Uma nova etapa

A diretora Ana e a Dra. Mônica prepararam uma surpresa para Madson: um apartamento aconchegante que seria sua nova moradia, longe dos corredores frios do orfanato.

Madson, ansiosa e pensativa, admirava a paisagem que passava rapidamente pela janela do carro. As árvores altas e os campos abertos pareciam refletir a liberdade que ela começava a sentir, embora a incerteza sobre o destino lhe trouxesse um leve desconforto.

Ela virou-se para a diretora, que conduzia o carro com um sorriso sereno, como se soubesse que aquele momento marcaria um novo capítulo na vida da menina.

— Para onde estamos indo, tia? A senhora não falou nada até agora — perguntou Madson, sua curiosidade finalmente rompendo o silêncio.

— Estamos indo para sua nova casa, e tenho certeza de que você vai adorar — respondeu Ana, com um sorriso misterioso.

— Como a senhora pode ter tanta certeza? Eu mal saía do orfanato... Provavelmente nunca fui a esse lugar — replicou Madson, franzindo a testa, sem esconder sua desconfiança.

— Minha princesa, jamais te levaríamos a um lugar que você não conhecesse. Confie em nós — disse Mônica, com sua habitual doçura, olhando para a menina pelo retrovisor.

— Você conhece o lugar, Mad. Inclusive, já escreveu sobre ele. Preste atenção no caminho, e vai entender onde estamos indo — acrescentou Ana, com um olhar cúmplice.

Madson, ainda relutante, suspirou.

— Tudo bem, vou dar um voto de confiança a vocês, mas só desta vez — disse ela, esboçando um pequeno sorriso.

O carro seguia pela estrada enquanto o rádio tocava baixinho uma música instrumental relaxante. Após cerca de 1h30 de viagem, a menina acabou adormecendo. No banco da frente, Mônica observava o cenário mudar. O horizonte agora era pontilhado por prédios altos e ruas movimentadas que indicavam a proximidade com a cidade. As lembranças de tudo que haviam passado para chegar até ali a fizeram suspirar.

— Está pensando no que aconteceu? — perguntou Ana, sem tirar os olhos da estrada, mas percebendo a inquietude de Mônica.

— Sim. Parece que foi ontem que tudo aconteceu... Mas ela é forte. Olhe para ela agora, depois de tudo — respondeu Mônica, com um sorriso orgulhoso.

Elas haviam decidido, anos atrás, dedicar suas vidas ao orfanato. Ana sempre fora organizada e visionária, cuidando da administração e finanças, enquanto Mônica, com sua formação médica, tomava para si a responsabilidade pela saúde e bem-estar das crianças.

Depois de 2h30 de viagem, já estavam quase chegando ao destino. Ana pediu a Mônica que acordasse a menina, temendo que Madson ficasse desorientada ao acordar sozinha no novo lugar. Mônica acatou o pedido com um leve receio de interromper o sono tranquilo da menina.

— Princesa, acorde, já estamos quase chegando… — chamou Mônica com uma voz suave, tocando de leve o braço da menina.

Madson abriu os olhos lentamente, piscando algumas vezes antes de se sentar corretamente no banco.

— Já? Achei que a viagem fosse demorar mais. Parece que acabamos de pegar a estrada... — disse Madson, ainda meio sonolenta, enquanto olhava ao redor, tentando reconhecer o caminho.

— Já estamos na estrada há quase 2h30, querida. Você não percebeu porque dormiu quase o trajeto inteiro — respondeu Ana, rindo da expressão de surpresa da menina.

— Agora tá explicado! — exclamou Madson, rindo junto.

As duas mulheres riram com ela, o clima dentro do carro se tornando mais leve.

Madson então começou a observar com mais atenção o caminho e, aos poucos, as lembranças começaram a surgir. Elas estavam se aproximando da cidade de Toronto, o lugar para onde ela havia sido levada há quatro anos, depois de um incidente trágico no orfanato. Uma das meninas, em um surto de raiva, a havia esfaqueado no peito. Madson se lembrou da dor, do pânico, e de como tudo tinha ficado escuro antes que ela fosse socorrida.

Por um triz a faca não atingiu seu coração. Ela passou por uma cirurgia delicada e os médicos decidiram colocá-la em coma induzido para que seu corpo tivesse tempo de se recuperar. Foram duas semanas longas e silenciosas, onde o destino parecia incerto.

Quando acordou, tinha dificuldade de respirar sozinha, e permaneceu entubada por semanas, até que seu pulmão finalmente se recuperou. Foram cinco meses no hospital, entre fisioterapias e tratamentos contínuos. Durante todo esse tempo, Ana e Mônica estiveram ao seu lado, se revezando para que Madson nunca se sentisse sozinha.

Elas se hospedaram na casa de Sinuhe Cabello, uma amiga antiga que morava na cidade, e foi lá que Madson terminou seu tratamento. Agora, após todos esses anos, ela voltava à cidade, não mais como uma paciente, mas para um novo começo.

O coração de Madson bateu mais forte à medida que reconhecia a rua pela qual estavam passando. Elas estavam voltando para aquele mesmo bairro. O que a aguardaria dessa vez?

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Comments

Kelly Ramos

Kelly Ramos

Posso está morrendo de sono que não durmo durante viagem, mesmo tomando remédio pra dormir minha mente luta.

2025-03-04

1

S.Kalks

S.Kalks

Corajosa é ela, pq eu não conseguiria dormir, tenho pavor de dormir na estrada

2025-02-28

1

S.Kalks

S.Kalks

Demorou foi muito pra perguntar /CoolGuy//CoolGuy//CoolGuy/

2025-02-28

1

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