. Enquanto aguardava o prato, ela observava o movimento do restaurante, sentindo-se grata por encontrar um lugar onde começava a se sentir em casa.
Madson aproveitou a pausa para observar a decoração do restaurante. As paredes estavam adornadas com quadros que retratavam paisagens de Cuba e da Itália, um lembrete da herança cultural de Sinuhe. O ambiente era acolhedor, com mesas de madeira escura e cadeiras confortáveis, e o som suave de conversas misturava-se com a música cubana que tocava ao fundo.
Enquanto isso, camila voltou, trazendo um prato colorido e fumegante, com um sorriso orgulhoso no rosto.
— Aqui está o nosso Picadillo, feito com carne moída, pimentões, cebolas e azeitonas! É um dos nossos pratos mais pedidos. E, claro, não poderia faltar o arroz branquíssimo para acompanhar — anunciou Camila, colocando o prato na mesa.
Madson ficou impressionada com a apresentação. O aroma era irresistível, e ela mal podia esperar para experimentar.
— Uau! Parece maravilhoso! — exclamou Madson, admirando a refeição.
— E, para completar, trouxe também uma porção de Tostones. São bananas fritas que combinam perfeitamente com o Picadillo. Você vai adorar! — disse Camila, antes de voltar para o trabalho.
Madson agradeceu e começou a saborear o prato. A mistura de sabores era intensa e reconfortante. Cada garfada parecia trazer à tona memórias de almoços em família, e ela sorriu ao sentir-se tão bem-vinda. Enquanto comia, observava os outros clientes do restaurante, cada um envolvido em suas próprias conversas e histórias.
Após devorar metade do prato, Sinuhe se aproximou, trazendo uma garrafa de limonada caseira.
— Como está o almoço, querida? Espero que esteja gostando! — perguntou Sinuhe, com um olhar atencioso.
— Está delicioso, tia! Eu realmente precisava disso. Obrigada por preparar uma refeição tão especial — respondeu Madson, sentindo a satisfação aquecer seu coração.
— Fico feliz que tenha vindo. E você sabe, a comida aqui é feita com amor. Cada prato carrega um pedacinho da nossa história — disse Sinuhe, com um sorriso nostálgico.
— É verdade, e isso faz toda a diferença. Sinto que estou me conectando não apenas com a comida, mas também com as pessoas ao meu redor — comentou Madson, olhando nos olhos de sua tia.
Após um momento, Sinuhe comentou: — E que tal experimentar o nosso Risotto de Cogumelos como sobremesa? Ele é uma ótima combinação da nossa culinária italiana e vale a pena.
Madson assentiu animadamente, ainda sentindo os sabores do Picadillo na boca. — Com certeza! Estou ansiosa para provar.
Enquanto aguardava o risotto, Madson olhou ao redor e viu Camila conversando com um cliente, que a elogiava pelo atendimento. A confiança e a competência de Camila eram evidentes, e Madson se sentiu inspirado por ela.
Finalmente, Sinuhe trouxe o risotto, que estava cremoso e cheio de sabor. Madson deu a primeira garfada e fechou os olhos, deixando o sabor levar a outro lugar. Era como se cada mordida a transportasse para um almoço em família, cheia de risadas e boas lembranças.
— Isso é incrível! — exclamou Madson, sorrindo para Sinuhe. — Eu definitivamente vou voltar para mais!
— Fico feliz que tenha gostado! E sempre será bem-vinda aqui. Você é parte da nossa família, Madson — disse Sinuhe, com um olhar carinhoso.
Madson sorriu, sentindo-se completamente acolhida. Enquanto saboreava o risotto, percebeu que, mesmo em uma nova cidade, ela estava lentamente criando raízes e construindo relacionamentos significativos. O peso de sua jornada estava se dissipando, e a esperança finalmente voltou a brilhar em seu coração.
Após terminar a refeição, Madson se despediu de Sinuhe e Camila, prometendo voltar em breve. Ao sair do restaurante, sentiu-se renovada e pronta para enfrentar o mundo, com a certeza de que sua nova vida em Toronto estava começando a se moldar de maneiras que nunca poderia ter imaginado.
No caminho de volta do restaurante para casa, Mad passa em frente uma pracinha e fica observando as crianças que estavam por lá brincando, então resolve sentar-se em um dos bancos dá pracinha e por um momento se lembra que sua infância não foi tão mágica e feliz , mas sim de solidão e tristezas.
Flashback on
Era uma tarde no velho casarão e todas as crianças estavam reunidas no pátio para uma brincadeira ao ar livre, menos a pequena Madson, de 8 anos.
— Você, Madson, vai ficar aqui de castigo por ter bagunçado a cozinha! — disse Luciana, furiosa, apontando para um canto escuro do pátio.
Madson abaixou a cabeça, segurando as lágrimas que ameaçavam cair. Sentia-se incompreendida e isolada, enquanto as outras crianças corriam e brincavam alegremente ao seu redor. A tarefa de ajudar na cozinha era importante no orfanato, e Madson sabia que tinha cometido um erro ao deixar tudo bagunçado.
Enquanto estava ali, sozinha, Madson começou a cantar baixinho para se consolar. A música era sua única companhia nas horas difíceis, e ela sabia que, de algum modo, isso a ajudaria a superar aquele momento.
De volta ao presente, sentada no banco da pracinha, Madson deixou escapar um suspiro. A música ainda era uma parte vital de sua vida, e agora, com pessoas como Aisha e Camila ao seu lado, ela começava a acreditar que poderia construir um futuro melhor.
Madson decidiu que era hora de voltar para casa e continuar a compor a melodia que tinha começado mais cedo. Levantou-se do banco, sentindo-se um pouco mais leve, e começou a caminhar de volta para seu apartamento. No caminho, uma mulher sorridente se aproximou e entregou um panfleto colorido para ela.
— Olá, jovem! Estamos organizando uma competição musical na cidade. Acho que você poderia se interessar — disse a mulher, com um brilho de entusiasmo nos olhos.
Madson olhou para o panfleto, curiosa. "Competição Musical de Toronto: Inscreva-se já e mostre seu talento!" dizia o título, acompanhado de imagens vibrantes de pessoas tocando instrumentos e cantando no palco.
— Obrigada — respondeu Madson, ainda absorvendo a surpresa.
Continuou seu caminho para casa, pensando na possibilidade de participar. A competição poderia ser uma oportunidade para mostrar suas habilidades musicais e talvez ajudar a superar os fantasmas do passado. Sentia que isso poderia ser exatamente o que precisava para se sentir verdadeiramente em casa em Toronto.
Chegando em seu apartamento, Madson sentou-se com seu violão e começou a tocar a melodia que estava compondo. A ideia de se inscrever na competição musical agora estava fixada em sua mente. Sabia que essa poderia ser uma chance de dar um novo rumo à sua vida.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Kelly Ramos
Só queria ter uma tia assim também kkkkk o prejuízo que não seria hahaha
2025-03-30
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Kelly Ramos
Madson sinto muito mais bons gestos apenas são como um remediador.
2025-03-30
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Maah Monteiro
nossa é só comida chique, não tem um arroz com feijão e frango kkkkkk
2025-03-19
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