A voz de Anjo

No apartamento 303, Aisha acordou de repente ouvindo uma voz. Pensou que tinha acordado no céu, tamanha a beleza do som. Abriu os olhos e percebeu estar no seu quarto, em Toronto, e não no céu. A curiosidade tomou conta enquanto tentava identificar de onde vinha aquela voz angelical.

Ela virou para o lado e viu o relógio em cima da mesinha de cabeceira, que marcava cinco e quarenta da manhã. Ficou deitada ouvindo a voz, tentando prestar atenção para saber de onde estava vindo. Era quase hipnótico. Então percebeu vir do apartamento ao lado. Mas de quem era?

Ah, a nova moradora! Como era mesmo o nome dela? Sandy? Não, era outro. Acho que Mandy. Que memória ruim a dela. Ah, lembrou, Madson, isso.

Deixa eu me apresentar. Meu nome é Aisha LeBlanc, tenho 24 anos e moro aqui em Toronto desde os meus 17. Tenho 1,75 de altura, olhos verdes claros e cabelos coloridos de rosa e azul, lisos. Quem olha para mim acha que sou uma daquelas patricinhas chatas, mas não sou. É apenas a minha cara mesmo.

No apartamento de Madson. 

Depois de uma hora tocando e cantando, Madson se levantou do chão, colocou o violão em cima da cama e decidiu tomar um banho quente para relaxar um pouco. Após meia hora, saiu do banho mais tranquila, olhou no celular e viu serem seis e trinta da manhã.

Ela foi até o guarda-roupa e escolheu vestir um top cinza e uma calcinha da mesma cor. Optou por colocar uma camiseta cinza sem estampas, uma calça de moletom preta e, nos pés, seu novo All Star preto. Após se vestir, voltou ao banheiro para pendurar a toalha que havia usado e arrumar os cabelos e a franja.

Madson pensou que, ao se mudar para outra cidade, os sonhos ruins iriam parar, mas pelo visto, não. Eles a acompanhariam para sempre. Não importava para onde fosse, estariam sempre com ela, como se estivessem em sua pele. Decidiu esperar até às sete horas para poder ligar para a tia Ana.

Enquanto aguardava, resolveu arrumar o quarto, que estava um pouco bagunçado. No dia anterior, após voltar do passeio com Camila, não conseguiu fazer mais nada por chegar tarde e cansada. Mas valeu a pena. Nunca imaginou que um dia conseguiria falar com Camila Cabello. Das outras vezes, ficava nervosa e não conseguia dizer nada ou, quando falava, saía tudo errado.

Enquanto arrumava o quarto, Madson tentava distrair a mente dos pensamentos pesados que os sonhos ruins sempre traziam. Colocou a roupa suja no cesto, organizou alguns livros espalhados e dobrou o cobertor na cama. Ela olhava ao redor e, lentamente, o espaço começava a parecer mais acolhedor.

Quando o relógio finalmente marcou sete horas, pegou o telefone e ligou para a tia Ana. A ligação tocou algumas vezes antes de a voz familiar atender.

— Madson, querida! Como você está?

— Oi, tia. Estou bem — ela mentiu, tentando soar animada. — Só liguei para dar um oi e saber como estão as coisas.

— Estamos bem por aqui. E você, está se adaptando à nova cidade? — perguntou a tia, com uma preocupação evidente na voz.

Madson hesitou antes de responder. — Sim, aos poucos… mas ainda sinto falta de tudo, sabe?

— É normal, minha querida. Dê tempo ao tempo. E lembre-se de que você sempre pode me ligar, OK?

Madson sorriu, sentindo-se um pouco mais leve. — Obrigada, tia. Lembrarei disso.

Após encerrar a ligação, Madson olhou para o relógio. Já era quase sete e meia. Decidiu precisar sair um pouco para espairecer, então pegou sua mochila e saiu do apartamento. Ao fechar a porta, sentiu uma brisa fria da manhã. O ar fresco de Toronto fazia com que ela se sentisse viva, como se cada passo fosse um recomeço.

No corredor, encontrou Aisha. Ela estava saindo do apartamento com um sorriso caloroso no rosto.

— Oi, Madson! Saindo para dar uma volta? — Aisha perguntou, com curiosidade nos olhos.

— Sim, pensei em caminhar um pouco. Preciso respirar um ar fresco — Madson respondeu, tentando parecer despreocupada.

Aisha sorriu e então olhou para Madson, que estava em sua frente. — Estou indo ao café da esquina. Quer vir comigo?

Madson ficou surpresa com o convite, mas aceitou com um leve sorriso. — Claro, por que não?

