Na velha mochila, Madson levava seu inseparável caderno, onde escrevia seus sonhos, desejos, dores e traumas, os quais carregava sozinha. Era seu refúgio secreto, o lugar onde organizava seus pensamentos. As páginas eram preenchidas com caligrafia cuidadosa, e entre os parágrafos, desenhos surgiam, ilustrando seus sentimentos de maneira única. Ao lado do caderno, estava o iPod que Helen lhe dera de presente, uma lembrança de muitas tardes ouvindo música juntas, onde as duas compartilhavam suas canções favoritas e trocavam risadas leves, esquecendo por um momento as preocupações do mundo ao redor.
Enquanto isso, Ana foi ao escritório principal para pegar as chaves do carro e a cópia da documentação de Madson. Havia ali um relatório detalhado de tudo que a menina havia vivenciado durante os anos no orfanato, com anotações que indicavam o cuidado e a atenção que ela havia recebido, mas também os desafios que enfrentara. Cada página daquele dossiê contava a história de uma criança que cresceu em meio a dificuldades, mas que também encontrou afeto e acolhimento em cada canto daquele lugar.
Mônica, por sua vez, dirigiu-se ao seu consultório para pegar os registros médicos de Madson e sua bolsa, pronta para acompanhar a jovem até sua nova casa. Ela folheou o prontuário, observando as anotações que ela mesma fizera ao longo dos anos, cada consulta, cada machucado que cuidou, e cada conselho que deu à jovem. Dr. Júlia estava encarregada do ambulatório naquele dia, já que Mônica estava ocupada com a despedida. Ela olhou para Mônica com um sorriso de incentivo, sabendo que aquele momento seria tanto de alegria quanto de tristeza.
Assim que ambas reuniram tudo o que era necessário, seguiram em direção ao dormitório das meninas mais velhas. Ana entrou no quarto enquanto Mônica ficou apoiada no batente da porta, observando com discrição a interação. O quarto estava iluminado pela luz suave do final da tarde, que se infiltrava pelas cortinas. Madson, sentada na cama, ajeitava cuidadosamente seu violão na capa, e seus dedos corriam pelo tecido da capa, como se sentisse cada acorde que ele já havia tocado, cada música que havia preenchido os corredores do orfanato.
— Oi, princesa. Está tudo pronto para irmos? Está animada para sua nova jornada? — indagou Ana, sua voz embargada de emoção, enquanto observava cada detalhe do semblante de Madson, que tentava se mostrar forte.
— Sim, está tudo pronto. Estou animada e um pouco ansiosa com tudo o que pode acontecer — respondeu Madson, seus olhos brilhando com uma mistura de entusiasmo e nervosismo, como se tentasse imaginar todos os cenários que a aguardavam.
— Então, vamos, pequenina. Temos um longo caminho pela frente — disse Ana, tentando infundir coragem. Ela se aproximou e acariciou os cabelos da menina, em um gesto que carregava anos de cuidado e afeto, um último carinho antes de vê-la partir para um novo ciclo.
— Vamos sim — respondeu Madson com um sorriso firme, que escondia um leve tremor nos lábios, denunciando a mistura de sentimentos que a atravessava naquele instante.
Mônica entrou no quarto para ajudar a carregar as malas da menina, enquanto Madson colocava a mochila nas costas e segurava seu violão com cuidado. Juntas, caminharam até o salão central, onde vários funcionários e crianças aguardavam para se despedir. O ambiente estava repleto de emoções, e a mistura de alegria e tristeza era palpável no ar. Todos sabiam que aquele momento marcava o fim de um capítulo, mas também o início de outro, cheio de novas possibilidades.
Estavam lá o senhor Carlos, dono de uma simpatia contagiante e uma risada fácil; dona Rosa, com seus braços sempre prontos para oferecer um abraço reconfortante; Helen, que era como uma irmã mais velha para Madson; a professora Cristina, sempre com seu caderno de desenhos em mãos; e as pequenas Mari, Juju, Madu e Sofia, que adoravam passar o tempo com Madson, ouvindo suas histórias divertidas e passando horas desenhando juntas. Ao ver aquelas pessoas que tanto significavam para ela reunidas, Madson se emocionou, e as lágrimas começaram a brilhar em seus olhos.
Um a um, todos se aproximaram para se despedir. O senhor Carlos lhe entregou uma rosa-branca e uma caixa de seus chocolates favoritos. Ele segurou suas mãos por um momento, e seus olhos, cheios de ternura, diziam tudo o que as palavras não conseguiam expressar. Dona Rosa deu-lhe um pote repleto de biscoitos de gotas de chocolate, aqueles que Madson tanto amava. Ela acariciou o rosto da menina, prometendo que sempre teria um pote de biscoitos esperando por ela. Helen trouxe alguns CDs de artistas variados, aqueles que Madson sempre pedia para tocar quando estavam juntas, e ela sussurrou para Madson que, onde quer que estivesse, a música seria sempre um laço entre as duas.
A professora Cristina entregou-lhe um caderno de couro preto, com as iniciais "M." gravadas em letras douradas na capa, além de um conjunto de palhetas de violão de diversas cores, dizendo que elas representavam as cores que Madson trazia para a vida de todos ao seu redor. As crianças, por sua vez, fizeram juntas um caderno repleto de desenhos e histórias que Madson havia contado para elas. Na última página, escreveram o nome de todas, como um lembrete da amizade e do carinho que permaneceriam para sempre. Os desenhos eram cheios de cores vivas e representavam momentos que viveram juntas, como as tardes no jardim e as noites de contação de histórias.
— Muito obrigada por tudo. Não vou esquecer de nenhum de vocês. Todos são especiais para mim e fizeram o início da minha vida ser maravilhoso — disse Madson, a voz embargada pela emoção, enquanto segurava os presentes contra o peito, como um tesouro que levaria consigo. — Obrigada pelos presentes e, sempre que puder, voltarei para matar a saudade.
Depois de se despedir de cada um, Madson caminhou até o carro acompanhada por Ana e Mônica. A atmosfera ao redor era uma mistura de esperança e melancolia, e, enquanto ela olhava para trás, viu os rostos daqueles que a acompanharam até ali, gravando cada detalhe em sua memória. Embora a nova moradia fosse um mistério, ela estava pronta para descobrir o que o futuro lhe reservava, e, com um último aceno, entrou no carro, sentindo o peso das despedidas e a leveza das novas oportunidades que surgiam no horizonte.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Bela Black
Então ela estava sendo adotada? Ou só sendo levada para outro lugar já que o tempo no orfanato acabou?
2025-03-02
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S.Kalks
Ainda não consigo entender por qual motivo ela não foi adotada
2025-02-28
1
Jhay_Focas
Provavelmente ela não está pronta, mas... é o que resta
2025-03-26
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