As duas seguiram até o café, a conversa fluindo naturalmente enquanto caminhavam. Aisha falava sobre os melhores lugares para se tomar café na cidade, e Madson a ouvia, encantada com a energia contagiante de Aisha. Quando chegaram ao café, o cheiro do café fresco e dos pães quentes a envolveu, trazendo um conforto instantâneo.

Aisha pediu um cappuccino e Madson optou por um chocolate quente, algo que a fazia sentir-se acolhida. Elas encontraram uma mesa em um canto e logo estavam envolvidas em uma conversa animada, compartilhando risadas e histórias de vida.

— É engraçado, não é? Como a gente pode se sentir tão perdida às vezes, mas, de repente, uma boa conversa e um café podem mudar tudo — Madson comentou, sentindo-se mais leve.

— Com certeza! A vida é cheia de pequenas alegrias. Às vezes, só precisamos de um momento como este — Aisha respondeu, olhando nos olhos de Madson, como se realmente se importasse.

Após terminarem as bebidas, Madson sentiu-se revigorada e mais confiante. Assim que saíram do café, Aisha a convidou novamente.

— O que você acha de irmos ao mercado agora? Quero te mostrar os croissant que mencionei.

Madson sorriu, sentindo que estava realmente se adaptando a essa nova vida. — Vamos!

As duas caminharam até o mercado, conversando sobre tudo e nada, e Madson percebeu que, com Aisha ao seu lado, talvez encontrar um lugar onde se sentisse em casa não fosse tão impossível assim.

No mercado, a atmosfera era vibrante, cheia de aromas e cores. Aisha caminhava animadamente, apontando os itens de que mais gostava para Madson.

— Olha esses morangos! São os melhores da cidade — exclamou Aisha, pegando um punhado. Madson se aproximou, admirando como Aisha se movia com confiança entre os produtos.

— Nunca pensei que um mercado pudesse ser tão divertido — disse Madson, sorrindo. A cada passo que davam juntas, ela se sentia mais à vontade.

— É tudo uma questão de perspectiva. Às vezes, só precisamos mudar o olhar sobre as coisas — respondeu Aisha, colocando os morangos em uma sacola.

Enquanto continuavam a explorar, Aisha levou Madson até a seção de pães.

— Aqui estão os croissants que eu queria te mostrar! — anunciou Aisha, pegando um para si e outro para Madson. — Vamos experimentar!

Madson aceitou o croissant, agradecida pela gentileza de Aisha. Ao dar a primeira mordida, uma explosão de sabor a envolveu. Era leve, amanteigado e perfeitamente crocante.

— Uau! Isso é realmente delicioso! — exclamou Madson, os olhos brilhando de prazer.

— Eu sabia que você ia gostar! O melhor de tudo é que, enquanto estamos nos divertindo, também estamos experimentando as delícias da cidade — respondeu Aisha, satisfeita.

Após algumas compras, as duas decidiram voltar para o apartamento. O clima estava agradável e o sol começava a se erguer, aquecendo o dia.

— Sabe, eu nunca pensei que faria amizade tão rápido aqui — comentou Madson, um pouco envergonhada. — Estou tão acostumada a me sentir sozinha.

Aisha parou e olhou nos olhos de Madson, com um sorriso encorajador.

— Você não precisa se sentir assim. Às vezes, as melhores amizades surgem quando menos esperamos. E você já se mostrou incrível. Não se preocupe com o passado; foque no agora — disse Aisha, enquanto começavam a andar novamente.

Ao chegarem ao apartamento, Madson sentiu um novo ânimo. A conversa, o café e a caminhada ao lado de Aisha ajudaram a esquecer os pesadelos que a acompanhavam. Era como se a nova amizade estivesse abrindo portas para um futuro mais brilhante.

— Obrigada por me mostrar um pouco da cidade hoje. Sério, eu precisava disso — comentou Madson, enquanto Aisha abria a porta do apartamento.

— Eu que agradeço por aceitar o convite! Vamos nos ver mais vezes. Podemos explorar mais lugares juntas — respondeu Aisha, com entusiasmo.

Madson sorriu e Aisha percebeu que ela estava mais leve e esperançosa. Afinal, talvez, apenas talvez, a vida em Toronto estava começando a se sentir como um lar.

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Comments

Brennda Germany's

Brennda Germany's

parece eu me apresentando, quem olha pra mim pensa que sou chata, mas quando me conhece tem certeza kkkkkkkk

2025-02-28

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Brennda Germany's

Brennda Germany's

e quando ela quiser pagar como que a gente diz Madson!?

*** Se você insiste quem sou eu para discordar***

2025-02-28

1

Kelly Ramos

Kelly Ramos

Sei como é isso, eu sempre esqueço os nomes das pessoas 😅

2025-03-30

1

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